Imagens aéreas mostram seca em rio da maior ilha fluvial do mundo, no TO; assista
23/10/2026
(Foto: Reprodução) Imagens mostram efeitos da estiagem em rio da Ilha do Bananal
Imagens aéreas gravadas na Ilha do Bananal mostram a dimensão da estiagem que atinge o Rio Javaés, localizado no sudoeste do Tocantins. As imagens revelam bancos de areia em trechos onde antes havia um grande volume de água. Os registros foram feitos nas proximidades de Formoso do Araguaia, perto da aldeia indígena Txuiri.
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Os registros foram feitos pelo servidor do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Eduardo Hararuwe, morador da comunidade indígena local. Em uma das gravações, Eduardo caminha de uma margem à outra do rio em trechos onde, segundo ele, a profundidade normalmente seria suficiente para cobrir completamente um adulto. Agora, nesses pontos, a água chega apenas à altura da canela.
Nesta semana, o governo do Tocantins publicou um decreto reconhecendo os impactos sociais e econômicos decorrentes da estiagem prolongada no estado. O texto prevê medidas de assistência humanitária (leia abaixo).
Segundo Eduardo Hararuwe, a situação observada no Rio Javaés é resultado da combinação de fatores climáticos globais e pressões locais sobre o bioma Cerrado. Entre os fatores apontados por ele estão a redução dos índices pluviométricos, o desmatamento, a destruição de matas ciliares e de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o assoreamento provocado por queimadas recorrentes e a captação irregular de água para projetos de irrigação e lavouras.
Registros feitos por servidores do Prevfogo mostram leito com água abaixo do joelho em trecho próximo à Ilha do Bananal
Reprodução/Arquivo pessoal de Eduardo Hararuwe
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Moradores da região relatam apreensão com a velocidade e a intensidade da redução do nível das águas. Segundo Cleber Javaé, supervisor estadual de brigadas do Prevfogo, a diminuição dos recursos hídricos afeta diretamente a rotina e a segurança alimentar das populações tradicionais que vivem ao longo do rio.
"A situação gera impactos negativos direto nos hábitos das comunidades locais, como a redução drástica de peixes, que são a base da alimentação das comunidades Javaé. Estamos sofrendo na prática os efeitos das mudanças climáticas, por isso é urgente a conscientização sobre o uso responsável dos recursos naturais", alertou o agente.
Situação de emergência no estado
O governo do Tocantins publicou um decreto reconhecendo os impactos sociais e econômicos decorrentes da estiagem prolongada. O texto prevê medidas de assistência humanitária, apoio econômico aos produtores rurais, ações de saúde pública e monitoramento ambiental.
As informações foram publicadas no Diário Oficial do Estado em 20 de outubro de 2026. O decreto considera os registros do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que apontam seca em aproximadamente 95% do território tocantinense em agosto de 2026. No mesmo período, a área afetada pela seca moderada aumentou de 33,57% para 57,44%, em comparação com julho. (Veja a nota do Governo do Tocantins mais abaixo).
Diante do desabastecimento, a Prefeitura de Paraíso do Tocantins, na região central do estado, decretou situação de emergência devido à seca extrema no Rio do Coco e ao esgotamento do reservatório da Barragem do Coco. A situação levou à implantação de rodízio no fornecimento de água, prejudicou o comércio e provocou a suspensão ou redução das aulas em sete escolas do município.
Publicado no Diário Oficial do Município, o decreto cita um relatório da Defesa Civil Municipal que informa que o reservatório opera em volume morto.
Íntegra da nota do governo do Tocantins
O Governo do Estado informa que a medida se deve em razão da estiagem prolongada, situação comprovada pelos dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, que apontaram seca em aproximadamente 95% do território tocantinense em agosto de 2026.
O decreto atribui ao Corpo de Bombeiros Militar do Tocantins, por meio do Comando de Ações de Defesa Civil, a coordenação das ações estaduais de resposta, incluindo apoio aos municípios atingidos, assistência humanitária e abastecimento emergencial de água, em articulação com outros órgãos competentes.
Vale destacar que as chuvas registradas até o momento não representam, necessariamente, a recuperação dos níveis e das vazões dos rios e mananciais do estado. Logo, não significa uma recuperação imediata da disponibilidade hídrica.
Por fim, destaca-se que o Estado segue com o monitoramento do cenário e mantém o apoio aos municípios, em articulação com os órgãos competentes.
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