ÁUDIO: pedido de desculpas em áudio à família de vítima levou à prisão do lutador Melqui Galvão, diz polícia
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Pedido de desculpas à família de vítima levou à prisão do lutador Melqui Falcão
Um pedido de desculpas enviado em áudio à família de uma das vítimas do lutador e treinador de jiu-jitsu, Melqui Galvão, fez com que a Polícia Civil considerasse sua prisão. O homem foi preso por suspeita de crimes sexuais contra alunas, nesta terça-feira (28), em Manaus.
Segundo a Polícia Civil, o áudio, que possui 16 minutos e 42 segundos, colaborou com as investigações da corporação, que conseguiu comprovar os indícios de materialidade e autoria para fundamentar a prisão temporária de Melqui.
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No material, o homem confessa ter tido comportamentos e pensamentos impróprios para uma relação entre professor e aluna, que morava em Jundiaí. Ouça o trecho acima.
Lutador e treinador de jiu-jitsu, Melqui Galvão, foi preso em Manaus
Instagram/Reprodução
No trecho do segundo 33 até 1 minuto e 30 segundos, Melqui fala que nada pode justificar a forma que agiu para com a aluna, apesar de interpretar que a menina agia de forma diferente com ele e que, por isso, existiriam sentimentos, segundo o suspeito.
- "Nenhuma coisa pode justificar o meu comportamento. Eu, como líder, como um cara que já tem uma certa idade, não poderia ter tido esse comportamento com a sua filha. Mas eu queria também falar que, de verdade, eu nunca planejei isso. Desde o primeiro dia que vocês entraram aqui, até o último dia que vocês saíram, eu nunca planejei isso, nunca quis esses meus pensamentos, né? A menina não tem culpa nenhuma, ela é bem jovem, mas alguns tratamentos que ela teve com relação a minha pessoa são tratamentos diferentes de uma aluna e um professor. Me tratava de uma maneira que nenhuma aluna minha me tratava. Isso me levou a crer que existia alguma coisa ali, além de um sentimento de aluno e professor", disse no áudio.
Melqui ainda pede para que a família da vítima não registre uma denúncia contra ele, oferecendo dinheiro e oportunidades de carreira no exterior para a menina e seus familiares. No trecho do minuto 2 e segundo 40 até 4 minutos, o lutador diz que bancaria despesas de uma viagem para o campeonato mundial.
Fachada da academia de Melqui Galvão em Jundiaí (SP)
Google Maps/Reprodução
- "Tô disposto a fazer o que vocês quiserem, o que vocês quiserem mesmo, para que eu não prejudique mais pessoas ainda, tá? A sugestão que eu tenho, a primeira, é que a gente tenha uma conversa onde eu possa pedir desculpas a vocês todos, pessoalmente, e que ela possa continuar aqui [academia], pelo menos até o Mundial. Eu prometo que, se ela ficar aqui, pelo menos até o Mundial, onde ela vai receber a faixa preta dela, eu não vou sequer, eu não toco nela, eu não falo com ela se ela não falar comigo, eu não vou destratar dela, mas também eu vou manter total distância dela. Se tiver uma viagem, eu não vou no mesmo voo que ela, eu não fico na mesma casa que ela e, se for necessário, se vocês quiserem, eu pago também as despesas, sua [pai] ou da mãe dela, para acompanhar ela onde quer que seja, tá? Inclusive também pago as despesas da [nome]. Eu só queria, realmente, ter uma chance de reparar todo esse mal entendido".
Em outro trecho do áudio, do minuto 8 e segundo 55 até 10 minutos, Melqui afirma que a família da vítima poderia decidir o que aconteceria com ele.
- "Tentei ali buscar socorro para tentar bloquear as coisas, mas acabou que não não consegui. Então, eu não sou um cara ruim, mas eu sei o que eu fiz, eu sei que é errado. Se preciso, se não for o suficiente para vocês que eu me afaste, vocês quiserem mais que isso eu pensei, eu não consigo me matar, eu não posso matar, se eu me matar, vai acontecer a mesma coisa, as pessoas vão saber tudo que eu fiz. Então, eu pensei, eu ando de moto e é muito fácil simular um assalto. Se você quiser, você mesmo pode atirar. Sua esposa pode atirar. E se vocês não tiverem coragem, vocês podem botar alguém para atirar em mim. Eu não vou não vou fugir disso. Se eu fugir, é só me denunciar"
Professor de jiu-jítsu, Melqui Galvão é preso por suspeita de abuso sexual contra alunas;
Montagem/g1/Reprodução/Redes sociais
Relembre o caso
O treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão, investigado por suspeita de crimes sexuais contra alunas, foi preso pela Polícia Civil em Manaus. O investigado também é policial civil.
A prisão temporária foi decretada após denúncias reunidas pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que apura relatos de abusos envolvendo ao menos três vítimas.
Segundo a investigação, o caso veio à tona após uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador, denunciar a prática de atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada fora do país. A vítima está atualmente nos Estados Unidos e foi ouvida pelas autoridades, junto com familiares.
De acordo com a polícia, os denunciantes apresentaram uma gravação na qual o investigado admite indiretamente o ocorrido e tenta evitar que o caso seja levado adiante, com a promessa de compensação financeira.
Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país. No depoimento, elas relataram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou ter 12 anos na época dos fatos.
Além da prisão temporária, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele em Jundiaí, no interior paulista.
O caso tem gerado forte repercussão na comunidade do jiu-jitsu. O investigado é conhecido no meio esportivo e é pai do multicampeão Mica Galvão.
A Polícia Civil segue com as investigações para apurar a extensão dos crimes e identificar possíveis novas vítimas.
O g1 não localizou, até a última atualização desta reportagem, a defesa de Melqui Galvão.
Melqui Galvão é investigado por suspeita de crimes sexuais contra alunas
Reprodução/Redes Sociais
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