Estrela reduziu número de funcionários de 10 mil para 1,5 mil em 30 anos, indica pedido de recuperação judicial

  • 21/05/2026
(Foto: Reprodução)
Estrela reduziu número de funcionários de 10 mil para 1,5 mil em 30 anos A fabricante de brinquedos Estrela afirmou, no pedido de recuperação judicial protocolado na Justiça na terça-feira (19), que o número de funcionários da empresa caiu de cerca de 10 mil no auge operacional, vivido em meados da década de 1980, para 1,5 mil atualmente. A empresa ainda sustenta, no pedido de recuperação, que a redução do quadro de funcionários foi uma "medida extrema, porém indispensável à preservação mínima da atividade empresarial". O auge, vivido principalmente pela venda de brinquedos clássicos como Banco Imobiliário, Autorama, Falcon, Genius, Susi, Comandos em Ação e Super Massa, durou até o início dos anos 1990, quando a empresa lidou com o "primeiro marco relevante" do cenário de crise - entenda abaixo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Hoje, os 1,5 mil trabalhadores são divididos nas unidades de Itapira (SP), Três Pontas (MG) e Ribeirópolis (SE), sendo cerca de 500 apenas em Itapira, segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Instrumentos Musicais e de Brinquedos do Estado de São Paulo (Sindbrinq), Maria Auxiliadora dos Santos. Funcionária há oito anos da Estrela, Maria Auxiliadora afirmou que a companhia garantiu, tanto em reuniões com trabalhadores quanto ao próprio sindicato, que não haverá demissões. O g1 tentou contato com a fabricante para confirmar a informação, mas não conseguiu resposta. "Não vai atrasar, não vai dispensar, não vai cortar benefícios. Isso eles nos garantiram. É realmente uma crise que o setor passa e que me preocupa muito", disse. Imagem da fachada da fábrica da Estrela em Itapira (SP) Reprodução/Google Maps Está prevista uma assembleia do sindicato com os trabalhadores da fábrica de Itapira nesta sexta (22), na parte da manhã. O Grupo Estrela, que inclui oito empresas — entre elas a Manufatura de Brinquedos Estrela S.A. e a Editora Estrela Cultural —, quer negociar R$ 109,1 milhões em dívidas por meio da recuperação judicial, sendo que R$ 3,2 milhões são trabalhistas. Segundo a companhia, a medida tem como objetivo reorganizar o endividamento e preservar a continuidade das operações, além de manter empregos e geração de valor para clientes, fornecedores e acionistas. 🔎 A recuperação judicial é um mecanismo usado por empresas com dificuldades financeiras para renegociar dívidas e evitar a falência. Durante o processo, a companhia apresenta um plano de reestruturação para continuar operando, manter empregos e organizar os pagamentos aos credores. Entenda a crise Imagem de arquivo da linha de produção da fábrica da Estrela em Itapira (SP) Reprodução/EPTV Na petição, a Estrela cita que a crise da empresa é reflexo das dificuldades enfrentadas pelo setor de brinquedos. Cinco fatores foram apontados: Abertura comercial no início dos anos 1990, o que aumentou a importação de brinquedos e a concorrência com produtos asiáticos; Queda de faturamento, situação que teria forçado a empresa "a operar sob estrutura deficitária e com prejuízos acumulados"; Mudanças nos hábitos de consumo das crianças e adolescentes, impulsionadas pelas plataformas digitais e jogos eletrônicos; Concorrência desleal e contrabando de brinquedos, que, somados à competição asiática, pressionaram os preços e limitaram a capacidade de reinvestimento da companhia; Manutenção de taxas elevadas de juros no Brasil (Taxa Selic). A companhia disse que tentou medidas para superar essas dificuldades, como colaborações com outras marcas e lançamentos para colecionadores, mas foram infrutíferas. A crise do setor também foi destacada por Maria Auxiliadora. Segundo ela, no início dos anos 1990 o estado de São Paulo tinha 45 mil trabalhadores