Inchaço na axila levou biomédica de 39 anos a descobrir câncer de mama no Acre: 'O chão sumiu'

  • 29/10/2026
(Foto: Reprodução)
Biomédica transforma luta contra câncer de mama em alerta para outras mulheres no AC O inchaço na axila esquerda foi o primeiro sinal de que algo não estava bem com a saúde da biomédica Eliandra Gomes, de 39 anos. Mesmo acostumada a fazer o autoexame das mamas, ela nunca havia percebido um nódulo. A alteração, que persistiu por alguns dias, levou à investigação médica. Ao g1, Eliandra compartilha que o diagnóstico de câncer de mama veio no dia 30 de maio de 2025. A notícia chegou por uma mensagem no celular, por meio do resultado de uma biópsia. Eliandra diz que tinha acabado de acordar quando leu o resultado e se deparou com uma realidade que mudaria sua vida. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp “Meu primeiro pensamento foi a morte porque, durante muito tempo, sempre associei o câncer à morte. Entrei em desespero e chorei muito. Minha mãe ouviu meu choro e também ficou desesperada, até porque já havia perdido uma irmã para essa doença”, relembrou. 🎀 O Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama foi lembrado no último dia 19, data que integra a campanha Outubro Rosa. O dia, assim como o mês, é dedicado à conscientização e prevenção à doença. Durante o período, são feitas diversas atividades com o objetivo de divulgar informações sobre a doença. Eliandra Gomes, de 39 anos, é biomédica e recebeu o diagnóstico de câncer de mama no Acre após notar um inchaço na axila esquerda Arquivo pessoal Segundo ela, aquele momento foi um dos mais difíceis que já enfrentou. “Naquele instante, senti como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos meus pés. É muito difícil receber uma notícia dessas e, em poucos segundos, perceber que sua vida pode mudar completamente”, afirmou. Mesmo diante do desafio de enfrentar a doença, em um vídeo, a biomédica relata a importância de continuar lutando e vivendo, mesmo com medo, dor e incertezas. (Assista ao vídeo acima) “Às vezes, a vida nos coloca batalhas que nunca imaginamos enfrentar e o câncer de mama foi uma delas em minha vida. Em meio ao medo, à dor e às incertezas, eu descobri que ser forte não significa não chorar, significa continuar, mesmo com os medos que vêm pela frente”, disse no vídeo. LEIA MAIS: ‘Cheguei a pedir a Deus para me levar’: mulher conclui quimioterapia e ganha surpresa após deixar hospital no Acre Mulheres que venceram o câncer são atendidas em programa de reconstrução mamária no AC: 'restaurar a autoestima' 'Resolvi transformar meu sofrimento em informação', diz jornalista do AC sobre livro que relata luta contra o câncer de mama Câncer de mama: Especialista do AC explica sinais e cuidados para identificar a doença Antes de receber o diagnóstico, Eliandra conta que já tinha o hábito de observar as próprias mamas. No entanto, não identificou nenhum caroço ou nódulo. O que chamou sua atenção, segundo ela, foi o inchaço na axila esquerda. Inicialmente, a biomédica tomou um remédio por conta própria durante cinco dias. Como a alteração permaneceu, ela decidiu fazer um exame de ultrassonografia para levar o resultado ao médico mastologista. A partir disso, começou a investigação que confirmou a doença. “Essa experiência me ensinou que nem sempre o câncer de mama apresenta um nódulo perceptível ao toque. No meu caso, o sinal que chamou minha atenção foi na axila. Por isso, é fundamental conhecer o próprio corpo, observar qualquer alteração e procurar avaliação médica, sem se automedicar”, alertou. Segundo ela, a experiência também mostrou que conhecer o próprio corpo não elimina a necessidade de acompanhamento profissional. O autoexame ajuda a perceber alterações, mas não substitui os exames de rastreamento nem a avaliação médica. Diagnóstico foi confirmado em 30 de maio de 2025 por uma mensagem de celular com o resultado de sua biópsia Arquivo pessoal Tratamento Após o diagnóstico, a biomédica começou uma jornada de tratamento que incluiu 16 sessões de quimioterapia, cirurgia para retirada da mama com preservação da pele e reconstrução com prótese, além de um segundo procedimento para retirada dos linfonodos da axila que estavam comprometidos. Na