Marido denuncia suspeita de negligência médica após morte de esposa que aguardou transferência por três dias em Pronto-Socorro

  • 28/07/2026
(Foto: Reprodução)
Marido denuncia suspeita de negligência após mulher aguardar transferência em PS Uma mulher de 57 anos, portadora de um tipo raro de Parkinson, morreu após aguardar três dias no Pronto-Socorro por uma transferência para a Santa Casa de Araçatuba (SP). O marido da paciente denunciou à TV TEM a suspeita de negligência médica. Segundo Augusto Alves, sua esposa, Silvia Maria Domingues Francischini, foi levada ao Pronto-Socorro de Araçatuba na quarta-feira (22) após apresentar intensa secreção e ter dificuldade para deglutir. O diagnóstico inicial foi de pneumonia e infecção urinária. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Em entrevista à reportagem, Augusto disse suspeitar de sucessivos erros das equipes da unidade de saúde. “O primeiro absurdo, o médico me falou que o exame de laboratório havia ficado pronto, mas o de raio-x do tórax, que ele precisava, não tinha ficado pronto porque não tinha uma maca para tirar ela da cama, ali da emergência, e levar ela para o raio-x”. Silvia Maria Domingues Francischini morreu em Araçatuba (SP) Arquivo pessoal Após a realização do raio-x, o esposo diz ter sido chamado pelo médico, o qual explicou que Silvia apresentava um quadro de pneumonia leve. ““A partir desse momento ele [médico] me falou: ‘Olha, estou solicitando agora o encaminhamento dela [paciente] para a Santa Casa para fazer uma tomografia, pois lá é um centro mais avançado de suporte para ela’”, contou o esposo. Augusto Alves denuncia suspeita de negligência médica de Pronto-Socorro em Araçatuba (SP) Reprodução / TV TEM Entretanto, a transferência para a Santa Casa de Araçatuba ocorreu no domingo (26), após o esposo de Silvia procurar um advogado e conseguir uma liminar na Justiça. Durante o período em que a paciente foi assistida pelos profissionais do Pronto-Socorro, Augusto diz que o quadro da esposa piorou de maneira significativa. “Na quinta-feira (23), ela [paciente] voltou a ficar com secreção, e fizeram mais aspiração e inalação para dar mais conforto. Só que, de quinta para sexta-feira (24), às 3h, ela começou a sentir muita falta de ar. Chamei alguém da enfermagem para reportar isso, e ela viu que a saturação voltou a cair e me disse: ‘Vou conversar com o médico plantonista para ver qual procedimento agora’. Ela retornou, com outra pessoa, e disse: ‘O médico pediu para levar ela lá para a emergência novamente’, e assim foi feito”, explicou. Pronto-socorro municipal de Araçatuba (SP) Divulgação Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba, responsável pelo Pronto-Socorro, informou que a paciente foi assistida durante o período em que esteve na unidade. A Santa Casa, por sua vez, diz que não houve cancelamento do pedido de transferência. Leia a íntegra das notas abaixo. Pouco tempo depois, o esposo notou que Silvia havia parado de responder aos estímulos e permanecia estática. “Eu fui pedir informação sobre o porquê de ela ter perdido a comunicação, e não souberam me responder”, explica. Santa Casa de Araçatuba (SP) TV TEM / Felipe Nunes - Arquivo Inconformado com a situação, ele procurou o advogado e, após a expedição da liminar, Silvia foi transferida para a Santa Casa. Conforme o esposo, após chegarem ao hospital, os médicos disseram que o quadro era irreversível, e ela teve o óbito confirmado às 11h de domingo. “A liminar saiu no domingo e, por muita coincidência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou quando ela já não estava mais respirando”, conta. Augusto ainda denuncia ter recebido a informação de que, antes da determinação judicial, o pedido de transferência havia sido cancelado. “Alguém, entre quinta e sexta-feira, pediu o cancelamento de vaga para ele, para ir para a Santa Casa. É por isso que eu observava, não sei se existe uma ligação, paciente que iam chegando depois dela, e iam para a Santa Casa. E ela ficava ali”, finaliza. O que diz o Pronto-Socorro Data e horário de entrada: A paciente deu entrada no Pronto-Socorro