Doença de Chagas no Amapá: entenda como funciona a contaminação pelo barbeiro
28/03/2026
(Foto: Reprodução) Especialistas explicam a transmissão da doença de Chagas que já provocou 2 mortes no Amapá
A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) do Amapá confirmou que o Amapá vive um surto da doença de Chagas, 2 mortes confirmadas e 1 em investigação. Mais do que os números, especialistas explicam como o inseto barbeiro atua e de quais formas a contaminação pode acontecer.
A transmissão não ocorre apenas pelo consumo de açaí, mas também por outros alimentos e pelo contato com fezes do inseto infectado.
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No laboratório da Universidade Federal do Amapá (Unifap), pesquisadores mantêm uma coleção de barbeiros para estudo. É nesses insetos onde pode estar o parasita responsável pela doença.
O entomologista Raimundo Nonato Souto explica que a principal forma de transmissão na Amazônia é a oral.
"A transmissão mais evidente é a transmissão oral. Inclusive na Amazônia existe um trabalho muito interessante do professor Aldo Valente, do Instituto Evandro Chagas, que constatou que a transmissão na região é prevalentemente oral, principalmente através do açaí."
Entomologista do Amapá Raimundo Nonato Souto.
João Pantoja/Rede Amazônica
Inseto silvestre que se adapta às cidades
Segundo os pesquisadores, embora o transmissor seja um inseto típico de áreas rurais, o barbeiro pode se aproximar das cidades.
"Em áreas urbanas, ele não é um inseto comum como os mosquitos. É silvestre, mas se adapta muito bem às habitações humanas, especialmente em locais próximos a áreas de mata" , explica Raimundo Souto.
O barbeiro não transmite a doença diretamente pela picada. O risco está no contato com as fezes do inseto infectado.
"Na realidade, o veículo de transmissão é via fezes. A picada é apenas para ele se alimentar de sangue. O lugar que ele pica provoca coceira, a pessoa coça e leva as fezes para o local da picada, contaminando através dos vasos periféricos", detalha o entomologista.
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Animais silvestres como hospedeiros
Outra forma do inseto contrair o parasita, segundo os especialistas, é quando se alimentam do sangue de animais já infectados.
"Existem animais da fauna neotropical que servem de hospedeiros, como marsupiais e tatus. Uma vez infectados, permanecem assim para sempre. O barbeiro sadio se alimenta do sangue e acaba ingerindo a forma infectante" , afirma Raimundo.
A bolsista da Unifap Noemia do Carmo lembra que outros alimentos também podem ser contaminados.
"As pessoas costumam imaginar que somente o açaí é o principal alimento contaminado, mas também temos a bacaba, caldo de cana e frutas que, sem higienização correta, podem ser batidas junto com o alimento e contaminar a população", declarou.
Bolsistas da Unifap pesquisam sobre inseto que transmite a doença de chagas no Amapá
João Pantoja/Rede Amazônica
Segundo a SVS, em março foram registrados 8 casos da doença. Em 2026, já são 20 confirmações. A gerente do Centro de Informações Estratégicas, Solange Costa, reforça que a prevenção é fundamental.
"Nossa orientação é que as pessoas comprem o alimento em locais seguros, que adotem medidas higiênico-sanitárias. O branqueamento do açaí, processo que leva a polpa a altas temperaturas, é essencial para eliminar o protozoário e garantir consumo seguro", falou.
Pesquisadores da Unifap estudam o inseto barbeiro, que transmite a doença de Chagas
João Pantoja/Rede Amazônica
Pesquisadores da Unifap estudam o inseto barbeiro, que transmite a doença de Chagas
João Pantoja/Rede Amazônica
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