Laudo do IML não identifica lesões em menina de 4 anos que teria sofrido estupro no clube do Palmeiras
23/06/2026
(Foto: Reprodução) Laudo não indica abuso sexual em criança no clube do Palmeiras
Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) não identificou lesões na menina de 4 anos que teria sido estuprada no clube social do Palmeiras, na Zona Oeste de São Paulo, no ultimo dia 10. A TV Globo teve acesso ao resultado do exame nesta terça-feira (23).
O documento também não encontrou irritações ou alergias no corpo da criança. Apesar do resultado, a ausência de vestígios não descarta o abuso. Segundo a polícia, outros elementos estão sendo analisados e mais testemunhas serão ouvidas.
Uma câmera de segurança do clube flagrou a menina entrando no vestiário masculino. Pouco depois, a mãe da criança fez uma denúncia à Polícia Civil. Um sócio é investigado por estupro de vulnerável.
Segundo o boletim de ocorrência, funcionários da segurança informaram à família que as imagens do sistema de monitoramento mostram a menina acessando o local e permanecendo ali por aproximadamente 15 segundos.
Em nota, o Palmeiras afirmou que iniciou uma apuração interna, analisou imagens do sistema de monitoramento e encaminhou todo o material à Polícia Civil. Além disso, disse que o suspeito foi suspenso do clube (leia mais abaixo).
De acordo com o registro policial, a mãe contou que acompanhava os filhos no clube quando perdeu a menina de vista por alguns minutos. Pouco depois, a criança reapareceu vindo da direção dos banheiros e disse que havia estado no vestiário masculino.
O caso aconteceu na tarde de quarta-feira (10) na Rua Palestra Itália, 214, e foi registrado como estupro de vulnerável.
Reprodução
A mulher estranhou a situação porque, ao ser questionada sobre onde estava, a filha respondeu que aquilo era um "segredo". Em seguida, a mãe levou a criança para um local reservado e insistiu nas perguntas sobre o que havia acontecido.
Segundo o boletim, a mãe relatou que o homem apontado como suspeito, um sócio de 74 anos, é um frequentador antigo do clube, conhecido dela por acompanhar o neto em atividades esportivas.
Ela afirmou à polícia que ele costumava se aproximar da criança e que, naquele dia, permaneceu perto da menina oferecendo pipoca.
Já em casa, durante o banho da filha, a mulher disse ter percebido a presença de secreção na região íntima da menina, algo que considerou incomum. Ela voltou a conversar com a criança, acionou familiares e procurou a polícia.
Segundo o boletim, a criança relatou que o homem a levou ao banheiro e tocou em sua região íntima. De acordo com o documento, a menina afirmou que "o vovô colocou a mão lá".
A criança foi encaminhada para exame de corpo de delito e atendimento especializado. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a mãe prestou depoimento na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e que o caso foi encaminhado para a 9ª DDM, responsável pela área onde os fatos ocorreram.
O suspeito não foi localizado pela polícia. A defesa do homem de 74 anos apontado como suspeito afirmou que ele irá se manifestar "oportunamente nos autos" após ter "acesso integral aos elementos constantes dos procedimentos" (leia mais abaixo).
Palmeiras suspende sócio
Em nota, o Palmeiras informou que foi procurado pela mãe da criança na noite de quarta-feira e que prestou atendimento imediato à família.
Segundo o clube, a menina foi examinada por um médico do Palmeiras e um advogado da instituição acompanhou mãe e filha até a Delegacia de Defesa da Mulher para o registro da ocorrência.
Leia a nota na íntegra:
"Na noite de quarta-feira (10), uma associada procurou a administração do Palmeiras para relatar um caso de abuso sexual cometido contra sua filha, possivelmente nas dependências do clube social.
Após acolher a mãe e a criança, que foi atendida por um médico do Palmeiras, a administração designou que um dos advogados do clube as acompanhasse até a Delegacia de Defesa da Mulher para o registro da ocorrência.
Prontamente, iniciou-se um trabalho de apuração interna por meio da análise das imagens do sistema de monitoramento – inclusive, todo o material já foi separado e enviado à polícia.
Assim que foi informada sobre a ocorrência, a presidente Leila Pereira determinou a imediata suspensão de um associado suspeito de envolvimento no caso; se ficar comprovada a autoria ou participação dele neste crime abominável, ele será expulso do quadro associativo, sem prejuízo das demais medidas punitivas cabíveis.
O Palmeiras repudia veementemente qualquer forma de violência ou abuso e não medirá esforços para que os fatos sejam rapidamente esclarecidos."
O que diz a defesa do associado
Leia a nota na íntegra:
"Em razão de notícias veiculadas desde o último dia 11 a respeito de supostos fatos ocorridos no clube social do Palmeiras, a defesa informa que o associado – que terá sua identidade preservada – somente tomou conhecimento das acusações que lhe foram imputadas após a divulgação de uma nota oficial pela Sociedade Esportiva Palmeiras e da posterior repercussão do caso na imprensa.
Por meio de seus advogados, o associado nega integralmente as acusações e destaca que já requereu acesso aos procedimentos instaurados para exercer plenamente seu direito de defesa e apresentar os esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
A defesa esclarece, ainda, que os procedimentos em questão tramitam sob sigilo e ressalta que eventual divulgação indevida de informações pessoais ou de dados protegidos será objeto das medidas judiciais cabíveis.
Os advogados reafirmam sua confiança nas instituições e no regular andamento das investigações, destacando que o associado permanece à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos.
Após ter acesso integral aos elementos constantes dos procedimentos, o associado se manifestará oportunamente nos autos."