'Dormia sem saber que era estuprada': Gisèle Pelicot detalha ao Fantástico horror de 10 anos sendo violentada pelo marido

  • 22/02/2026
(Foto: Reprodução)
“Estou de pé, sempre de pé.” Gisèle Pelicot conta como refez sua vida depois da violência sexual A francesa Gisèle Pelicot vivia no completo anonimato no sul da França até que sua história chocou o mundo. Por uma década, ela foi dopada e estuprada sucessivamente. O mentor dos crimes era o seu próprio marido, Dominique Pelicot, que misturava sedativos na comida da esposa, convidava desconhecidos para o quarto do casal e filmava os abusos. Em dezembro de 2024, Dominique foi condenado a 20 anos de prisão — a pena máxima para estupro na França. Agora, pouco mais de um ano após a sentença, Gisèle decidiu contar sua história em detalhes para garantir que a vergonha não recaia sobre a vítima. "Esse lado sombrio, nós nunca o vimos. Eu nunca descobri, até que aprendi a fazer isso", afirmou Gisèle em entrevista ao Fantástico. O mundo de Gisèle virou ao avesso em 2 de novembro de 2020, quando foi chamada a uma delegacia. O interrogatório começou de forma estranha, com perguntas sobre a rotina do casal. Ela descreveu Dominique como um "homem atencioso" com quem vivia há 50 anos. A francesa Gisèle Pelicot foi abusada pelo marido por 10 anos Reprodução/TV Globo O delegado, que afirmou ter passado oito noites sem dormir antes de revelar o caso, apresentou fotos de uma mulher dormindo sendo abusada por desconhecidos. "O delegado me diz: 'é você', e eu respondo: 'não, não sou eu'. Coloco meus óculos pra tentar compreender e ele me pergunta: ‘a senhora conhece esse homem?’. 'Claro que não'. Nesse momento, meu cérebro já não processa mais nada. Eu me desconecto, não escuto mais nada", relatou Gisèle. Após a descoberta, o maior desafio foi comunicar a traição aos três filhos do casal. Gisèle descreveu a conversa como o momento mais violento de sua vida como mãe. "Como você diz pros seus filhos: seu pai me estuprou e me fez ser estuprada por 10 anos? Foi um golpe devastador para eles também. Eu ainda consigo ouvir minha filha gritando na sala", recordou. O marido de Gisèle foi condenado a 20 anos de prisão Reprodução/TV Globo Agressores eram 'homens comuns' e vizinhos Dominique recrutava os agressores em fóruns online. Durante dois anos e meio de investigação, a polícia chegou ao número de 80 agressores. Eram homens entre 22 e 70 anos, considerados "comuns" na região de Mazan. Gisèle contou que um deles era um vizinho que ela via com frequência: "Ele era um homem na casa dos quarenta, pai de quatro filhos. Mesmo assim, veio à minha casa e me estuprou. E eu, que não me lembrava de nada, respondia 'olá senhor' na padaria". Ao todo, 50 homens foram julgados no Tribunal de Avignon e condenados. "Trinta deles ainda estão vagando por aí, não foram presos até hoje", alertou Gisèle. Gisèle deu entrevista exclusiva ao Fantástico Reprodução/TV Globo Apagões e acidentes Durante o período em que era dopada, Gisèle sentiu que sua saúde estava falhando, mas não sabia o motivo. Ela sofria com apagões de memória e chegou a sofrer um acidente de carro. "Não lembrava o que tinha feito na véspera... Meus filhos diziam que eu estava com a voz enrolada, como se tivesse bebido". Ela procurou neurologistas e ginecologistas, mas Dominique participava de todas as consultas e minimizava os sintomas: "Tá vendo, tá tudo bem, não precisa preocupar as crianças com isso". A punição é dupla No tribunal, Gisèle escolheu abrir mão do anonimato e permitiu que as audiências fossem públicas. Ela enfrentou a hostilidade das defesas dos réus. "Diziam: você é cúmplice, consentiu. Esse comportamento das advogadas mulheres me humilhou. Para nós, vítimas, a punição é dupla: o sofrimento que passamos e a luta contra essa vergonha". Hoje, ela usa sua voz para pedir mudanças na educação e no comportamento masculino: "A sociedade precisa evoluir. Os homens precisam assumir a responsabilidade... Não devemos tolerar a dominação sobre as mulheres". Apesar do trauma, Gisèle mantém o sobrenome Pelicot para que seus netos não carreguem vergonha do nome. Ela planeja, inclusive, visitar o ex-marido na cadeia. "Preciso olhar nos olhos dele e perguntar por quê. Preciso de respostas". Questionada se ter respostas mudaria algo, ela foi enfática: "Talvez elas não mudem nada, mas é como sigo em frente com a minha vida. Dizer a ele que sou uma mulher feliz, em paz e serena. O livro é uma forma de dizer que hoje sou uma mulher livre novamente, que ama novamente, que confia novamente. E que estou de pé, sempre de pé". Ouça os podcasts do Fantástico O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/02/22/dormia-sem-saber-que-era-estuprada-gisele-pelicot-detalha-ao-fantastico-horror-de-10-anos-sendo-violentada-pelo-marido.ghtml


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