Como a Europa foi arrastada para o conflito no Oriente Médio

  • 05/03/2026
(Foto: Reprodução)
Destróier HMS Dragon, da Marinha do Reino Unido, deslocado para o Oriente Médio em 3 de março de 2026 meio à expansão da guerra na região. Divulgação/Ministério da Defesa do Reino Unido Países europeus têm reagido de diferentes maneiras à guerra no Oriente Médio. O continente acabou sugado para o conflito, ainda que indiretamente. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: as últimas notícias sobre a guerra no Oriente Médio Nesta reportagem você vai conferir: Ao menos 6 países europeus enviaram equipamentos militares ao Chipre; Reino Unidos e França autorizaram os EUA a utilizar suas bases militares; A Espanha foi na contramão e negou permissão aos EUA para utilizar as bases americanas em território espanhol para o conflito; Países se dividiram em suas posições sobre a guerra: França, Alemanha e Reino Unido defenderam que o Irã desmantele seu programa nuclear e de mísseis. União Europeia, Espanha e Itália pediram respeito à lei internacional. Drone iraniano atinge a ilha de Chipre Defesa do Chipre Reino Unido, França e Grécia e Espanha anunciaram nos últimos dias terem enviado equipamentos militares para a costa do Chipre, ilha que fica no extremo leste do Mar Mediterrâneo, próximo ao Líbano. A mobilização ocorreu após o Chipre—que faz parte da União Europeia, mas não da Otan— ter sido alvo de drones de ataque nos últimos dias. Entre os incidentes registrados estão ataques contra uma base militar britânica. Segundo autoridades cipriotas, o artefato que atingiu a base era um Shahed iraniano. Drones também foram interceptados perto do aeroporto internacional do país. O Reino Unido enviou um destróier, o HMS Dragon, dois helicópteros Wildcat com capacidade antidrones; A França enviou o porta-aviões Charles de Gaulle e uma fragata, além de sistemas antimísseis e antidrones; A Grécia enviou duas fragatas e esquadrões de jatos de guerra; A Espanha enviou a fragata Cristóbal Colón, que tem um sistema de defesa antiaérea; A Itália afirmou nesta quinta que enviará forças navais ao Chipre nos próximos dias; A Holanda disse estar avaliando a possibilidade de enviar fragatas. A Alemanha também disse nos últimos dias estar "pronta" para ajudar na defesa do Chipre, porém não há notícias de nenhum envio militar à região até a última atualização desta reportagem. Caças e jatos no Golfo Pérsico Alguns governos europeus também enviaram equipamentos militares para países do Golfo Pérsico, com o objetivo de auxiliar na defesa aérea ante a retaliação iraniana. A França enviou caças Rafale aos Emirados Árabes Unidos, e o premiê britânico, Keir Starmer, afirmou nesta quinta que mandou outros quatro jatos Typhoon para o Catar. Inteligência artificial: conflito no Oriente Médio marca novo estágio do desenvolvimento de armas de guerra Uso de bases militares e embates com Trump Já o uso de bases militares pelas Forças Armadas dos EUA tem dividido os europeus. A Espanha vetou que os EUA utilizem as bases militares norte-americanas presentes no território espanhol para a guerra no Irã. A recusa causou uma crise entre os dois países: Donald Trump ameaçou romper relações comerciais com Madri; o premiê espanhol Pedro Sanchez, por sua vez, disse que Trump está "brincando de roleta russa" e que não será cúmplice das ações dos EUA no conflito. Os EUA têm duas bases militares na Espanha (veja no mapa abaixo) - elas possuem localizações estratégicas por estarem próximas ao Estreito de Gibraltar. Mapa mostra bases dos EUA na Espanha, que o governo espanhol proibiu a utilização para ataques contra o Irã. Dhara Pereira/Arte g1 Após a troca de farpas entre Trump e Sanchez, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou na quarta-feira que a Espanha "concordou em cooperar com as Forças Armadas dos EUA", mas não deu mais detalhes. Também na quarta, algumas aeronaves norte-americanas foram vistas deixando a Espanha. "O presidente [Trump] espera que todos os nossos aliados europeus cooperem nesta missão, há muito tempo buscada não apenas pelos EUA, mas também pela Europa, para esmagar o regime iraniano hostil que não apenas ameaça os EUA, mas também ameaça nossos aliados europeus", afirmou Leavitt em coletiva. Já o Reino Unido autorizou o uso de suas bases militares por aeronaves dos EUA que atuem apenas na defesa, e não para atacar o Irã. Trump criticou o governo britânico, tido como um dos maiores aliados de Washington, por não ter concedido acesso total. Starmer, por sua vez afirmou que as relações com os EUA estão normais e que "não cederá a pressões externas". A França foi na mesma linha e, nesta quinta-feira, autorizou que jatos norte-americanos utilizem suas bases militares, mas disse que recebeu "garantias totais" dos EUA de que as aeronaves atuariam apenas na defesa de parceiros no Oriente Médio. “Aeronaves americanas que fornecem apoio operacional (não aeronaves de combate) foram aceitas na base aérea de Istres, na França. Dado o contexto, a França exigiu que os meios envolvidos não participem, de forma alguma, das operações conduzidas pelos EUA no Irã, ”, afirmou o Estado-Maior francês. Ainda segundo o governo francês, duas bases militares francesas no Oriente Médio foram alvos de ataques nos últimos dias. Repúdio ao Irã e apoio a aliados Os europeus demonstraram alinhamento no repúdio aos ataques retaliatórios do Irã contra países do Golfo Pérsico, que nos últimos dias têm sofrido com mísseis e drones. Teerã afirma que tem como alvo bases militares dos EUA sediadas nesses países, porém os projéteis também têm atingido estruturas civis. Há divisões, no entanto, sobre o mérito das ações dos EUA contra o Irã e sobre como deter a ameaça iraniana: Em comunicado conjunto, os governos da França, Alemanha e Reino Unido pediram que o Irã desmantele seus programas nuclear e de mísseis balísticos. Os países disseram estar em contato próximo com EUA, Israel e parceiros no Oriente Médio. O governo da Irlanda defendeu que o Irã nunca deve poder ter armas nucleares, porém esse objetivo deve ser alcançado através da negociação. A União Europeia e os governos de Espanha e Itália defenderam o respeito ao direito internacional por todas as partes no conflito. A UE pediu o respeito à Carta da ONU, a Espanha "rechaçou a ação militar unilateral dos EUA e de Israel". Já o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, disse nesta quinta-feira que os bombardeios norte-americanos e israelenses "com certeza violaram a lei internacional".

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/05/como-a-europa-foi-arrastada-para-o-conflito-no-oriente-medio.ghtml


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