Homem é condenado a 35 anos de prisão por tentar matar mulher a facadas e tijoladas em Piracicaba
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Homem tenta matar esposa a facadas em Piracicaba
A Justiça condenou, a 35 anos de prisão em regime inicial fechado, o homem que tentou matar a companheira a facadas e tijoladas em dezembro de 2024 em Piracicaba (SP).
No dia 10 de dezembro, por volta das 22h30, Gustavo da Conceição Neves arrastou a vítima pelos cabelos e desferiu vários golpes com tijolo e faca dentro de uma casa no bairro Jardim Planalto.
Neves foi preso em flagrante e confessou o crime. Já a mulher foi socorrida, ficou quatro dias internada na Santa Casa da cidade e sobreviveu.
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Ao definir a pena, o juiz Matheus Romero Martins, da Vara do Júri de Piracicaba, considerou seis pontos: culpabilidade, maus antecedentes, personalidade e conduta social do acusado, além das circunstâncias e consequências do crime.
Na visão do magistrado, Neves teve a intenção de matar a mulher, o que só não ocorreu por outras circunstâncias.
"A vítima permaneceu quatro dias em internação hospitalar na Santa Casa de Piracicaba, bem como suportou sequelas físicas, que demandaram a necessidade de tratamento contínuo", destacou.
O g1 tenta localizar a defesa do homem.
Promotoria
O promotor do caso, Aluísio Antonio Maciel Neto, afirmou em nota enviada ao g1 nesta quinta-feira (20), que o caso era de extrema gravidade e que o Tribunal do Júri compreendeu “adequadamente as peculiaridades dos fatos e o contexto” em que eles ocorreram.
“A violência não começou no dia das facadas. Antes disso, já havia um histórico de agressões, ameaças e descumprimento de medidas protetivas. E ela também não terminou naquele dia: mesmo preso, o acusado voltou a intimidar a vítima por meio de cartas, tentando inclusive interferir em seus depoimentos”, disse.
Segundo o representante do Ministério Público (MP), a pena aplicada corresponde à gravidade concreta do crime.
"Mas, tem aqui também uma dimensão essencial de proteção. Ela mantém o condenado longe da vítima para que essa mulher possa continuar vivendo. Naquela noite, ela sobreviveu porque resistiu às facadas enquanto familiares e vizinhos tentavam romper o portão e o socorro chegava", acrescentou.
O promotor ainda completou: "se as grades não foram suficientes para impedir que novas intimidações chegassem até a vítima por meio de cartas, que sejam ao menos suficientes para manter o agressor distante dela. Depois de sobreviver à tentativa de feminicídio, essa mulher tem o direito de seguir sua vida sem continuar sobrevivendo, todos os dias, ao medo de que ele volte”, finalizou.
Medida protetiva
A mulher já havia tido uma medida protetiva contra o companheiro no passado, de acordo com informações da família. O homem também chegou a ficar preso por alguns anos, mas quando saiu da cadeia, o casal reatou o relacionamento.
Segundo a filha da mulher, que preferiu não ser identificada, o homem tem problemas com drogas e, geralmente, fica agressivo. A familiar contou que ouviu os gritos da mãe pedindo por socorro.
"O portão estava trancado e ele mantinha minha mãe dentro da casa. Meu tio e meu vizinho ajudaram a estourar o cadeado. Vimos minha mãe toda ensanguentada. Ele tem problemas com drogas. É muito agressivo", relatou.
Caso foi registrado no Plantão Policial de Piracicaba
Edijan Del Santo/EPTV
O crime
O caso foi registrado como violência doméstica e tentativa de feminicídio. A vítima teve diversos ferimentos pelo corpo e afundamento do crânio, segundo a equipe médica que a atendeu.
No local, os policiais militares encontraram a vítima caída no chão com ferimentos causados por faca e sangue espalhados pelo corpo.
A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada a Santa Casa de Piracicaba. Os médicos informaram que ela tinha diversos cortes pelo corpo.
O marido da vítima estava na garagem, já sem a faca, e confessou imediatamente o crime aos PMs. Ele foi preso e levado à delegacia.
Segundo a filha da vítima, o casal estava se desentendendo desde o período da tarde. Por volta das 22h, a mãe passou a gritar por socorro e ela viu que o autor estava prendendo-a em casa.
Santa Casa de Piracicaba
Júlia Heloisa Silva/g1 Piracicaba
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