Casos de omissão de socorro após acidentes de trânsito crescem 23% nas regiões de Campinas e Piracicaba
03/03/2026
(Foto: Reprodução) Jovem de 20 anos é atropelado na calçada de bar no Cambuí, em Campinas
Reprodução/EPTV
O número de casos de motoristas que provocaram acidentes e fugiram sem prestar socorro às vítimas cresceu 23% entre janeiro e dezembro de 2025 nas cinco maiores cidades das regiões de Campinas (SP) e Piracicaba (SP).
Os dados de omissão de socorro são do Sistema de Polícia Judiciária (SPJ), da Polícia Civil, e foram obtido pela EPTV, afiliada da TV Globo, por meio da Lei de Acesso à Informação.
Campinas, Piracicaba, Limeira, Indaiatuba e Sumaré somaram 47 casos entre janeiro e dezembro de 2025. No mesmo período de 2024, foram 38 registros.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), omitir socorro em caso de acidente é crime e pode gerar pena de detenção de seis meses a um ano.
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Entre as cinco cidades, o maior crescimento foi registrado em Indaiatuba, que dobrou o número de ocorrências: foram 7 casos em 2024 e 14 em 2025. Veja os números abaixo.
O advogado especialista em trânsito André Gomes explica que o ato de fugir do local do acidente por si só já é caracterizado como um crime.
Entretanto, se a vítima tiver uma lesão muito grave ou acabar falecendo em decorrência dos ferimentos, o infrator será certamente responsabilizado.
"Às vezes, a pessoa fica assustada com a ocorrência do acidente e pensa que, se ela fugir, não vai ser detectada, não vai ser encontrada. E hoje em dia, com a quantidade de câmeras e pessoas que podem estar pelo local e anotarem a placa dele, pode ser levantado rapidamente quem é essa pessoa", explica.
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Vítima ficou na UTI após atropelamento
Um dos 23 casos de omissão de socorro em Campinas ocorreu em agosto de 2025, no airro Cambuí. Um homem foi atropelado na Rua Emílio Ribas enquanto estava na calçada de um bar com amigos.
Segundo um amigo, o motorista deu ré e atingiu o rapaz. Com o impacto, ele caiu e bateu a cabeça. O motorista fugiu sem prestar socorro.
"Sinceramente, não lembro de como aconteceu, nem nada. Só lembro de estar na calçada com meus amigos, todo mundo conversando. E do nada, em um estalar de dedos, estar na ambulância, sem entender o que aconteceu, com corte na cabeça e sangrando bastante", explica o universitário Walter Augusto Guimarães, a vítima do acidente.
A vítima levou 15 pontos na cabeça e teve a formação de um coágulo. Ele precisou ser internado na UTI. Hoje, recuperado, ele relembra o que aconteceu.
"A gente estava tudo na calçada, veio um carro, invadiu ela, acabou pegando o pessoal [...] A hora que ele viu que ele atingiu alguém, em vez dele parar, se preocupar, aí sim que ele foi embora", relembra o estudante.
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Sobre o caso de Walter, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a motorista e o passageiro do veículo foram identificados, ouvidos, e o caso encaminhado à Justiça.
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