Caso Geovana: veja cronologia do assassinato da babá até o júri popular
23/08/2026
(Foto: Reprodução) Babá Geovana Costa Martins, que tinha 20 anos, foi encontrada morta em Manaus.
Arquivo pessoal
A babá Geovana Costa Martins, de 20 anos, foi assassinada em agosto de 2024, em Manaus. Segundo a investigação, ela era mantida em cárcere privado e foi explorada sexualmente pela patroa, Camila Barroso, de 33 anos. O corpo da jovem foi encontrado em uma área de mata no bairro Tarumã, na Zona Oeste, um dia após o desaparecimento.
Geovana trabalhava para Camila havia cerca de um ano. Segundo a mãe da vítima, Márcia Costa, a filha nunca havia relatado desentendimentos ou comportamentos estranhos por parte da patroa.
A investigação começou após a família encontrar fotos em que Geovana aparecia com hematomas no rosto. As imagens haviam sido salvas automaticamente em um serviço de armazenamento na nuvem e puderam ser acessadas pelos familiares após o desaparecimento da jovem.
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Relembre a cronologia do caso
Cerca de um ano antes do crime: Segundo a investigação da Polícia Civil, Geovana é contratada por Camila Barroso para trabalhar como babá do filho dela.
Com o passar do tempo, segundo a polícia, a jovem é aliciada com festas e bebidas e passa a ser mantida em cárcere privado.
A Polícia Civil afirma que a casa onde Camila morava, no bairro Petrópolis, na Zona Sul de Manaus, funcionava como casa de massagem e ponto de prostituição. Segundo a investigação, Geovana era obrigada a realizar programas sexuais e impedida de manter contato com pessoas de fora, incluindo o ex-namorado.
Ainda de acordo com a polícia, para evitar que a jovem fugisse, Camila dizia ter sido casada com Mano Kaio, apontado pela investigação como um dos líderes do tráfico de drogas no Amazonas. Segundo a Polícia Civil, ela ameaçava chamar integrantes do tráfico para "quebrar as pernas" de Geovana caso ela tentasse sair.
Caso da babá Geovana Martins: três acusados foram ouvidos
Junho de 2024: Geovana emite um passaporte. A polícia suspeita que Camila pretendia levá-la para a Europa para exploração sexual e para ser usada como "mula" para o transporte de drogas.
19 de agosto de 2024: Geovana é considerada desaparecida. Segundo a Polícia Civil, no mesmo dia, ela tira fotos do próprio rosto, que aparece com hematomas e marcas de agressão.
As imagens são salvas automaticamente em uma nuvem de armazenamento, o que permite que os familiares tenham acesso aos arquivos mesmo após o desaparecimento do celular e inicia as buscas pela jovem.
Ainda na noite de 19 de agosto: Segundo a investigação, Geovana é assassinada dentro da casa de Camila. A Polícia Civil afirma que ela sofreu tortura e espancamento e morreu em decorrência de traumatismo craniano.
Após o crime, segundo a investigação, Camila e Eduardo Gomes da Silva, apontado como cúmplice, colocam o corpo de Geovana no carro de Eduardo e seguem até uma área de mata no bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus. Eles percorrem cerca de 28 quilômetros.
Segundo a Polícia Civil, Eduardo era filho da proprietária do imóvel alugado por Camila e já havia vendido o carro usado no transporte. Mesmo assim, ele pegou o veículo emprestado e o devolveu higienizado após o desaparecimento de Geovana.
De acordo com a investigação, o comprador do automóvel prestou depoimento, e o veículo foi encaminhado para perícia. O corpo de Geovana foi abandonado na área de mata.
20 de agosto de 2024: O corpo de Geovana é encontrado com sinais de espancamento e tortura em um matagal na Rua Esus, no bairro Tarumã.
25 de agosto de 2024: A família identifica oficialmente o corpo da jovem, que estava no Instituto Médico Legal (IML).
28 de agosto de 2024: Camila Barroso é presa preventivamente em Manaus. Segundo a Polícia Civil, a prisão foi acelerada após a investigação descobrir que ela havia deixado o imóvel e comprado uma passagem para fugir para a França, onde viviam familiares dela.
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29 de agosto de 2024: A Polícia Civil realiza uma coletiva de imprensa e detalha as agressões sofridas por Geovana. Na ocasião, é divulgada a foto de Eduardo Gomes da Silva, apontado como comparsa de Camila no transporte do corpo. Ele é considerado foragido.
25 de setembro de 2024: Antônio Chelton Lopes de Oliveira, de 25 anos, é preso. Ele é acusado de envolvimento direto no sequestro e na ocultação do cadáver de Geovana.
Ainda de acordo com a polícia, ele já tinha histórico criminal por integrar uma quadrilha envolvida em roubos de carros de luxo em 2023.
15 de novembro de 2024: Camila Barroso deixa o presídio após a Justiça converter a prisão preventiva em domiciliar. Na época, a decisão considerou que ela tem uma filha menor de 12 anos.
Camila passa a ser monitorada por tornozeleira eletrônica e fica proibida de deixar Manaus.
Agosto de 2026: A Justiça determina que os réus do caso sejam enviados a júri popular. Eles deverão responder pelos crimes de homicídio e exploração sexual de Geovana.