Conheça a ciência invisível que está por trás de produtos do dia a dia

  • 21/08/2026
(Foto: Reprodução)
Um levantamento apresentado no Deep Tech Summit 2025 mostra que a América Latina já reúne mais de 1.400 startups deep tech, ou seja, negócios nascidos diretamente de descobertas científicas, sendo 72,3% delas concentradas no Brasil. Boa parte dessas empresas atua exatamente onde o consumidor menos espera: dentro de um creme, um tecido ou uma embalagem, sem que ninguém perceba a pesquisa por trás do produto. É esse fenômeno que Betina Zanetti, vice-presidente de Relacionamento da Acate, explica a partir da própria trajetória. Farmacêutica formada pela UFSC, com doutorado pela mesma universidade e pela Université Bordeaux, na França, e pós-doutorado em nanossegurança, ela deixou a carreira acadêmica em 2008 para fundar, ao lado do marido Ricardo Ramos, a Nanovetores. Hoje, a empresa é uma das empresas catarinenses mais conhecidas em tecnologia de encapsulação de ativos. “A ciência está presente em todos os momentos do nosso dia. Quando uma pessoa utiliza um protetor solar, um hidratante, um shampoo, um alimento com maior estabilidade, um medicamento, um smartphone ou até mesmo um tecido com propriedades especiais, existe muita pesquisa e desenvolvimento por trás desses produtos. Em Santa Catarina isso é ainda mais evidente: o estado possui um dos ecossistemas de inovação mais desenvolvidos do Brasil, reunindo universidades, centros de pesquisa e empresas altamente tecnológicas”, afirma Betina Zanetti. Segundo ela, na Nanovetores, foram desenvolvidos sistemas de encapsulação capazes de proteger ingredientes ativos sensíveis, controlar a liberação na pele e aumentar a eficácia. Com isso, os cremes podem ser mais eficazes e é possível reduzir cabelos brancos de forma natural e tecnológica. Uma empresa catarinense com sócia global A trajetória da própria Nanovetores ilustra o argumento de Betina. Incubada no Sapiens Parque, em Florianópolis, a empresa cresceu a partir de tecnologia desenvolvida no doutorado da fundadora e hoje exporta para 46 países, nos cinco continentes. Em 2022, a companhia passou a ter como sócia a Givaudan, multinacional suíça líder global em fragrâncias e ingredientes cosméticos, que adquiriu 48% do negócio para ampliar a área de active beauty. Para Betina, essa competência não é exclusividade catarinense: o Brasil já desenvolveu tecnologias reconhecidas internacionalmente em áreas como a encapsulação de ativos, hoje presentes em produtos vendidos em diferentes continentes. “O Brasil possui uma produção científica muito mais relevante do que normalmente se imagina. Temos avanços importantes na agricultura, em vacinas, biotecnologia, novos materiais, bioinsumos e nanotecnologia. Na área em que atuamos, o Brasil desenvolveu competências reconhecidas internacionalmente em encapsulação de ativos naturais e sintéticos. Hoje as tecnologias que desenvolvemos estão presentes em cosméticos comercializados em diversos continentes, aumentando a estabilidade de vitaminas, antioxidantes, fragrâncias e outros ingredientes ativos”, diz Betina. A nanotecnologia é um dos pilares desse trabalho, segundo Betina, porque permite controlar materiais em escalas extremamente pequenas, o que amplia o desempenho de produtos que já fazem parte da rotina das pessoas. Por que a ciência ainda parece distante da população Apesar desses avanços, Betina reconhece que existe uma distância entre o que é produzido nos laboratórios e nas empresas catarinenses e o que a população entende sobre ciência. Segundo ela, a ciência costuma ser comunicada em linguagem técnica, voltada para pesquisadores, enquanto as pessoas têm dificuldade para entender como as descobertas mudam vidas. “Precisamos aproximar esses dois mundos: a pesquisa só alcança seu verdadeiro potencial quando chega à sociedade por meio de produtos, serviços e soluções concretas. As empresas com base científica, chamadas de deeptechs, desempenham um papel fundamental nesse processo, pois transformam conhecimento científico em inovação aplicada, “afirma Betina. O movimento das deeptechs citado por Betina já aparece em dados nacionais. Uma das iniciativas é o programa Catalisa ICT, do Sebrae, que acelerou 150 dessas empresas no primeiro ciclo e hoje apoia outros 316 planos de inovação para que se transformem em negócios formais. Como atrair mais jovens para a ciência Betina também vê na formação de novos talentos um dos principais desafios do setor, e defende que os jovens percebam a ciência para além dos laboratórios acadêmicos. Esse caminho, inclusive, foi percebido pela própria profissional, quando ela optou por trocar a carreira de pesquisadora pela de empreendedora. “O primeiro passo é mostrar que ciência não acontece apenas dentro dos laboratórios das universidades: ela está presente nas empresas, nas startups, nas indústrias e nos desafios reais da sociedade. Os jovens precisam enxergar que é possível construir uma carreira internacional desenvolvendo pesquisa e tecnologia no Brasil”, finaliza. Para acompanhar todas as matérias da série Riquezas da Inovação, acesse o canal do projeto no g1.

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/especial-publicitario/riquezas-da-inovacao/noticia/2026/08/21/conheca-a-ciencia-invisivel-que-esta-por-tras-de-produtos-do-dia-a-dia.ghtml


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