Entenda exames feitos por advogado com nanismo reprovado em concurso para delegado

  • 27/05/2026
(Foto: Reprodução)
Advogado com nanismo é reprovado novamente em concurso para delegado O advogado com nanismo, Matheus Menezes, de 25 anos, conseguiu na Justiça o direito de refazer os exames biofísicos, também chamados de Teste de Aptidão Física (TAF), após ter sido reprovado anteriormente. A nova reprovação foi divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso. Na primeira avaliação, Matheus não atingiu a marca exigida no salto de 1,65 m (entenda abaixo os exames realizados). Ao g1, o candidato afirmou que o resultado do último TAF está em análise de recurso administrativo e que não há nada definido, por isso, não irá se manifestar no momento. A defesa de Matheus, representada pelo advogado Flávio Britto, especialista em concursos públicos, afirmou que o teste foi adaptado após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas que a adaptação não ocorreu de forma "satisfatória". Agora, o advogado aguarda o resultado do recurso para poder tomar outras providências, caso seja necessário. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp O resultado preliminar, que considerou Matheus "inapto", foi divulgado no dia 15 de maio. O g1 entrou em contato com a FGV para saber mais detalhes sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. De acordo com o edital, os exames biomédicos e biofísicos são uma das etapas do concurso de caráter eliminatório. Confira em detalhes abaixo: Exames biomédicos: verificam se o candidato possui condições de saúde para exercer o cargo. Para verificar a saúde de cada candidato, são realizados exames laboratoriais e complementares, como teste ergométrico, radiografia do tórax, exames neurológicos e oftalmológicos, entre outros. Exames biofísicos: verificam se o candidato possui aptidão física compatível com a atividade policial. Esses exames, também conhecidos como TAF, exigem que o candidato realize: flexão de braço; impulsão horizontal (salto); corrida de 50 metros rasos; teste de cooper (12 minutos). No edital, a banca destacou que o cargo possui exigências físicas e operacionais típicas da atividade policial, o que ajuda a explicar a necessidade dos exames biofísicos. Matheus Menezes Reprodução/Instagram de Matheus Menezes Entenda o caso Advogado com nanismo diz que foi discriminado em teste de aptidão físic O caso ganhou ampla repercussão após o candidato denunciar ter sido vítima de discriminação nas redes sociais. Antes da prova, Matheus havia pedido adaptação no TAF e apresentou laudos médicos à FGV, que organizou o concurso, mas não foi atendido. Um vídeo mostra o momento da realização do primeiro teste (veja acima). Após ter sido reprovado inicialmente, Matheus entrou com uma ação judicial, o que fez com que a reprovação fosse anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e garantiu a ele o direito de refazer o teste, no mesmo processo seletivo. De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, a banca descumpriu o entendimento firmado pelo STF na ADI 6.476, que estabeleceu a obrigatoriedade de adaptações razoáveis em provas físicas de concursos para candidatos com deficiência. Atualmente, a participação do candidato está sub judice, quando a permanência no concurso público está pendente de uma decisão definitiva da Justiça. Denúncia Na época, Matheus contou que já havia passado pelas provas objetiva, discursiva e oral, além dos exames biomédicos. O problema ocorreu na fase de exames biofísicos, que avaliam a aptidão física dos candidatos. “Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PcD's. Nós solicitamos adaptação do teste físico à banca, apresentamos laudo médico, mas a banca simplesmente ignorou”, afirmou em entrevista ao g1. Matheus contou que foi desclassificado em uma prova que exigia um salto de 1,65 m. Antes disso, ele já havia sido aprovado nas etapas de flexões e corrida. "A Constituição e a lei garantem adaptação para pessoas com deficiência. Mesmo assim, fomos submetidos ao mesmo teste físico, o que levou à nossa eliminação de forma injusta”, disse. "Ser delegado é o maior sonho da minha vida. Não vai ser o meu tamanho que vai impedir isso. Quero essa carreira porque sempre tive vontade de trabalhar na área, investigando e combatendo o crime”, completou o candidato. Repercussão Matheus Menezes foi eliminado em prova de salto durante Teste de Aptidão Física (TAF) Reprodução/Instagram de Matheus Menezes Na ocasião, a FGV pontuou que os exames biofísicos do concurso seguiram as regras previstas no edital e que não havia previsão de adaptação da etapa às condições individuais dos candidatos. Após a repercussão do caso, a PCMG informou na época que os testes físicos estão previstos no edital e têm o objetivo de verificar se o candidato possui condições físicas compatíveis com as atividades do cargo de delegado. A instituição também afirmou que o concurso segue as regras legais e que candidatos com deficiência podem participar do certame, desde que atendam aos critérios estabelecidos. O Instituto Nacional de Nanismo realizou uma manifestação pública criticando a eliminação do candidato. Para o instituto, a aplicação de critérios físicos sem avaliação individualizada pode configurar discriminação contra pessoas com deficiência. 📱 Veja outras notícias no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/05/27/entenda-exames-feitos-por-advogado-com-nanismo-reprovado-em-concurso-para-delegado.ghtml


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