sequência, ela também passou por 15 sessões de radioterapia. De acordo com Eliandra, a possibilidade de retirar toda a mama havia sido discutida inicialmente com o mastologista. A decisão sobre a cirurgia, segundo ela, dependeria também da resposta ao tratamento quimioterápico. “Foi uma jornada de muitas dores, medos, mudanças e desafios. Mas também foi uma jornada em que descobri uma força que eu nem imaginava ter”, afirmou. Eliandra enfrentou 16 sessões de quimioterapia, mastectomia com reconstrução, retirada de linfonodos e 15 sessões de radioterapia Arquivo Pessoal A perda de todo o cabelo, o cansaço, os enjoos e os vômitos estavam entre os efeitos que ela teve que enfrentar durante o processo. A biomédica conta que precisou se afastar do trabalho e adaptar a rotina aos cuidados com a saúde. “Minha rotina mudou completamente. Precisei me afastar do trabalho porque sentia muito cansaço, enjoos e, algumas vezes, vômitos. As quimioterapias também afetaram minha imunidade, o que exigiu muitos cuidados. Passei a evitar alguns ambientes e situações por medo de contrair outras doenças durante o tratamento. Coisas que antes faziam parte da minha rotina precisaram ser deixadas de lado temporariamente”, detalhou. As mudanças, de acordo com ela, não foram apenas físicas. Eliandra também precisou lidar com as transformações no corpo, a autoestima e as limitações impostas pelo tratamento. “Além das mudanças físicas, houve as emocionais. Precisei lidar com a queda do cabelo, com as transformações no meu corpo, com a autoestima e com as limitações que o tratamento impõe. Aprendi que respeitar os limites do meu corpo também faz parte da luta. Nem todos os dias são fáceis, mas continuo seguindo em frente, um dia de cada vez”, acrescentou. Mesmo após as etapas mais intensas, o tratamento ainda não terminou. Eliandra segue sob acompanhamento médico e faz uso de medicamentos, incluindo o bloqueio hormonal. Eliandra segue sob acompanhamento médico e faz uso de medicamentos, incluindo o bloqueio hormonal Arquivo pessoal Rede de apoio Durante os momentos mais difíceis, o apoio familiar, segundo a biomédica, foi fundamental para que continuasse o tratamento. Ela relata que pensar nos pais e no desejo de permanecer ao lado deles ajudou a enfrentar as etapas mais dolorosas. “Graças a Deus, tive uma grande rede de apoio. Minha família sempre me deu muita força e foi fundamental para que eu conseguisse continuar o tratamento, mesmo nos momentos em que tudo parecia muito difícil”, afirmou. Para Eliandra, o diagnóstico também mudou a maneira como enxerga a vida. Segundo ela, os momentos simples, como tomar café da manhã com a família, estar em casa e compartilhar um abraço, passaram a ter outro significado. Durante os momentos mais difíceis, o apoio familiar, segundo a biomédica, foi fundamental para que continuasse o tratamento Arquivo pessoal “Depois, a gente muda o olhar e passa a valorizar aquilo que antes parecia pequeno. Um café da manhã, um abraço, estar em casa, compartilhar momentos simples com a família. Tudo isso ganha um significado enorme”, relatou. Eliandra também destaca a importância dos profissionais que a acompanharam durante a jornada, como a equipe de enfermagem, ao médico mastologista e às oncologistas que participaram de diferentes etapas do tratamento. Ela ressalta que o cuidado com o paciente vai além dos procedimentos e medicamentos. “Acredito que um tratamento eficaz não depende apenas dos medicamentos e dos procedimentos, mas também de uma equipe comprometida, que acolhe, orienta e trata cada paciente com humanidade. Esse cuidado faz toda a diferença para quem enfrenta uma batalha tão difícil”, destacou. Eliandra relata que pensar nos pais e no desejo de permanecer ao lado deles ajudou a enfrentar as etapas mais dolorosas Arquivo Pessoal Ao compartilhar a própria história, a biomédica diz que espera que outras mulheres reconheçam a importância de observar o corpo e procurar ajuda diante de alterações suspeitas. Ela lembra que, no caso dela, o primeiro sinal não foi um nódulo na mama, mas o inchaço na axila. Priorizar a própria saúde Além disso, Eliandra também reforça a importância de procurar atendimento diante de mudanças persistentes e não esperar