Mais de um ano após mudança, prédio que sediava Centro POP segue sem uso em Rio Branco
14/07/2026
(Foto: Reprodução) Antigo prédio do Centro Pop se torna abrigo para pessoas em situação de rua
Após mais de um ano da mudança, o prédio onde funcionava o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP), no Centro de Rio Branco, segue sem uso. De acordo com denúncias obtidas pela Rede Amazônica Acre, a estrutura está deteriorada e serve de abrigo para pessoas em situação de rua que circulam pela região.
No ano passado, em maio, a prefeitura deslocou o funcionamento do órgão para um novo endereço, no Conjunto Castelo Branco. A mudança ocorreu em meio a protestos de moradores de bairros próximos ao local escolhido. (Relembre mais abaixo)
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Imagens feitas pela reportagem mostram pichações, acúmulo de entulho e paredes danificadas na antiga sede do centro. Também é possível perceber a entrada e saída de pessoas na propriedade ao longo do dia.
Prédio sem utilização acumula entulho
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Em nota, a prefeitura informou que o espaço era cedido ao município e que após a mudança o imóvel foi devolvido ao Tribunal de Justiça do Acre, proprietário da localidade.
O TJ-AC informou que sobre o imóvel, localizado ao lado do Palácio da Justiça, e diante da definição de novas necessidades institucionais, foi elaborado um projeto para a readequação do espaço, que passará a dar suporte às atividades do palácio da justiça. (Confira a íntegra da nota mais abaixo)
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"O projeto já foi analisado e aprovado pela Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), etapa necessária em razão das características do imóvel. Atualmente, o processo encontra-se em tramitação na Prefeitura de Rio Branco para obtenção das licenças e aprovações urbanísticas. Somente após a conclusão dessa fase o Poder Judiciário poderá iniciar a execução da obra", citou a resposta.
Antiga sede do Centro Pop está deteriorada em Rio Branco
Reprodução/Rede Amazônica Acre
Impasse do Centro POP
Em abril do ano passado, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (Sasdh) de Rio Branco iniciou os estudos para mudar o Centro POP, que funcionava no Centro da capital acreana, para outro endereço.
Conforme a pasta, a troca de endereço era necessária porque a estrutura do prédio não conseguia mais fazer os atendimentos, além das constantes reclamações de comerciantes sobre vandalismo e furtos na região.
A Sasdh afirmou fazer estudos para avaliar para onde o espaço deveria ser transferido. Um dos locais era a região da Baixada da Sobral. O secretário João Marcos Luz ainda citou que a mudança poderia ser feita para a região do Bosque, Floresta ou Castelo Branco.
O local foi definido e um contrato de aluguel de R$ 6,2 mil mensais foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE), porém, sem revelar o local. A mudança iniciou no mesmo dia, no Conjunto Castelo Branco.
Ainda na fase de estudos, quando a prefeitura evitava confirmar o novo endereço, os moradores da Baixada da Sobral começaram a manifestar insatisfação com a possibilidade -- que acabou se concretizando -- da chegada do Centro POP. O comerciante Afonso Gomes tem um comércio na região e achava inadequada a decisão.
No dia 16 de maio, um protesto contra a mudança de endereço fechou o trânsito na entrada de uma ladeira na Rua Bola Preta, bem próximo da nova sede do centro.
Três dias depois, os manifestantes fecharam a Rua Rio de Janeiro, no bairro Mascarenhas de Moraes, vizinho ao Castelo Branco e à Baixada. Até essa data, a prefeitura ainda não confirmava a nova localização, e afirmava avaliar possíveis imóveis.
Mesmo sob protestos e críticas, a alteração foi mantida e o Centro POP segue em novo endereço. Conforme a secretaria, o centro atende cerca de 600 pessoas por dia.
Situação de vulnerabilidade
O Acre tinha 557 pessoas vivendo em situação de rua até o mês de outubro do ano passado segundo um estudo produzido pelo programa Polos de Cidadania, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O levantamento mostra que a capital Rio Branco abriga 481 destes moradores.
Ainda segundo o estudo, tanto estado quanto capital ficam na 25ª colocação em cenário nacional quanto ao total de moradores em situação de rua, à frente de Tocantins e Amapá e suas capitais.
Esse é o maior índice atingido pelo Acre desde início do levantamento, em 2018. Naquele ano, cerca de 182 pessoas viviam na ruas. Com isso, o numero representa um aumento de 32,6%.
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