Delegado de Roraima é alvo do MP por usar cargo para investigar suposto roubo em loja da sogra
10/06/2026
(Foto: Reprodução) Delegado Rick Silva e Silva, titular de delegacia de Rorainópolis, no Sul de Roraima, foi preso nesta terça (14).
Reprodução/Redes sociais
O Ministério Público (MP) de Roraima denunciou o delegado da Polícia Civil, Rick da Silva e Silva, pelos crimes de abuso de autoridade, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e prevaricação. O documento foi apresentado à Justiça nesta quarta-feira (10).
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Segundo a denúncia, os crimes teriam ocorrido nos dias 24 e 25 de julho de 2025, nos municípios de Caroebe e São João da Baliza, no Sul do estado. O delegado usou o cargo ilegalmente e agiu fora da própria área de atuação para proteger o patrimônio da sogra.
O g1 procurou a defesa do delegado, mas não teve retorno até a última atualização.
De acordo com a Promotoria, Rick pediu uma viatura e um agente policial a outro delegado para conduzir o gerente da loja da sogra por um suposto desvio de mercadorias. O pedido foi negado porque não havia flagrante nem investigação oficial em andamento.
No dia seguinte (25), mesmo sem autorização, Rick foi até o comércio em Caroebe acompanhado da sogra e de outro funcionário. Ele se apresentou como delegado ao gerente do local e cobrou explicações ao dizer: "eu só quero saber dos R$ 45 mil de produtos".
A denúncia aponta que a vítima disse não saber dos objetos. Em resposta, Rick gritou e afirmou que "iria ferrar" o funcionário. Em seguida, levou o homem para a delegacia de São João da Baliza.
Na unidade policial, o denunciado mentiu aos agentes plantonistas ao dizer que o delegado titular já sabia do caso para poder registrar a ocorrência. Rick passou a xingar a vítima e ordenou que ele não se levantasse nem deixasse a delegacia.
Além disso, o delegado pegou o celular do gerente e enviou mensagens a outra pessoa se passando pela vítima para tentar conseguir informações sobre o suposto desvio de dinheiro.
Falsificação no sistema
O MP também destacou que Rick interrogou o gerente, que preferiu ficar em silêncio até a chegada de uma advogada. Para registrar o caso no sistema da polícia, Rick inseriu informações falsas e colocou o nome de outro delegado como responsável por presidir o ato.
Ao saber da situação, o delegado titular foi à unidade e constatou as irregularidades. Ele determinou o cancelamento de todos os documentos feitos por Rick e marcou uma nova data para ouvir os envolvidos.
Pedidos negados pelo MP
A defesa do delegado Rick da Silva e Silva havia pedido que a investigação ficasse em sigilo, mas o MP foi contra o pedido. A promotora Lara Von Held Cabral Fagundes argumentou no documento que "o caso investigado não contém qualquer segredo ou informação da vida privada capaz de justificar o sigilo".
Além de detalhar as infrações cometidas, o documento do Ministério Público também justifica a decisão de não oferecer um 'Acordo de Não Persecução Penal' ao delegado.
A promotora argumentou que o histórico de Rick da Silva e Silva impede a concessão da medida. O benefício poderia evitar que ele respondesse ao processo na Justiça
"O denunciado é investigado em distintos procedimentos criminais e administrativos, o que revela uma conduta criminal reiterada, bem como em razão de não ser suficiente para reprovação e prevenção do crime", diz um trecho da denúncia.
Na ação, o Ministério Público pede a condenação de Rick e a fixação de um valor mínimo de indenização pelos danos causados à vítima.
Preso em abril
Casal Edgar Silva Pereira, de 60 anos, conhecido como 'Mãozinha', e a esposa Rossana de Lima e Silva, de 49
Arquivo pessoal
Rick da Silva e Silva foi preso no dia 14 de abril, suspeito de interferir nas investigações do assassinato do casal Edgar Silva Pereira, de 60 anos, e Rossana de Lima e Silva, de 49, encontrados carbonizados dentro de um carro em dezembro de 2025.
No fim de abril, a Justiça determinou o afastamento do delegado por 180 dias. Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou que ele transformou a delegacia de Rorainópolis em um "balcão de negócios".
Segundo o Ministério Público, Rick impedia a assistência da Defensoria Pública aos presos e os direcionava para uma advogada específica, dividindo o valor dos honorários com ela. Testemunhas confirmaram o esquema e relataram cobrança de propina em dinheiro vivo. Ele também usava o cargo para coagir colegas, criar dossiês falsos e relaxar flagrantes ilegalmente.
No caso do duplo homicídio do casal, que operava um esquema de agiotagem, o juiz responsável pelo afastamento de Rick destacou que ele é investigado por sabotar a cena do crime e ocultar provas que o vinculavam como devedor de uma das vítimas.
Veja reportagem sobre Rick da Silva:
Justiça afasta delegado da Polícia Civil preso em investigação sobre morte de casal em RR
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