Há 46 anos, sanfoneiro cego viaja todos os dias para tocar na mesma rua no interior de SP

  • 03/11/2026
(Foto: Reprodução)
Há 46 anos, sanfoneiro viaja todos os dias para tocar na mesma rua em Campinas Há mais de quatro décadas, o som da sanfona de Walter Baptista Junior, conhecido como Stefano, faz parte da rotina de quem passa pela Rua 13 de Maio, no Centro de Campinas (SP). Aos 53 anos, o músico com deficiência visual segue ocupando o mesmo ponto onde começou a tocar ainda criança, aos 7 anos. Entre as notas do acordeão e o movimento apressado dos pedestres, construiu uma história marcada pela música, pela persistência e pelo sonho de alcançar novos públicos. A rotina começa cedo, longe dali. Por volta das 6h, Stefano sai de casa, em Monte Mor (SP), levando a sanfona, uma caixa para receber contribuições e uma bolsa. Com o auxílio de uma bengala, faz o trajeto até Campinas para mais um dia de apresentações. Nascido na capital paulista e registrado em Campinas, o músico cego cresceu entre os sons e o movimento do comércio popular. Na infância, chegava acompanhado da mãe e, depois, das irmãs. Aos 16 anos, começou a fazer o caminho sozinho. Segundo ele, o início não foi fácil. Stefano conta que, quando era mais novo, ouvia críticas de quem passava pela rua. "Ah, eu não sabia tocar direito, fazia barulho, ainda levava carão das turmas. Quando completei 16 anos, completei o ritmo certo", lembra. Hoje, as apresentações seguem até as 14h. Entre uma melodia e outra, o músico também arranca sorrisos com uma corneta de brinquedo que costuma carregar. Ao longo dos anos, a música permaneceu, mas muita coisa mudou ao redor. Há cerca de seis anos, Stefano precisou se adaptar novamente à rotina sem a companhia das irmãs, que se casaram. Durante um período, também dividiu o ponto com o irmão, conhecido como "Branquinho", que morreu em decorrência de um câncer. Uma vida guiada pelo som da sanfona Walter Baptista Junior, de 53 anos, toca há mais de 40 anos na Rua 13 de Maio, no Centro de Campinas (SP) Bianca Garutti/g1 A relação de Stefano com a música começou com um acordeão de oito baixos, um presente do avô. Foi com o instrumento que descobriu, ainda criança, uma paixão que o acompanharia por toda a vida. Sem frequentar escolas de música, aprendeu as primeiras canções com o tio. O restante veio da prática, da curiosidade e dos ouvidos atentos. Nota por nota, desenvolveu uma técnica própria, que aperfeiçoou ao longo dos anos. "Se você tiver acordeão, você tem que pegar todo santo dia, não pode parar um dia, senão você esquece tudo de novo. Até você pegar a prática. Aí, depois que você pegou a prática, já era", explica. A habilidade não ficou restrita à sanfona. Stefano também toca teclado e gaita de ponto. No repertório, mistura músicas populares, como "Mulher Chorona", e canções religiosas, como o Hino 15. Marcas do tempo e batalha pela saúde Stefano com a sanfona que ganhou do avô Bianca Garutti/g1 São mais de 40 anos no mesmo endereço, embalando o vai e vem de milhares de pessoas. Mas, apesar de fazer parte da paisagem sonora do Centro, Stefano conta que nem sempre se sente visto por quem passa. O músico diz sentir falta de reconhecimento e, sobretudo, de algo mais simples: uma conversa. "Ah, até hoje ninguém falou comigo ainda não. É difícil, sério, é difícil. Nem dá atenção, não fala nada", desabafa. A rotina também exige cuidados com a saúde. Stefano tem diabetes e cirrose hepática e precisa de acompanhamento médico regular. Por isso, reserva os fins de semana para descansar e recuperar as energias antes de voltar à rua. "Sábado e domingo é descanso. Já tô com problema de saúde. Se eu vir direto, eu vou me acabar desse jeito", conta. O dinheiro recebido durante as apresentações ajuda a pagar as despesas de casa. Mas, segundo ele, as contribuições nem sempre são suficientes para acompanhar o aumento do custo de vida. "Eu vou comprar as coisas em casa. Nem dá ainda, porque as coisas estão caras", lamenta. O sonho de estar nos palcos e no streaming Walter Baptista Junior, de 53 anos, toca há mais de 40 anos na Rua 13 de Maio, no Centro de Campinas (SP) Bianca Garutti/g1 Depois de mais de quatro décadas tocando para quem cruza a Rua 13 de Maio, Stefano ainda sonha em alcançar plateias maiores. Quer se apresentar em grandes shows e fazer com que sua música chegue a pessoas que nunca passaram pelo Centro de Campinas. Um dos maiores desejos dele é disponibilizar as próprias composições nas plataformas de streaming. A dificuldade, segundo ele, está em descobrir como transformar esse sonho em realidade. "Eu queria me publicar mais no Spotify mesmo, né? Que lá todo mundo ouve. Não sei como faz. Se alguém fizesse para mim, eu agradeceria muito essa pessoa", conta. *Estagiária sob supervisão de Gabriella Ramos. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/11/03/ha-46-anos-sanfoneiro-cego-viaja-todos-os-dias-para-tocar-na-mesma-rua-no-interior-de-sp.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. saudade da minha vida

gustavo lima

top2
2. uai

zé neto e cristiano

top3
3. rancorosa

henrique e juliano

top4
4. eu e voce

jorge e matheus

top5
5. solteirou

luan santana

Anunciantes