Aneel considera insatisfatória atuação da Enel em apagão de dezembro que deixou mais de 2 milhões de imóveis sem energia
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Em documento, Enel reconhece que número de pessoas afetadas por apagão em dezembro foi muito maior e que nem todas as equipes de manutenção estavam nas ruas de madrugada
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu que a atuação da Enel no apagão de dezembro de 2025 foi insatisfatória. No dia 10 de dezembro, uma ventania inédita atingiu a capital com rajadas de até 98 km/h, deixando mais de 2 milhões de moradores sem energia.
A nota técnica desta quarta-feira (11), documento público anexado ao processo de investigação sobre a atuação da empresa, apontou falhas na resposta à crise. A concessionária é responsável pelo abastecimento de energia na capital paulista e em outros 23 municípios da região metropolitana.
Conforme a Aneel, houve baixa produtividade das equipes no tratamento de interrupções. Mesmo a distribuidora ter disponibilizado mais de 1.500 equipes, verificou-se um elevado percentual de equipes que não atuam com frequência no atendimento às ocorrências emergenciais.
Também citou que houve redução significativa de equipes durante o período noturno e da madrugada e que houve proporção baixa de veículos de grande porte, além de indícios de falhas ou falta de manutenção nas redes.
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O relatório ainda diz que foi registrado um número elevado de interrupções de energia e que algumas ligações só foram restabelecidas 5 dias depois do vendaval.
A Aneel destacou ainda que 46% dos clientes ficaram mais de 24 horas sem energia. O relatório chama a atenção, por exemplo, a casos de Pipora do Bom Jesus em que as pessoas ficaram 147 horas sem luz.
Para a Aneel, a gestão de crise falhou. "A distribuidora manteve um padrão de mobilização tipicamente concentrado em horário comercial, com reduções drásticas no período noturno e madrugada".
Em nota, a Enel disse que seguirá trabalhando para demonstrar que cumpriu integralmente com os critérios estabelecidos pela aneel em 2024.
Também disse que apesar da severidade do evento climático registrado em 10 e 11 de dezembro, restabeleceu o serviço aos clientes mais rapidamente do que no apagão de 2024.
Afirmou que confia no sistema jurídico e regulatório brasileiro para garantir segurança e estabilidade aos investidores com compromissos de longo prazo no país. E, por fim, a Enel sustenta que houve melhora nos indicadores desde 2023.
Cidade de São Paulo durante apagão da Enel em dezembro de 2025
Reprodução/TV Globo
Fim do contrato da Enel
Em 16 de dezembro de 2025, representantes dos governos federal, estadual e municipal decidiram, após reunião, iniciar o processo de extinção do contrato com a Enel.
"Não há outra alternativa senão a medida mais grave que existe, que é a decretação de caducidade. Nós estamos mandando elementos para o Ministério de Minas e Energia. Vamos mandar isso também para a agência reguladora", afirmou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em entrevista após o encontro.
🔎 Considerada uma medida extrema, a caducidade (ou extinção do contrato) pode ocorrer quando confirmado que a concessionária descumpre obrigações contratuais e não tem condições de manter a prestação de serviços à população.
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"Vamos instar a agência, a gente está falando de uma união importante, que é do governo federal, estadual e Prefeitura de São Paulo, na mesma página, para que o processo de caducidade seja instaurado", completou.
Alexandre Silveira, ministro de Estado de Minas e Energia, disse que a Enel perdeu as condições de estar à frente do serviço de concessão de energia elétrica na capital e na Grande São Paulo.
Na segunda (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que órgãos do governo federal apurem falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica pela Enel.
O despacho, publicado no Diário Oficial da União da segunda, também determina a investigação de eventual responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), após reiterados pedidos do Ministério de Minas e Energia para abrir processos administrativos.
Em nota, a Enel informou que "vem cumprindo suas obrigações contratuais e regulatórias, assim como o Plano de Recuperação apresentado em 2024 à Aneel, que registrou avanços consistentes em todos os indicadores de qualidade do serviço. Esses resultados foram comprovados pelas fiscalizações recentemente realizadas pela agência reguladora. Ao longo de 2025, a companhia manteve uma trajetória contínua de melhoria, demonstrando que as ações implementadas e acompanhadas mensalmente pelo regulador são estruturais e permanentes".
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