De doméstica a tenente da PM: mulher relembra trajetória até ser aprovada em concurso público

  • 25/07/2026
(Foto: Reprodução)
Desafios e direitos: conheça histórias de pessoas que atuaram no trabalho doméstico A trajetória da militar Lusinete Bispo Araújo, de 50 anos, é marcada pela superação. Natural de Almas, no sudeste do Tocantins, ela trabalhou como empregada doméstica, enfrentou mudanças de estado, exerceu trabalhos braçais e assumiu, ainda na infância, a responsabilidade de ajudar nas despesas da família. Anos depois, conquistou a aprovação no concurso público da Polícia Militar do Tocantins e hoje ocupa o posto de 1ª tenente da corporação. Lusinete começou a trabalhar aos 12 anos como babá. Filha mais velha de sete irmãos e de pais separados, ela contou que precisou ajudar a mãe nas despesas da família desde cedo. "Comecei como babá e depois fui para a o serviço de doméstica. Como sou a filha mais velha de uma prole de sete irmãos, tinha que ajudar minha mãe de alguma forma. Essa situação acabou me impulsionando a sair daquele ponto e partir para um ainda mais longe”, recordou. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Aos 17 anos, Lusinete se mudou sozinha para Brasília, onde trabalhou como empregada doméstica por mais seis anos. Durante o dia, enfrentava a rotina exaustiva da limpeza e, à noite, se dedicava aos estudos para concluir o ensino fundamental e médio. Ao retornar para o Tocantins, ela enfrentou uma rotina intensa e solitária de preparação. Morando em Palmas, frequentava cursinhos aos finais de semana, estudava sozinha à noite e aproveitava cada momento de descanso do trabalho doméstico para intensificar as leituras. LEIA TAMBÉM: Guia coloca mão no estômago de pirarara para retirar anzol e salvar peixe no TO: 'Tinha engolido', afirma Palmas começa a testar equipamentos de segurança com câmeras 360º e reconhecimento facial Apostador de Araguaína fatura mais de R$ 200 mil na Lotofácil Lusinete Bispo Araújo trabalhou como doméstica por mais de uma década antes de ingressar na corporação Reprodução/Arquivo pessoal de Lusinete Bispo "Decidi que precisaria passar em um concurso público para garantir minha estabilidade. Fiz um cursinho nos finais de semana e estudava sozinha em casa. Estudava à noite e, nos finais de semana, na folga do trabalho, intensificava os estudos", contou Lusinete. A recompensa veio em 2001, quando, após quase uma década em trabalhos domésticos, Lusinete foi aprovada no concurso da Polícia Militar aos 26 anos. "Sempre busquei algo melhor porque não queria ficar nesse trabalho o tempo todo", explicou. Após 25 anos de dedicação à segurança pública no Tocantins, a história de Lusinete ganhou um novo capítulo. No dia 21 de abril deste ano, ela conquistou o posto de oficial da corporação. Atualmente, serve como 1ª tenente da PM, cargo que reflete sua evolução dentro da estrutura militar. "Trabalhei como doméstica por muitos anos da minha vida e só deixei essa profissão depois que ingressei no concurso da Polícia Militar, corporação na qual hoje sirvo. Atualmente, sou 1ª tenente", contou, cheia de orgulho pela conquista. Lusinete hoje é tenente da PM no Tocantins Reprodução/TV Anhanguera Mobilidade social O caminho de Lusinete reflete uma realidade histórica e social do Brasil. Segundo a socióloga Solange Nascimento, em entrevista à TV Anhanguera, a estrutura do trabalho doméstico no país ainda guarda raízes do período escravagista. "As mulheres negras eram aquelas que trabalhavam nas casas, que faziam todo esse processo de socialização das crianças e do cuidado da casa, e isso se reproduz até hoje. Atualmente, nós temos políticas públicas de acesso e permanência nas universidades para mulheres negras, indígenas e quilombolas, e essas políticas possibilitam que haja uma mobilidade social", explicou Solange. A socióloga destacou que mecanismos como as cotas no serviço público e as políticas de permanência nas universidades têm possibilitado a mobilidade social de mulheres negras e indígenas no Brasil. "Nós também temos as vagas destinadas às cotas no serviço público. Então, existem canais que têm sido criados para possibilitar que haja uma mobilidade social", concluiu a especialista. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

FONTE: https://g1.globo.com/to/tocantins/noticia/2026/07/25/de-domestica-a-tenente-da-pm-mulher-relembra-trajetoria-ate-ser-aprovada-em-concurso-publico.ghtml


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