Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção

  • 10/02/2026
ONG alerta para infiltração de facções no estado brasileiro O Brasil manteve em 2025 a segunda pior nota da série histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), levantamento anual da Transparência Internacional que mede como especialistas e executivos enxergam o nível de corrupção no setor público. O país marcou 35 pontos, numa escala que vai de 0 a 100 (quanto menor a nota, pior a percepção), e ficou na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados. Em relação a 2024, quando o Brasil havia registrado 34 pontos, houve alta de um ponto — mas, segundo a organização, essa variação é estatisticamente insignificante, o que indica estagnação. O que é o Índice de Percepção da Corrupção O IPC é considerado o principal ranking internacional sobre corrupção e é publicado desde 1995. A metodologia atual, que permite comparação ano a ano, é usada desde 2012. O índice não mede “casos concretos” nem soma investigações ou denúncias. Ele reúne dados de até 13 fontes independentes, que captam a percepção de: especialistas pesquisadores executivos instituições que acompanham governança e integridade pública No caso do Brasil, foram usados oito indicadores, o mesmo número de 2024. Brasil segue abaixo da média mundial Com 35 pontos, o Brasil ficou abaixo de duas referências do levantamento: média global: 42 pontos média das Américas: 42 pontos Os países mais bem colocados em 2025 foram: Dinamarca (89 pontos) Finlândia (88 pontos) Cingapura (84 pontos) Na outra ponta, os piores foram: Somália (9 pontos) Sudão do Sul (9 pontos) Venezuela (10 pontos) Países próximos do Brasil no ranking A Transparência Internacional também destacou que o Brasil ficou perto de países que tiveram notas parecidas. ▶️Com a mesma pontuação do Brasil (35 pontos), aparece o Sri Lanka. ▶️Com um ponto a mais (36), aparecem Argentina, Belize e Ucrânia. ▶️Com um ponto a menos (34), estão países como Indonésia, Nepal e Serra Leoa. Dois países entraram no ranking pela primeira vez nesta edição: Brunei e Belize, ambos posicionados acima do Brasil. Para o diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão, o país viveu em 2025 um cenário contraditório. Segundo ele, o Brasil chamou atenção no exterior pela atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados acusados de conspirar contra a democracia, mas também teve casos de corrupção em “escala inédita”. “Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional em 2025, pela resposta firme e histórica do Supremo Tribunal Federal na responsabilização do ex-presidente Bolsonaro e outros conspiradores que atentaram contra a democracia, também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita”, disse Brandão. Avaliação de 2025 Além do índice, a Transparência Internacional – Brasil divulgou nesta terça-feira um relatório chamado “Retrospectiva 2025”, que faz uma análise qualitativa sobre avanços e retrocessos do país no combate à corrupção no último ano. A Transparência Internacional ressalta que a Retrospectiva 2025 não tem relação direta com o resultado do índice. O IPC é produzido pela rede global da organização a partir de fontes independentes. Já o relatório é elaborado pela equipe brasileira com base em pesquisa e consultas com órgãos de controle. A retrospectiva afirma que houve um agravamento da infiltração do crime organizado no Estado, principalmente por meio de corrupção em dois setores da economia formal: sistema financeiro advocacia Ao mesmo tempo, o relatório aponta que o país avançou no uso de inteligência financeira para atacar redes sofisticadas de lavagem de dinheiro. Casos citados no relatório A retrospectiva menciona uma sequência de operações e escândalos que marcaram 2025, entre eles: ▶️Operação que apurou suspeitas de comércio de sentenças no STJ ▶️Operação Overclean, da PF, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos ▶️Operação Sem Desconto, da PF, que revelou um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS ▶️Operação Carbono Oculto, também da PF, que apontou sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro com atuação em fintechs, fundos e setor de combustíveis ▶️Operação Compliance Zero, que embasou as apurações sobre o caso Master, descrito pela entidade como a maior fraude bancária já registrada no país Inteligência financeira como 'mudança de paradigma' Segundo a Transparência Internacional, a operação Carbono Oculto se destacou por priorizar o cruzamento de dados financeiros e a integração entre órgãos públicos. A organização avalia que esse tipo de estratégia é mais eficaz do que ações policiais focadas apenas em confronto armado. Críticas ao governo na resposta ao caso INSS O relatório também afirma que o governo federal falhou na resposta ao escândalo do INSS, citando demora na adoção de medidas e críticas à substituição do ministro da Previdência. Segundo a Transparência Internacional, as investigações apontaram continuidade do esquema em diferentes gestões, com envolvimento de atores nos governos Temer, Bolsonaro e Lula. Emendas parlamentares e 'captura do orçamento' No Legislativo, a retrospectiva afirma que 2025 consolidou o crescimento das emendas parlamentares, que voltaram a bater recordes e ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento aprovado para 2026. A entidade diz que a prática também se espalhou por estados e municípios e cita uma decisão do ministro Flávio Dino que estendeu regras de transparência a governos subnacionais. Caso Master A Transparência Internacional também menciona episódios ligados ao caso Master e afirma que houve tentativas de influência que atravessariam os três Poderes. Estratégias para a agenda anticorrupção Por fim, a Transparência Internacional – Brasil diz ver duas oportunidades para o país retomar uma agenda anticorrupção: a mobilização social que barrou a chamada “PEC da Blindagem” a coincidência de perfis considerados reformistas no comando dos cinco tribunais superiores A entidade defende que esse cenário pode abrir espaço para medidas como a criação de um código de conduta na cúpula do sistema de Justiça.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/10/brasil-repete-sua-segunda-pior-nota-da-serie-historica-em-indice-global-de-percepcao-da-corrupcao.ghtml


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