Advogado é preso suspeito de dopar e estuprar jovem após se passar por delegado e oferecer emprego falso no DF
14/03/2026
(Foto: Reprodução) A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, na manhã deste sábado (14), um advogado de 53 anos que se passou por policial para enganar, dopar e estuprar uma jovem de 23 anos, com uma falsa promessa de emprego.
O suspeito foi localizado em Águas Claras enquanto tentava fugir com a ajuda de um sargento da Polícia Militar (PMDF).
Em entrevista à TV Globo, a vítima contou que chegou de Manaus (AM) a Brasília há cerca de cinco meses e estava à procura de trabalho. Foi quando uma amiga indicou o contato de um homem que estaria contratando.
"Eu vim pra cá porque sempre gostei muito da cidade, era um sonho. Estou fazendo freelancer para conseguir me manter aqui, mas não tem sido fácil. Uma amiga minha conheceu esse homem em um aplicativo de namoro e ele perguntou se ela queria trabalhar em uma das empresas dele. Ela disse que já trabalhava, mas falou que tinha uma amiga precisando de emprego. Então ela passou meu contato", relembra a jovem.
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Os dois começaram a conversar por telefone. Em um áudio enviado à vítima, o homem explica o que procurava na candidata ao suposto emprego:
"Eu preciso muito de uma pessoa que goste da área de estética, de joias, semijoias, roupa, salão de beleza. Em Águas Claras a mulherada consome muito. É muita coisa, muita informação… não dá para falar tudo por áudio. Como você está de tempo hoje? Tem tempo para a gente sentar, jantar, comer alguma coisa?", diz o suspeito na gravação (ouça o aúdio abaixo).
OUÇA: Em áudio, advogado convida vítima conversar sobre falsa promessa de emprego
Como o crime aconteceu
Na última terça-feira (10), os dois combinaram de se encontrar em Águas Claras. Eles conversaram e lancharam em um restaurante. Segundo a vítima, durante a entrevista de emprego o homem disse que era delegado.
"Ele estava com um negócio na cintura e dava para ver que era uma arma. Também estava com uma algema. Então eu realmente achei que ele era delegado", contou.
Na conversa, a jovem comentou que estava procurando uma cama para comprar. O homem disse que tinha uma para vender e sugeriu que eles fossem até o apartamento dele, em Águas Claras.
"Quando a gente desceu da lanchonete, eu falei que não precisava ir. Mas ele pegou no meu braço e disse que eu ia. Com uma mão ele segurava meu braço e com a outra estava perto da arma. Eu pensei: se eu gritar ou tentar fugir, ele vai atirar", relatou.
A jovem contou que, ao chegar ao local, o suspeito ofereceu um refrigerante. Depois de beber, ela começou a se sentir mal e perdeu a consciência.
A mulher afirma que só acordou cerca de 24 horas depois, nua, dentro do apartamento do homem.
Prisão
Depois de conseguir sair do local, a vítima pediu ajuda a um motorista de aplicativo e foi levada até 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, para registrar a ocorrência.
A Polícia Civil começou a investigar o caso e identificou o suspeito. Segundo a delegada Elizabeth Frade, responsável pelo caso, o homem foi preso quando tentava fugir com a ajuda de um conhecido, sargento que acabou autuado em flagrante por favorecimento pessoal.
Aina de acordod com a polícia, o suspeito se apresentava como policial e empresário para ganhar a confiança das vítimas. Na verdade, ele é advogado e teria usado a falsa identidade para atrair mulheres com promessas de emprego.
O advogado da vítima informou que levou o caso à Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Durante as buscas na casa do investigado, os policiais apreenderam uniformes semelhantes a fardas policiais e comprimidos que podem ter sido usados para dopar vítimas.
A vítima também relatou o caso em uma rede social e afirma que outras mulheres já entraram em contato dizendo que teriam passado por situações semelhantes com o mesmo homem.
A Polícia Civil apura agora se outras mulheres podem ter sido vítimas do investigado.
Jovem relata que advogado se apresentou como delegado durante suposta entrevista
TV Globo
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