De patrimônio cultural a festa esquecida: Sorocaba completa 7 anos sem desfiles de carnaval

  • 14/02/2026
(Foto: Reprodução)
De patrimônio cultural a festa esquecida: Sorocaba chega a 7 anos sem desfiles de carnaval Sorocaba (SP) completa, no carnaval de 2026, o sétimo ano sem o desfile das escolas de samba da cidade. O evento, que reunia milhares de pessoas e parava o trânsito (literalmente), agora é só memória. Até 2019, a exemplo, de forma proporcional, evidentemente, do que acontece no Anhembi, em São Paulo, e na Sapucaí, no Rio de Janeiro, foliões preparavam fantasias, empurravam carros alegóricos na concentração, sambavam para uma multidão, descansavam na dispersão e, no dia seguinte à apresentação, sofriam na apuração. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Escola de samba Estrela da Vila foi a campeã do carnaval em Sorocaba Eduardo Ribeiro Jr./G1 No Facebook, um retrato do que Sorocaba já foi quando o assunto são desfiles de escolas de samba: um post de 2019 da Estrela da Vila, um dos símbolos da cultura carnavalesca na cidade, convidando agremiados e a população para um ensaio da escola no que foi o último ano de apresentação. Época de ouro Os desfiles de escolas de samba de Sorocaba tiveram muitos momentos memoráveis. Na última fase, até 2019, a cidade contou com eventos em mais de um local. Em 2014, as apresentações tiveram a participação de pelo menos 3.900 pessoas, de nove escolas de samba da cidade: Império do Parque das Águas, Furiosa Real, Planeta Negro, 28 de Setembro, Carinhosa da Nova Esperança, Estrela da Vila, Unidos do Cativeiro, Gaviões da Fiel e Unidos da Zona Norte. Em 2015, no Parque das Águas, as arquibancadas da Passarela do Samba tinham capacidade para abrigar 3.240 pessoas por dia. A estrutura ainda permitia 2.640 pessoas em pé, por dia, totalizando um público de 6.130. Havia até camarote, com área para 250 pessoas por dia. Escola de samba Estrela da Vila foi a campeã do carnaval em Sorocaba Eduardo Ribeiro Jr./G1 Já em 2016, a apresentação seria no bairro Ipanema das Pedras, na zona oeste de Sorocaba, mas foi cancelada porque o local não tinha AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Algumas escolas se apresentaram em Votorantim. No ano seguinte, em 2017, as escolas voltaram para o Parque das Águas. Em 2018, o desfile aconteceu na Avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes. Em 2019, o número de escolas que desfilaram subiu para 11, também na Avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes. À época, membros da Secretaria de Cultura falavam com empolgação sobre o empenho e as possibilidades para que a cidade também fosse referência nesse tipo de apresentação no carnaval, ao menos no interior do estado. Mal sabiam que seria o último evento do tipo. Nostalgia e memórias Angela Fiorenzo é uma das referências de Sorocaba quando o assunto é carnaval. Saudosista, ela, que já foi porta-bandeira e destaque de escola, lamenta a situação atual da cidade. "O carnaval de rua em Sorocaba vivia. Morreu. Vieram os blocos que retomaram a festa que movimentava um grande número de foliões", recorda. "Um tempo depois, veio o carnaval de rua com o nome Movimento Unidos do Samba, graças ao esforço, determinação e paixão de pessoas que levaram às ruas as escolas que não eram mais escolas, representadas pelas porta-bandeiras e mestres-sala orgulhosamente e com emoção mostrando os pavilhões com as evoluções que encantam. Infelizmente, isso tudo é passado. Alguns não desistiram e tentam a todo custo sobreviver, o que merece aplausos", comenta Angela, também uma das fundadoras do bloco Boca a Boca. Outra referência do carnaval de rua de Sorocaba é Mazé Lima. Além de estar envolvida em vários projetos e instituições, como secretária de cidadania, ela também já foi presidente da Escola 28 de Setembro, a mais antiga da cidade. Mazé critica a situação atual das escolas de samba e da cultura local. "Em questão de cultura tenho vergonha da Secretaria de Cultura de Sorocaba. O certo hoje era extinguir essa secretaria e passar o dinheiro pra educação, que também está falida na cidade." Indústria do turismo Escola de samba Estrela da Vila foi a campeã do carnaval em Sorocaba Eduardo Ribeiro Jr./G1 Sergio Monteiro, presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), tem mais de um motivo para lamentar a falta do evento em Sorocaba. "Em primeiro lugar é o mais importante movimento cultural, pois é uma festa que faz parte do Brasil, 100% nacional, é