Colaborador que viralizou no MA ao ajudar aluno estudou na mesma escola e parou de estudar ao se tornar pai
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Zelador que viralizou no MA ao ajudar aluno a concluir atividade estudou na mesma escola
O gesto simples do colobarador da limpeza Isaías Pinheiro, de 22 anos, ao ajudar um aluno a finalizar uma atividade na UEB José de Ribamar Bogéa, na Cidade Olímpica, em São Luís, chamou atenção pelo cuidado e viralizou nesta semana nas redes sociais. A repercussão do vídeo emocionou Isaías, que disse ter recebido inúmeras mensagens de carinho após o gesto viralizar (veja acima).
📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp
De origem humilde, Isaías nasceu e cresceu na Cidade Olímpica, bairro da periferia da capital. Ele também estudou na mesma escola em que trabalha, onde concluiu até o 9º ano.
Ao g1, ele contou que não prosseguiu os estudos porque, ainda jovem, se tornou pai e precisou trabalhar para sustentar a família. Agora, diz que pretende concluir os estudos e, no futuro, fazer faculdade.
No dia da gravação, na última quarta-feira (11), Isaías fazia a limpeza de rotina quando percebeu que André, aluno do 7º ano, de 12 anos, havia permanecido na sala após a aula de artes. A turma seguia para o laboratório de informática, que fica em frente à sala, mas o estudante ainda finalizava a atividade.
Isaías disse que tomou a iniciativa de ajudar ao perceber a dificuldade do aluno em concluir a atividade. Ele finalizou o exercício copiando do quadro, já que André estava nos últimos passos da tarefa.
“O que me motivou foi ver a dificuldade dele para terminar a atividade. Nunca imaginei que isso ia repercutir assim. Me senti muito feliz por receber tantas mensagens de incentivo e carinho. Que eles nunca desistam das nossas crianças, que são o nosso futuro”, afirmou.
Isaías Pinheiro ao lado de Sara e André, ambos do 7º ano do UEB José de Ribamar Bogéa, em São Luís
Reprodução/Redes Sociais
Comportamento do aluno pode estar ligado ao TEA, diz família
Segundo a gestora da escola, Jully Mourão, a mãe de André, Meridiane, relatou que o menino está em investigação de Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas ainda sem laudo médico definitivo. Ela explicou que episódios como o do vídeo não eram frequentes antes.
A mãe descreveu que o comportamento persistente do filho pode ter influenciado o momento que foi registrado. “Ele só vai para outra tarefa quando termina a anterior. É muito persistente”, relatou.
Jully acrescentou que o hiperfoco de André, no momento, está voltado para a letra cursiva, o que pode ter contribuído para que ele levasse mais tempo para concluir a atividade e preferisse terminá-la antes de seguir com a turma.
Gestora esclarece contexto do vídeo
A gestora explicou que o episódio registrado durou cerca de dois minutos. Ela disse que o vídeo acabou gerando interpretações equivocadas sobre um possível abandono, mas reforçou que o laboratório de informática fica a poucos passos da sala e que outros alunos estavam no corredor aguardando para entrar.
Entre eles estava Sara, colega de classe de André, que aguardava o amigo no corredor e também aparece no vídeo abraçando o estudante.
“O vídeo dura quase dois minutos. As pessoas acabam julgando o professor, mas não houve abandono. A sala de informática é logo em frente. A Sarinha ficou esperando ele, e os alunos já estavam ali para entrar na sala”, reforçou Jully.
Sara é uma criança autista e tem hiperfoco em abraços. Segundo Jully, o gesto é parte da rotina da estudante, que costuma demonstrar afeto a colegas e funcionários. Ela e André são amigos próximos.
A gestora destaca que a escola é "um lugar onde ninguém é invisível e onde cada criança importa. Que essa história nos lembre que a educação também acontece nos gestos simples, silenciosos e cheios de amor."