Ex-sargento que levou 37 kg de cocaína em avião da FAB é condenado pela Justiça Militar
14/07/2026
(Foto: Reprodução) Sargento Manoel Silva Rodrigues é acusado de transportar cocaína em avião da FAB
Reprodução
O ex-sargento do Exército Manoel Silva Rodrigues foi condenado a três anos de prisão, em regime aberto, por transportar 37 kg de cocaína em avião da Força Aérea Brasileira (FAB), em junho de 2019. A decisão é da Justiça Militar.
À época, Manoel foi preso em flagrante ao desembarcar na Espanha com a droga. A aeronave integrava missão oficial de apoio à comitiva presidencial brasileira. Em 2022, ele foi excluído da FAB.
Manoel foi absolvido do crime de lavagem de dinheiro. Além dos três anos de prisão, o ex-sargento deve pagar 700 dias-multa, no valor de um trigésimo do salário mínimo vigente à época. Atualmente, ele cumpre seis anos de prisão na Espanha, em regime equivalente à liberdade condicional.
No processo, a defesa argumenta que há "ausência de justa causa, sob o argumento de que a acusação se baseia em meras ilações". O g1 tenta localizar a defesa do ex-sargento.
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Decisão
O documento aponta que a estimativa de valor da droga apreendida é de 1,3 milhão de euro – equivalente a R$ 6 milhões em 2019.
Segundo as provas colhidas pelo Ministério Público Militar, Manoel e a esposa enfrentavam uma crise financeira até o início de 2019. A partir de então, "o padrão de vida do casal se alterou após a inserção do réu no grupo criminoso", de acordo com o documento.
Apesar da prisão ter ocorrido em junho, em março e abril do mesmo ano, o transporte de drogas já havia sido negociado, mas não foi concluído em nenhuma das duas ocasiões.
Na decisão, o ministro afirma que Manoel "não atuava como uma simples 'mula'".
"[O ex-sargento] conhecia os protocolos e procedimentos inerentes a esse tipo de operação e tinha plena ciência de que, em razão de sua função e da natureza da missão, sua bagagem dificilmente seria submetida a revista, circunstância que potencializava as chances de êxito da empreitada criminosa e evidenciava o aproveitamento consciente das prerrogativas inerentes ao cargo militar", declarou.
Quando à denúncia de lavagem de dinheiro contra Manoel, o ministro afirma que "a mera utilização do dinheiro obtido com o crime constitui post factum [pós-fato] impunível" já que todos os bens adquiridos foram em nome do ex-sargento ou da esposa dele.
Além do ex-sargento, três militares e três civis também respondiam ao processo. Quatro deles foram absolvidos. Entre os dois condenados está o empresário apontado como dono da droga. Ele deve cumprir 22 anos de prisão em regime fechado.
Relembre o caso
FAB expulsou sargento que transportou cocaína em voo de comitiva presidencial
A prisão do ex-sargento ocorreu quando o avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou às 14h (horário local) no aeroporto da capital da região da Andaluzia, em Sevilha.
Ele tinha 37 quilos de cocaína escondidos na bagagem.
Manoel Silva Rodrigues atuava como comissário de bordo em voos da FAB. A aeronave usada por ele costumava fazer a rota presidencial antes do avião do presidente em viagens longas – e, por isso, ficava à disposição do presidente para quando ele pousasse no destino.
Segundo a denúncia do Ministério Público Militar, Rodrigues chegou a transportar drogas usando o avião outras vezes – antes do episódio em que foi preso em flagrante.
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