Como atuam os agentes do metrô de em casos de importunação sexual e agressão
06/04/2026
(Foto: Reprodução) Como atuam os agentes do Metrô em casos de importunação sexual e agressão
A rotina no metrô de São Paulo vai muito além do transporte de milhões de passageiros todos os dias. Nos bastidores, uma operação silenciosa tenta coibir crimes como importunação sexual e agressões físicas — ocorrências que tendem a aumentar nos horários de pico.
Para enfrentar o problema, o sistema conta com agentes à paisana que circulam entre os usuários sem serem identificados. Misturados aos passageiros, eles monitoram comportamentos suspeitos e acionam equipes uniformizadas ou a polícia quando necessário. O trabalho é reforçado por câmeras de segurança espalhadas por estações e vagões.
Segundo os agentes, a estratégia é simples: observar discretamente e agir no momento certo. “Sem uniforme, você tem a visão do cidadão comum e o importunador não te percebe. Assim, conseguimos flagrar as ações”, explicou um dos profissionais, que atua de forma anônima e preferiu não se identificar.
A maior incidência de casos ocorre em linhas mais movimentadas, como a Linha 3-Vermelha, especialmente nos horários de maior fluxo, tanto pela manhã quanto pela tarde/noite.
Os suspeitos costumam se aproximar das vítimas de forma gradual, aproveitando a lotação dos trens para encostar ou tentar registrar imagens sem consentimento.
Em uma das ocorrências, agentes identificaram um homem que perseguia uma passageira dentro do sistema. A equipe priorizou o contato com a vítima, procedimento padrão nesses casos. Ao ser abordada, a mulher relatou que havia percebido o contato físico, mas inicialmente acreditou que fosse consequência do trem cheio.
"Para a autoridade policial dar flagrante a gente precisa da vítima. E também para dar um amparo a ela, por isso que a gente corre em direção à vítima primeiro", diz Denis Lopes, operador de controle de segurança.
O suspeito, Davi Santos da Silva, foi detido em flagrante, mas foi solto dois meses e meio depois, respondendo em liberdade. A defesa disse que só vai se manifestar no processo judicial.
Durante a abordagem, agentes encontraram objetos perfurocortantes na mochila dele, o que aumentou a gravidade da ocorrência. A vítima decidiu registrar o caso na delegacia, o que permitiu o encaminhamento do agressor à Justiça.
Imagem de circuito interno mostra agressão dentro do Metrô de São Paulo.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Agressão
Em outro episódio, uma agressão física dentro de um trem mobilizou equipes de segurança. Um passageiro foi atacado após um desentendimento com um pedinte. Mesmo com o agressor identificado, ele acabou liberado porque a vítima optou por não formalizar a denúncia — o que impede o prosseguimento do caso.
De acordo com os agentes, a decisão da vítima é determinante. “Sem representação, não tem como encaminhar à delegacia”, explicou Riodo Lopes, agente de segurança do Metrô de São Paulo. Por isso, as equipes também orientam os passageiros sobre a importância de registrar ocorrência.
Além de atuar em crimes, os agentes também prestam apoio em situações de emergência, como casos de mal súbito. Passageiros que passam mal recebem atendimento inicial nas estações e, se necessário, são encaminhados a hospitais.
Especialistas e vítimas reforçam que denunciar é essencial para combater a impunidade. A professora Stephanie Minematu, que já sofreu importunação sexual no metrô, relata que reagiu ao perceber que estava sendo fotografada sem consentimento. Para ela, o silêncio só favorece os agressores. “Não dá para ficar calada, tem que falar”, afirmou.
A atuação conjunta de vigilância, agentes infiltrados e apoio às vítimas tenta reduzir os casos, mas o desafio continua. Em um ambiente de grande circulação, a prevenção depende tanto da estrutura de segurança quanto da colaboração dos passageiros em denunciar qualquer tipo de abuso.
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