Haitianos retidos em Viracopos: 10 pontos para entender o caso e o que falta esclarecer

  • 14/03/2026
(Foto: Reprodução)
Haitianos retidos em Viracopos: 97 imigrantes seguem no Aeroporto de Viracopos Passadas mais de 40 horas da chegada de um voo fretado com haitianos a Campinas (SP), 97 dos 118 migrantes do país caribenho permaneciam retidos no Aeroporto Internacional de Viracopos após a Polícia Federal (PF) identificar problemas na documentação. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 113 dos 118 passageiros abordados ainda na quinta-feira (12) apresentaram vistos de reunião familiar considerados falsos, o que levou à restrição de entrada e à análise da situação migratória de cada pessoa. O caso é acompanhado pela Justiça Federal, que quer ouvir um delegado da Polícia Federal para esclarecer as circunstâncias da retenção e os procedimentos adotados pelas autoridades. A situação também levou à abertura de investigação sobre possível esquema de imigração irregular e falsificação de documentos. Veja abaixo 10 pontos para entender o caso e o que ainda falta esclarecer. Crise no Haiti Voo fretado e fluxo migratório Dez horas no avião e sala improvisada Governo aponta uso de vistos falsos Parte do grupo permanece no aeroporto Medo de retorno ao Haiti PF investiga companhia aérea Justiça Federal quer ouvir delegado Aviatsa nega conhecimento de irregularidades O que ainda falta esclarecer Imigrantes Haitianos ficam retidos no Aeroporto de Viracopos, em Campinas Crise no Haiti O Haiti está sem governo e enfrenta uma onda de violência das gangues. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o país enfrenta, atualmente, "uma das crises humanitárias mais graves do mundo". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp A situação no país caribenho é impulsionada pela violência de gangues, instabilidade política e uma profunda crise econômica, onde há escassez de comida, medicamentos e outros produtos básicos. O país não realiza eleições desde 2016 e sofre há anos com instabilidade política e insegurança. Voo fretado e fluxo migratório Aeronave da Aviatsa com haitianos pousou no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), nesta quinta-feira (12) Arquivo pessoal O caso começou com a chegada de um voo fretado do Haiti ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), por volta de 9h de quinta-feira (12), sendo que 118 dos 120 passageiros foram impedidos de desembarcar pela Polícia Federal (PF). A companhia aérea Aviatsa afirmou que os imigrantes fariam pedido de refúgio ou proteção migratória no Brasil, e que todos estavam devidamente identificados e com passaporte válido. ✈ O voo fretado é uma operação de transporte aéreo comercial com ajuste de horário, local de partida e de destino de acordo com quem contrata o voo. Não faz parte da malha regular da companhia aérea. O voo fretado pela Aviatsa, companhia de Honduras que tem dois aviões em sua frota, foi o primeiro da empresa com o transporte de refugiados haitianos para o Brasil. A companhia está regularizada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar voos não regulares de passageiros e cargas. Segundo a PF, Viracopos integra uma rota migratória de haitianos, com fluxo de três voos fretados semanais, com cerca de 600 passageiros. Infográfico - Avião com imigrantes haitianos fica retido no Aeroporto de Viracopos, em Campinas Arte/g1 Dez horas no avião e sala improvisada Os imigrantes chegaram a ficar dez horas dentro da aeronave na quinta-feira (12). Segundo a PF, ao identificar as irregularidades, a lei e as normas internacionais de transporte aéreo indicavam que a responsabilidade de retorno dos passageiros ao local de origem era da companhia aérea. "Após a comunicação da inadmissão, os passageiros foram reembarcados na aeronave. Por volta do meio-dia, todos já se encontravam a bordo, com a porta da aeronave fechada e autorização de decolagem concedida, para retorno ao ponto de origem do voo", informou a PF, em nota na quinta. Ainda segundo a PF, a aeronave, contudo, permaneceu no pátio do aeroporto por questões operacionais relacionadas ao voo, "cuja gestão é de responsabilidade da companhia aérea e da tripulação". Por volta das 19h, os passageiros foram levados a uma sala restrita no terminal, onde parte do grupo permanece. Eles passaram a noite em cadeiras e colchões, com acesso a banheiro e refeições. Haitianos dormiram em cadeiras e colchões de sala reservada após avião ficar retido em Viracopos Imagens cedidas Governo aponta uso de vistos falsos O Ministério das Relações Exteriores informou, na sexta-feira (13), que 113 imigrantes haitianos que ficaram retidos em Viracopos portavam vistos eletrônicos falsificados, o que motivou a retenção e a verificação da situação de cada imigrante. A informação foi repassada ao Itamaraty pela Polícia Federal (PF), responsável pelo controle migratório no país. 