Loja de capinha de celular movimentou R$ 50 milhões do tráfico em 2 anos, diz MPRJ; dona foi presa
15/07/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira esquema que lavou mais de R$ 100 milhões do tráfico
Uma loja de capinhas de celular que tinha declarado um capital social de R$ 50 mil movimentou quase R$ 50 milhões em 2 anos — dinheiro, segundo as investigações, vindo majoritariamente das atividades criminosas do Terceiro Comando Puro (TCP).
Bárbara Luzia Souza de Carvalho, dona da Babe Shopee Cell, registrada em São Paulo, foi presa nesta quarta-feira (15) na Operação Hawala, deflagrada pela Polícia Civil do RJ e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Outras 9 pessoas foram presas, entre elas os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, apontados como responsáveis pela expansão interestadual e internacional da estrutura financeira do grupo.
Bárbara Luzia Souza de Carvalho foi presa na Operação Hawala
Reprodução
De acordo com a força-tarefa, o esquema de lavagem de dinheiro do qual Bárbara Luzia e os Zayouns faziam parte movimentou R$ 100 milhões em 3 anos. O esquema não distinguia facções e também ocultava recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo usava empresas de fachada que vendiam até produtos falsificados e eletrônicos roubados.
Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumpriram ainda 37 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu.
A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ também impôs medidas cautelares de bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de bens e de participações societárias.
O Gaeco denunciou 22 pessoas no total. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira aceitou integralmente a denúncia, tornando todos réus.
A TV Globo não conseguiu contato com a defesa dos investigados.
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Polícia Civil e MPRJ fazem operação contra esquema que lavou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas
Reprodução
Os presos
Ali Alfakih
Barbara de Oliveira Rosa
Bárbara Luzia Souza de Carvalho
Kassem Zayoun
Lucas Gabriel Vidal
Reda Zayoun
Samuel Morais da Hora
Thierry Martins Lourenço Ribeiro
Yago Jorge de Souza Daniel
Yasser Zayoun
Como foi a investigação
A investigação começou na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que descobriu uma “multimarcas” sediada no Complexo do São Carlos e vinculada à cúpula do facção Terceiro Comando Puro (TCP) que vendia itens falsificados e recebia eletrônicos roubados.
Bárbara Luzia era esposa do dono dessa multimarcas e constava como proprietária da Babe Cell. A partir de um rastreamento, a especializada encontrou uma rede de dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados e criadas para escoar o dinheiro do tráfico. O grupo também utilizava o smurfing, depósitos fracionados em espécie para burlar mecanismos de controle.
Suspeita de ligação com operador da Al-Qaeda
Os agentes também identificaram uma relação comercial entre uma empresa vinculada aos investigados e o egípcio Haytham Ahmad Shukri, investigado pelo governo dos Estados Unidos, por ligação com o grupo terrorista Al-Qaeda.
“São dados que ainda estão crus, que ainda não dá para confirmar esse vínculo”, ponderou o delegado Pedro Brasil.