Casal de pastores é suspeito de abusar sexualmente de adolescentes em Roraima
15/07/2026
(Foto: Reprodução) Casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza é investigado pela Polícia Civil
Arquivo pessoal
O casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza é investigado pela Polícia Civil por suspeita de abusar sexualmente de ao menos seis adolescentes em Roraima. Os suspeitos usavam a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das vítimas, segundo investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Procurada, a defesa dos investigados não enviou resposta até a última atualização da reportagem.
A dupla é investigada pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. A investigação contra o casal começou em abril, a partir da denúncia de uma adolescente, de 14 anos. Depois, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, relataram que também tinham sido abusados pelo casal.
Segundo a Polícia Civil, as vítimas eram manipuladas pelo casal por meio da autoridade religiosa que exercia sobre elas. A investigação aponta que elas eram submetidas a chantagens, pressão psicológica e influência espiritual, o que impedia que manifestassem um consentimento livre para os atos.
No relatório final da investigação, a delegada da DPCA, Kamilla Basto, citou que a investigação foi desafiadora porque os crimes envolveram o ambiente de confiança e fé.
"Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento", disse.
De acordo com a investigação,Wenderson usava a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança das vítimas e facilitar a prática dos crimes. A esposa dele participava da aproximação com as adolescentes e colaborava com o marido.
O casal, ainda conforme a polícia, por ocupar a posição de líderes desencorajava denúncias ao fazer com que fiéis e vítimas temessem ser acusados de rebeldia na igreja. A Polícia Civil afirma que esse receio era reforçado por uma regra prevista no estatuto da igreja, que previa o desligamento de membros que promovessem dissidências ou se rebelem contra a autoridade religiosa.
"Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei", reforçou a delegada Kamila.
Suspeito tentou destruir provas
Além dos crimes atribuídos ao casal, a investigação apontou a participação de uma jovem de 20 anos na destruição de provas armazenadas no celular de Wenderson. Segundo a Polícia Civil, ela agiu a pedido do investigado, com a ajuda de uma adolescente e de uma das vítimas. Essa jovem foi indiciada pelos crimes de fraude processual e corrupção de menores.
Infância despedaçada: como curar o trauma do abuso sexual?
Infância despedaçada: como curar o trauma do abuso sexual?