🔎O visto de reunião familiar permite que estrangeiros se juntem a parentes no Brasil. Esse tipo de visto pode ser emitido por qualquer repartição consular brasileira no exterior, inclusive pela Embaixada do Brasil em Porto Príncipe, no Haiti. Esse documento pode ser emitido fisicamente, quando uma etiqueta é colada ao passaporte, ou eletronicamente, quando são enviados por e-mail aos requerentes depois que a documentação é averiguada. O Itamaraty destacou que os vistos falsificados apresentados não tiveram origem em nenhum órgão do Ministério das Relações Exteriores. Parte do grupo permanece no aeroporto Passadas mais de 40 horas da chegada do voo, 97 haitianos ainda permaneciam em área reservada do Aeroporto de Viracopos, aguardando a conclusão do processo de admissão no Brasil, sem previsão de liberação. Nesta sexta-feira (13), uma haitiana que estava na área reservada passou mal no aeroporto e foi resgatada pelo Samu. A mulher, cujo nome não foi divulgado, teve problemas respiratórios e foi levada ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP), segundo a advogada Isabel de Oliveira, da organização Advogados Sem Fronteiras, que apoia o grupo. A Prefeitura de Campinas confirmou que um passageiro deu entrada no hospital e está em atendimento, mas disse que não tem autorização para passar detalhes do quadro de saúde. Haitiana retida em Viracopos passa mal e é atendida pelo Samu, diz advogada Arquivo pessoal Medo de retorno ao Haiti Sadrack Joseph, de 34 anos, ao lado da mulher e do filho, após conseguir entrar oficialmente no Brasil: haitiano estava em voo retido em Viracopos, e temia retornar ao país que vive crise humanitária Gustavo Biano/EPTV Antes de conseguir o documento que assegurou a entrada da família no Brasil, o haitiano Sadrack Joseph, de 34 anos, relatou que sentiu "desespero" com a possibilidade de ter de voltar ao país que vive uma grave crise humanitária. Passado o susto, Sadrack Joseph, disse que o objetivo agora é trabalhar e reconstruir a vida. Segundo o haitiano, "ele está muito feliz de estar no Brasil, um país que ouviu falar bastante". Ele seguiu para Curitiba (PR), onde ficará sob os cuidados de Mesguet Meus, haitiano que já vive há 13 anos no Brasil. PF investiga companhia aérea A companhia aérea Aviación Tecnológica, responsável pelo voo fretado com 118 imigrantes haitianos retidos no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), será investigada pela Polícia Federal por contrabando de migrantes. A PF informou que vai apurar irregularidades relacionadas à falsificação de documentos e a organização do deslocamento irregular de imigrantes, e busca identificar os responsáveis. ⚖️ Previsto no Art. 232-A do Código Penal, o crime se configura ao promover, por qualquer meio, com o fim de obter vantagem econômica, a entrada ilegal de estrangeiro em território nacional ou de brasileiro em país estrangeiro. A pena é de 2 a 5 anos de reclusão. A Aviatsa afirmou que os imigrantes fariam pedido de refúgio ou proteção migratória no Brasil, e que todos estavam devidamente identificados e com passaporte válido. Avião com 118 imigrantes do Haiti fica retido em Viracopos Arquivo pessoal Justiça Federal quer ouvir delegado A 8ª Vara Federal de Campinas (SP) informou, em decisão expedida nesta sexta-feira (13), que vai ouvir o delegado da Polícia Federal responsável pelo controle migratório em Viracopos sobre a retenção de 118 imigrantes haitianos no aeroporto. No documento, a juíza Jamille Ferraretto determinou que advogados tenham livre acesso aos imigrantes retidos. A decisão foi proferida depois que a organização Advogados Sem Fronteiras ajuizou habeas corpus pedindo a "a imediata cessação da restrição de liberdade imposta" e autorização para que os haitianos deixem a área restrita do terminal, onde se encontram desde a noite desta quinta-feira (12). A juíza afirmou que o delegado deve ser ouvido antes que haja decisão sobre o pedido. A Justiça Federal determinou que um delegado da Polícia Federal preste esclarecimentos sobre os procedimentos adotados na retenção dos passageiros e as circunstâncias da operação. O g1 solicitou posicionamento para a Polícia Federal sobre a decisão da Justiça Federal e a reportagem será atualizada quando obtiver retorno. Aviatsa nega conhecimento de irregularidades Débora Pinter Moreira, representante jurídica da Aviatsa no Brasil, nega que a companhia tivesse conhecimento de vistos falsificados entre os passageiros, o que foi alegado pela PF para determinar, inicialmente, o reembarque e obrigação da Aviatsa de levar os haitianos ao ponto de origem. "Será investigado pela companhia se isso, de fato, pode ter ocorrido. Mas não é do nosso conhecimento porque a gente tem um rigoroso compliance. Então, que eu saiba, não houve a circulação de vistos falsos, não. É muito grave o que foi apontado", disse. A advogada que representa a Aviatsa no Brasil reforçou ainda que embora o voo fretado trouxesse ao Brasil pessoas de um país que vive uma grave crise humanitária, todos apresentaram documentação (passaporte) e compraram passagem para o transporte. O que ainda falta esclarecer Com as investigações em andamento, e a situação de pelo menos 97 haitianos ainda indefinidas, à espera da admissão pelo Brasil, algumas questões centrais sobre o caso ainda precisam ser respondidas. São elas: Quem produziu ou intermediou os vistos considerados falsos? Como a documentação passou pelas etapas anteriores ao embarque? Há atuação de redes organizadas de imigração irregular? Qual é a responsabilidade dos envolvidos no transporte dos passageiros? Houve negligência ou violação de direitos humanos no tratamento dos haitianos? Qual será o destino dos haitianos que ainda aguardam decisão sobre a entrada no Brasil? LEIA TAMBÉM Haitiano retido em Viracopos relata desespero por medo de retornar ao país em crise humanitária Haitianos apresentaram vistos de reunião familiar falsos, diz Itamaraty PF vai investigar companhia aérea por contrabando de migrantes após avião com haitianos ficar retido em Viracopos PF diz que Viracopos recebe 600 haitianos por semana; avião com 118 ficou retido por 10h Avião com 118 imigrantes do Haiti fica retido em Viracopos Arquivo pessoal VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/14/haitianos-retidos-em-viracopos-10-pontos-para-entender-o-caso-e-o-que-falta-esclarecer.ghtml


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