Em meio à crise no STF, desfile de 7 de Setembro tem conversas reservadas e encontros entre autoridades

  • 07/09/2026
(Foto: Reprodução)
Jorge Messias cumprimenta Davi Alcolumbre antes do desfile de 7 de Setembro Além dos recados institucionais sobre soberania nacional e combate à violência contra a mulher, o desfile de 7 de Setembro deste ano foi marcado por movimentações e conversas nos bastidores entre autoridades dos Três Poderes. A cerimônia reuniu na tribuna de honra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um momento de forte tensão política em Brasília. 🔎O desfile deste ano teve um tom mais sóbrio, seguindo uma orientação que busca evitar qualquer tipo de irregularidade em meio ao período de campanha eleitoral. 🔎Por recomendação da a Advocacia-Geral da União (AGU), o evento manteve o caráter institucional, sem elementos que possam ser interpretados como manifestação político-partidária ou como tentativa de influenciar o eleitorado, como discursos de autoridades. Antes do início do evento, na chegada à área reservada às autoridades, Fachin e Alcolumbre se cumprimentaram. Pouco depois, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) se dirigiu ao presidente do STF para recebê-lo. Enquanto aguardavam a chegada de Lula à Esplanada dos Ministérios, autoridades se dividiram em diferentes rodas de conversa na tribuna de honra. Em um dos momentos, Alckmin, Alcolumbre e Hugo Motta trocaram palavras entre si. Fachin, por sua vez, permaneceu mais reservado, sentado ao lado da esposa (leia mais abaixo). O presidente do STF também foi visto em conversa com integrantes do governo. Em determinado momento, reuniu-se com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. Autoridades na tribuna durante o desfile de 7 de Setembro Foto: Ricardo Stuckert. Interação e tensão Outro encontro que chamou atenção antes do início do desfile envolveu Jorge Messias e Davi Alcolumbre. Os dois se cumprimentaram na tribuna de honra, se abraçaram e sorriram um para o outro. Nos bastidores, interlocutores atribuem a Alcolumbre papel importante na articulação que inviabilizou a aprovação do advogado-geral da União para uma vaga no STF. Messias foi indicado pelo presidente Lula para uma vaga no Supremo, mas acabou derrotado em votação no plenário do Senado, em rejeição histórica desde 1894. Também foi observada a ausência de interação entre Jorge Messias e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em um dos momentos que antecederam a cerimônia, os dois ficaram próximos, lado a lado, na área reservada às autoridades. Não houve cumprimento. Em seguida, Andrei seguiu em outra direção. A cena ocorreu em meio à crise provocada pela divulgação de um relatório de inteligência da Polícia Federal que recomendou "monitoramento e coleta dirigida" sobre o ministro André Mendonça, relator do caso Master e INSS no STF, e sua relação com Messias. O documento afirmava que a proximidade entre os dois elevava a "percepção de risco" sobre uma eventual indicação do chefe da AGU ao Supremo, mas ressalvava ter grau de confiança "baixo" e não possuir valor probatório. Nos últimos dias, Messias passou a fazer manifestações públicas em defesa da atuação da Advocacia-Geral da União. Em uma delas, afirmou que "a função pública jamais deve se orientar por amizades, afinidades ou circunstâncias pessoais, mas pela Constituição e pelas regras da República". O advogado-geral também declarou que atua com "independência técnica, rigor jurídico e absoluta fidelidade à Constituição". A divulgação do relatório provocou reação de entidades que representam carreiras da Advocacia Pública Federal. Em nota, as associações saíram em defesa de Messias e afirmaram que divergências jurídicas da AGU não podem ser transformadas em "elemento de suspeição" sem a análise dos fundamentos técnicos das decisões do órgão. Já Alcolumbre circulou pela tribuna de honra e conversou com diferentes integrantes do Executivo e do Legislativo durante a manhã. Autoridades no desfile de 7 de setembro em 2026 Reprodução Postura protocolar Durante todo o período anterior ao início do desfile e também ao longo da cerimônia, Fachin manteve uma postura considerada mais protocolar. O presidente do STF permaneceu grande parte do tempo ao lado da esposa e participou de menos interações públicas do que outras autoridades presentes. A presença de Fachin no evento ocorre em meio a uma das mais delicadas crises recentes enfrentadas pelo Supremo. Como presidente da Corte, ele assumiu a condução institucional do caso após a divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal que envolviam ministros do tribunal. Na sexta (4), retirou do Inquérito das Fake News o pedido apresentado por Alexandre de Moraes para investigar o ministro André Mendonça e determinou que a questão passasse a tramitar em procedimento sob sua supervisão. Também abriu prazo para manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de Mendonça antes de decidir os próximos passos do caso. Em meio à escalada da crise, Fachin afirmou que os fatos revelados são graves, mas defendeu que as apurações ocorram dentro das regras constitucionais. Em discurso no Palácio do Planalto, ao lado do presidente de Lula, declarou que a resposta institucional do STF será "firme, proporcional e rigorosa" e prometeu adotar medidas para fortalecer a Corte, incluindo o encerramento do Inquérito das Fake News e a criação de um código de ética para os ministros. Nos bastidores, também sinalizou a intenção de ouvir os envolvidos e levar ao plenário do Supremo os desdobramentos da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça Após o encerramento da cerimônia, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, permaneceram por cerca de cinco minutos na tribuna de honra conversando reservadamente. Em alguns momentos, Silveira falava próximo ao ouvido de Andrei, que o ouvia de costas para o local onde a imprensa estava posicionada. Depois da conversa, o diretor da PF deixou o local por uma saída atrás da tribuna. Manifestação do público Durante o desfile, as manifestações do público também tiveram espaço. Nos intervalos das apresentações musicais, grupos posicionados próximos à tribuna de honra entoaram gritos de "fim da escala 6 por 1" e "acaba 6 por 1". Alcolumbre não reagiu às manifestações. Em outro momento, apoiadores do presidente Lula passaram a gritar "Lula, eu te amo". O presidente respondeu fazendo um coração com as mãos em direção ao público. As cenas ocorreram durante um desfile que reuniu os chefes dos Três Poderes e teve como eixos temáticos a soberania nacional, o enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. O evento acontece em meio a um ambiente de tensão institucional em Brasília, com desdobramentos políticos envolvendo o STF, a Polícia Federal, integrantes do governo e lideranças do Congresso.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/07/em-meio-a-crise-no-stf-desfile-de-7-de-setembro-tem-conversas-reservadas-e-encontros-entre-autoridades.ghtml


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