o aparecimento de um caroço na mama para buscar ajuda. A biomédica também recomenda que as mulheres não adiem a procura por atendimento por medo do diagnóstico ou pela correria do cotidiano. “E, acima de tudo, não tenham medo de buscar o diagnóstico. Eu sei que receber uma notícia como essa assusta, mas descobrir a doença e iniciar o tratamento o quanto antes pode fazer toda a diferença”, disse. Para ela, compartilhar a experiência é uma forma de incentivar outras mulheres a priorizarem a própria saúde. “Cuidar de si mesma não é vaidade, é amor à vida. Não ignore os sinais do seu corpo. Você merece cuidado, atenção e a oportunidade de lutar pela sua história”, reforçou. Perda de todo o cabelo, o cansaço, os enjoos e os vômitos estavam entre os efeitos que Eliandra teve que enfrentar durante o processo de tratamento contra a doença Arquivo pessoal Papel do Unacon Eliandra faz seu tratamento na Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). A unidade atende pacientes com câncer no Acre e a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) é responsável pela gestão do local, que oferece assistência especializada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com serviços de tratamento e acompanhamento oncológico. Segundo a gestora da Unacon Nilcy Vilaço, a estrutura conta com recursos para diferentes modalidades de tratamento, como quimioterapia, radioterapia com acelerador linear e braquiterapia. Ela explica que o atendimento é organizado conforme a necessidade clínica de cada paciente e os fluxos de encaminhamento e regulação da rede pública. “Além da assistência especializada, a unidade conta com 20 leitos de emergência, destinados ao atendimento de pacientes que necessitam de avaliação e cuidados imediatos. O serviço recebe pacientes por demanda espontânea, que procuram diretamente a unidade, e pacientes regulados pela Central de Leitos, provenientes de outras unidades hospitalares e de outros serviços de saúde”, disse. Eliandra faz seu tratamento na Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia em Rio Branco Arquivo pessoal A gestora explica que a estrutura da unidade conta com tecnologias como acelerador linear para radioterapia, braquiterapia e quimioterapia, o que representa um avanço para a assistência oncológica no estado. “A unidade também realiza atendimentos e procedimentos especializados conforme a estrutura disponível e a necessidade de cada paciente. A oferta desses serviços amplia as possibilidades terapêuticas no Acre e reduz a necessidade de deslocamento dos pacientes para outros estados, permitindo que os pacientes recebam o tratamento próximo de suas famílias”, afirmou. De acordo com Nilcy, o acesso ao atendimento oncológico ocorre, em geral, a partir da rede pública de saúde. Após a avaliação inicial e a investigação diagnóstica, os pacientes podem ser encaminhados para consultas especializadas, exames e definição da conduta terapêutica. “Nos casos de emergência, a unidade recebe os pacientes por demanda espontânea e também aqueles encaminhados por outras unidades hospitalares, por meio da Central de Leitos. A assistência é organizada de acordo com a avaliação clínica, a gravidade do quadro e os protocolos aplicáveis”, detalhou. Eliandra alerta outras mulheres a observarem sinais além de nódulos mamários Arquivo pessoal Segundo ela, a estrutura busca ampliar o acesso ao tratamento no próprio estado, reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para outras regiões e favorecer a continuidade do cuidado próximo de familiares e pessoas da rede de apoio. “A integração entre os serviços de emergência e a assistência oncológica é fundamental para garantir a organização dos fluxos assistenciais e o direcionamento adequado dos pacientes, conforme a gravidade do quadro clínico e as necessidades de atendimento. Desempenha um papel estratégico no gerenciamento das solicitações, no acompanhamento das filas de espera e na organização das agendas e vagas para consultas, exames e procedimentos”, finalizou. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/10/29/inchaco-na-axila-levou-biomedica-de-39-anos-a-descobrir-cancer-de-mama-no-acre-o-chao-sumiu.ghtml


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