Família recorre à Justiça após gastar R$ 21 mil com fórmula para bebê alérgico a leite de vaca no AC
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) pode desencadear sintomas como urticária, problemas gastrointestinais e até sinais mais graves, como choque anafilático
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Uma família de Feijó, no interior do Acre, gastou mais de R$ 21 mil em sete meses para garantir a alimentação de um bebê de 11 meses diagnosticado com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Com os gastos, os pais entraram na Justiça em novembro do ano passado para ter acesso à alimentação.
Em junho, a Justiça determinou que o Estado fornecesse o leite, contudo mesmo após a decisão judicial, os pais afirmam que o produto não tem sido entregue regularmente.
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A mãe da criança, que pediu para não ser identificada, contou ao g1 que o bebê nasceu em setembro do ano passado e que, até junho deste ano, quando a Justiça determinou o fornecimento da fórmula, a família havia comprado 69 latas do produto por conta própria.
"Foram 69 latas compradas e mais de R$ 21 mil gastos nesse período. A gente precisou se desdobrar para conseguir comprar a fórmula em Rio Branco, por cerca de R$ 305 a lata, além de pagar o frete até Feijó", relata.
Filho da influenciadora digital ViihTube sofre da mesma alergia; entenda
A Justiça determinou que o governo fornecesse imediatamente oito latas de 400 gramas por mês, de forma contínua, enquanto houver necessidade clínica, sob pena de multa diária. Segundo a família, a primeira remessa foi entregue em junho.
Ao g1, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), disse que o processo está em fase de tramitação interna entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a assessoria jurídica da pasta. Até esta quarta-feira (19), ainda não foi encaminhado o pedido à indústria farmacêutica onde a fórmula é comprada.
O bebê nasceu prematuro, com 30 semanas de gestação, e precisou ser transferido para Cruzeiro do Sul, onde permaneceu internado por quase dois meses em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.
Durante a internação, a mãe retirava leite materno com auxílio de uma bomba para alimentar o filho. Após a alta da UTI e a transferência para a sala do método canguru, a criança começou a apresentar sangue nas fezes logo após as mamadas.
"Os médicos estranharam o sangramento e fizeram vários exames para investigar possíveis infecções. Depois, a equipe concluiu que se tratava de APLV, uma condição em que o organismo reage às proteínas do leite como se fossem uma ameaça", explicou a mãe.
🔎 A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) afeta cerca de 1% dos bebês e crianças de até 2 anos. Diferentemente da intolerância à lactose, a condição é uma reação imunológica às proteínas do leite e pode causar sintomas como urticária, problemas gastrointestinais e, em casos graves, choque anafilático. O tratamento inclui a exclusão das proteínas do leite da alimentação e o uso de fórmulas especiais.
Em junho do ano passado, a influenciadora digital ViihTube revelou que o filho Ravi, de seis meses à época, passou semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) assim que nasceu devido a uma variação grave da APLV.
Bebê nasceu prematuro e foi diagnosticado com Alergia à Proteína do Leite de Vaca após apresentar sangue nas fezes
Arquivo pessoal
Alto custo levou família à Justiça
Como não pode consumir leite de vaca nem alimentos que contenham a proteína, a criança passou a utilizar uma fórmula à base de aminoácidos livres, conhecida comercialmente como Neocate.
Após receber alta da maternidade, a família retornou para Feijó e buscou ajuda para conseguir o produto por meio da rede pública de saúde. Segundo os pais, a própria equipe médica orientou que a fórmula seria indispensável para o tratamento.
"Eles sabiam que a fórmula era cara. Na maternidade ela era fornecida, mas, quando recebemos alta, tivemos que comprar. Para alimentar nosso filho, demos um jeito de conseguir o dinheiro", contou o pai.
A mãe afirma que procurou a Secretaria Municipal de Saúde, mas foi orientada a buscar o Ministério Público. O pedido foi protocolado em 23 de novembro do ano passado e, desde então, a família precisou se reorganizar financeiramente para evitar a interrupção do tratamento.
Ação do Ministério Público
Diante da dificuldade da família para arcar com os custos, o Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC), por meio da Promotoria de Justiça Cível de Feijó, ajuizou uma ação civil pública para garantir o fornecimento contínuo da fórmula.
Segundo o órgão, a criança apresenta um quadro clínico de extrema fragilidade e possui prescrição médica para consumir oito latas de 400 gramas por mês.
O tratamento custa cerca de R$ 3 mil mensais, valor que representa mais de 70% da renda líquida da família.
"Tivemos como objetivo garantir o direito à saúde e à alimentação da criança, diante da necessidade de tratamento específico e da impossibilidade financeira da família de arcar com os custos da fórmula prescrita", afirmou a promotora de Justiça substituta Giselle Luiza Silva, responsável pela ação.
Família relata novo problema
Apesar da decisão judicial favorável, os pais afirmam que o fornecimento ainda não ocorre de maneira regular.
Segundo a família, apenas a primeira remessa foi entregue em junho. A segunda já estaria atrasada há mais de 20 dias, o que obrigou os pais a voltarem a comprar a fórmula com recursos próprios.
"A segunda remessa já está atrasada há mais de 20 dias. Eles entregaram as oito latas que ele consome por mês, mas depois não mandaram mais. Voltei ao Ministério Público e me disseram que, por ser uma questão judicial, o processo demora. Então tivemos que comprar mais duas latas", disse a mãe.
A mãe também afirma que procurou o órgão responsável para obter informações sobre a próxima entrega, mas não recebeu uma previsão definitiva. Segundo ela, foi informada de que ainda seriam necessários procedimentos administrativos para a aquisição do produto.
O Ministério Público afirmou que segue acompanhando o cumprimento da medida e adotará as providências cabíveis caso persista eventual atraso no fornecimento. Mesmo com a decisão da Justiça, a família diz conviver com a incerteza sobre a continuidade do tratamento.
"É uma ajuda, porque é muito gasto. A gente se desdobra para conseguir comprar, mas não tem certeza de que vai receber a fórmula todo mês", concluiu a mãe.
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