em todas as fábricas de brinquedos, o que inclui a Estrela e as concorrentes. Hoje, são 4,5 mil. "É a grande rotatividade, é brinquedo da China, é o problema com matéria-prima, é o fato de ser um setor sazonal, que contrata muito visando o Dia das Crianças e depois demite. Tudo isso leva a essa queda", explicou. A presidente do sindicato exemplificou a situação com o custo do quilo do plástico, que saltou de aproximadamente R$ 9, no início dos anos 2000, para mais de R$ 20. "Estou muito apavorada, porque o setor está muito difícil. Nunca vi empresas dispensarem trabalhadores nessa época do ano. Fui a uma empresa agora que mandou embora 30 trabalhadores. Estamos em maio, é o início da época que as indústrias começam a contratar os temporários. Infelizmente, quem trabalha com plástico passa sufoco", ponderou. Reunião com trabalhadores Imagem de arquivo da linha de produção da fábrica da Estrela em Itapira (SP) Reprodução/EPTV Maria Auxiliadora contou que a notícia de a Estrela ter entrado com pedido para recuperação judicial deixou trabalhadores apreensivos, por isso será realizada uma assembleia na sexta, em Itapira. Ainda de acordo com a presidente do sindicato, mesmo com a crise, a Estrela não tem atrasado salários ou benefícios. Há alguns casos de atrasos no pagamento de rescisões, mas pontuais. "O pessoal que ligou para mim fala que quer que eu explique o que está acontecendo, o que é a recuperação judicial, se vão demitir ou não. Então vamos lá para tranquilizar os trabalhadores e repassar aquilo que conversei com os diretores da empresa: que não vai haver demissões", afirmou. Marca ajudou a moldar o mercado brasileiro de brinquedos ESTRELA: o Genius, clássico brinquedo que fez muito sucesso nos anos 80, não cai de moda e ainda tem a versão miniatura Marta Cavallini/G1 Fundada em 1937, a fabricante de brinquedos Estrela se consolidou como uma das marcas mais conhecidas do setor no Brasil, com produtos que marcaram diferentes gerações de consumidores. A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Ao longo das décadas, ampliou sua linha de produtos e lançou brinquedos que se tornaram populares no país, como Banco Imobiliário, Autorama, Falcon, Genius, Susi, Comandos em Ação e Super Massa. Nos anos 1940, a companhia lançou o Banco Imobiliário, que se transformou em um dos jogos de tabuleiro mais conhecidos do mercado brasileiro. Em 1944, também se tornou uma das primeiras empresas do país a abrir capital na bolsa. Nas décadas seguintes, fortaleceu sua presença no setor com bonecas, brinquedos eletrônicos e carrinhos de controle remoto, acompanhando tendências do entretenimento infantil e da cultura popular. Um dos episódios mais marcantes da trajetória da empresa ocorreu no fim dos anos 1990, com o encerramento da parceria com a fabricante americana Mattel. Banco Imobiliário, um dos jogos de tabuleiro mais conhecidos do mercado brasileiro Divulgação Durante cerca de 30 anos, a Estrela produziu e vendeu a boneca Barbie no Brasil. Após o fim do acordo, a companhia relançou a boneca Susi, que estava fora do mercado havia mais de dez anos, em uma tentativa de recuperar espaço entre os consumidores brasileiros. A empresa também enfrenta há anos uma disputa judicial com a americana Hasbro. A multinacional cobra royalties relacionados à venda de cerca de 20 brinquedos no Brasil, entre eles o tradicional Banco Imobiliário. Nos últimos anos, porém, a companhia passou a enfrentar dificuldades financeiras em meio às mudanças no mercado de brinquedos, pressionado pelo avanço dos jogos digitais e pela transformação dos hábitos de consumo das crianças. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/05/21/estrela-reduziu-numero-de-funcionarios-de-10-mil-para-15-mil-em-30-anos-indica-pedido-de-recuperacao-judicial.ghtml


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