da nossa raiz. São maneiras de manifestação e expressão da nossa identidade, onde na diversão falamos de todos os temas, assuntos e sentimentos", diz. "Em segundo, a economia, pois reúne vários setores desde a preparação de fantasias, instrumentos musicais, estruturas até chegar ao grande momento onde as pessoas vão para as ruas brincar e extravasar na alegria, também na parte de hospedagem e alimentação e bebida. É uma das maiores indústrias do turismo", acrescenta. Dinheiro do carnaval na saúde? Em diversas ocasiões, desde o primeiro ano da primeira gestão, em 2021, Rodrigo Manga (Republicanos) foi claro ao dizer que a cidade não investiria dinheiro público em carnaval. Em 2021, ele afirmou em vídeo que o dinheiro seria investido para melhorar a saúde da população, incluindo a construção de um hospital municipal, na zona norte da cidade. Vale lembrar que é justamente na saúde que a Polícia Federal investiga contratos com suspeita de corrupção em Sorocaba. O prefeito é um dos investigados e o hospital municipal, após quatro anos, ainda não saiu do papel. Nem lei impediu ostracismo Apesar de ignorar o desfile das escolas de samba, a cidade tem uma lei na qual os desfiles são considerados Patrimônio Cultural Imaterial do município, conforme a Lei 12.378, de 29 de setembro de 2021. A iniciativa foi do vereador Fernando Dini (Progressistas). Segundo a justificativa do projeto, ironicamente, o objetivo é preservar e valorizar uma manifestação cultural que existe há mais de 80 anos na cidade. "Faz parte do dia a dia de um significativo número de pessoas e que se legitima por interagir com a sociedade não só através de seus aspectos culturais, mas também pelos aspectos sociais, turísticos, educacionais e econômicos", diz o texto. LEIA TAMBÉM Jantar termina em morte e três feridos após ataque com faca no interior de SP Adolescente internado por suspeita de abuso é denunciado por forçar outros internos de abrigo a reproduzir vídeos pornográficos Como interior de SP virou rota para entrada do 'Mounjaro do Paraguai' no país É preciso criar um legado Escolas de samba de Sorocaba agitam sambódromo - Gaviões da Fiel Eduardo Ribeiro Jr./G1 Com a situação, escolas de Sorocaba passaram a desfilar em outras cidades. É o caso da antiga Mocidade Independente de Sorocaba, que agora é Mocidade Independente de Sorocaba, Itu e Salto. Neste ano, conforme Marcelo Mello, presidente da escola e também da Associação Cultural de Samba de Sorocaba (Acusa), 280 pessoas desfilarão pela escola na cidade de Salto. Ele lamenta a situação de Sorocaba e critica o poder público. "O problema é que a prefeitura [de Sorocaba] não tem vontade. Desde o governo Manga a prefeitura não quer fazer o desfile. Ficou muito claro isso", comenta. A escola foi bicampeã nos dois últimos anos de apresentação da cidade. Marcelo afirma que é preciso criar um legado para as novas gerações, para que o carnaval volte a ter a importância histórica que sempre teve. "A escola de samba surge justamente pra levar carnaval e alegria para o povo pobre, o povo da rua. Nada contra, mas o povo pobre não tem condições de comprar um abadá de R$ 300. Nunca cobramos por nenhuma fantasia. O carnaval precisa acontecer", afirma. A Liga Sorocabana de Blocos e Escolas de Samba (Lisobes) não foi localizada para comentar o quadro atual das escolas de samba da cidade. O que diz a prefeitura A Secretaria de Cultura (Secult) afirmou nesta sexta-feira (13) que tem interesse na retomada dos desfiles de escolas de samba. Entretanto, informou que, para isso, é necessária organização dos grupos e parceria com a iniciativa privada, "como ocorre em desfiles maiores e de grande relevância". A pasta acrescentou que, "atualmente, devido a pendências financeiras de organizações com a Administração Municipal, e que inclusive estão judicializadas, não é possível disponibilizar verba pública". "O Poder Público considera o Carnaval uma celebração importante para a cultura brasileira, que precisa de atenção por parte da iniciativa privada para locais que não sejam os grandes centros. A Secult busca construir e reorganizar ações para a festividade com parcerias, intermediando o apoio institucional aos blocos de carnaval particulares." Público tomou conta do sambódromo em Sorocaba Carlos Dias/G1 Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/02/14/de-patrimonio-cultural-a-festa-esquecida-sorocaba-completa-7-anos-sem-desfiles-de-carnaval.ghtml


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