Municipal "Aida Vanzo Dolce" em 22/07/2026, às 17h57. Solicitação de vaga no sistema CROSS, classificação de risco e reiterações: Tais informações constam de prontuário médico, protegido por sigilo profissional e pela legislação de proteção de dados pessoais sensíveis, não sendo passíveis de divulgação individualizada à imprensa. Esclarece-se, contudo, que a atribuição de gravidade observa os protocolos de regulação médica do SIRESP, considerando variáveis clínicas, sinais de risco, mecanismo do evento e potencial de deterioração do quadro, com atualização das informações em todos os plantões e em tempo oportuno diante de mudanças clínicas. Medidas assistenciais adotadas durante a espera: Protegidas por sigilo médico quanto ao seu detalhamento. Registra-se que a paciente permaneceu assistida, recebendo assistência médica, de enfermagem e farmacêutica, conforme os protocolos assistenciais vigentes, em caráter integral durante toda a sua permanência na unidade. Permanência entre 22 e 26/07 e motivo da não transferência anterior: A transferência da paciente ocorreu após a efetiva aceitação de vaga hospitalar, na Santa Casa de Misericórdia de Araçatuba. Reforça-se que o Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (SIRESP) é de responsabilidade estadual, considerando a disponibilidade de leitos nos hospitais integrantes da região do DRS II, cabendo aos serviços municipais a atualização tempestiva das informações clínicas no sistema, o que foi devidamente observado pela unidade. Influência da liminar judicial na transferência: Quando do recebimento do documento referente à determinação judicial, a paciente já se encontrava na Santa Casa de Misericórdia de Araçatuba. Apuração administrativa: Será realizada avaliação técnica criteriosa de toda a assistência prestada à paciente, abrangendo os fluxos assistenciais e regulatórios adotados pelo Pronto-Socorro Municipal preservando a transparência e reafirmando o compromisso da Administração Municipal com a qualidade do atendimento prestado à população. Qual é a posição da Santa Casa A pedido deste veículo de comunicação, a Santa Casa de Araçatuba presta os seguintes esclarecimentos acerca do atendimento da paciente inicialmente internada, em 22 de julho, no Pronto-Socorro Municipal "Aida Vanzo Dolce" e posteriormente transferida para esta instituição. Antes de expor a cronologia dos fatos, é importante registrar que a Santa Casa manifesta sua solidariedade à família, pois compreende a situação de quem aguarda uma vaga hospitalar em um momento de vulnerabilidade. Justamente por respeito à paciente, aos seus familiares e à sociedade, é necessário esclarecer os acontecimentos de forma objetiva, transparente e fiel aos registros oficiais do Sistema CROSS. A primeira solicitação de vaga em Clínica Médica foi inserida no sistema às 12h23 do dia 25 de julho, com classificação de prioridade 3, cuja previsão de resolução é de até seis horas. O pedido foi encaminhado à Santa Casa às 13h00. Ainda durante a etapa inicial da regulação, a instituição respondeu em menos de uma hora, às 12h41 na tentativa anterior e, posteriormente, às 13h41, informando de maneira expressa a impossibilidade técnica de receber a paciente em razão da superlotação da unidade. Na resposta, constava a inexistência de leitos, macas, poltronas ou qualquer outro local seguro para acomodação de novos pacientes, justificativa reiterada às 13h40, diante da manutenção do mesmo cenário assistencial. No mesmo período, o Hospital Estadual de Mirandópolis, igualmente integrante da rede regional de referência, também recusou o recebimento da paciente às 13h37, fundamentando sua decisão na superlotação da unidade. Esse dado evidencia que a indisponibilidade de vagas não era uma situação isolada da Santa Casa de Araçatuba, mas refletia uma insuficiência regional de leitos que atingia simultaneamente diferentes serviços de saúde. No decorrer da noite, a Central de Regulação do Estado assumiu a condução do caso às 19h11 e solicitou atualização do quadro clínico. Após reavaliação médica realizada às 20h01, a Santa Casa voltou a ser acionada às 20h33 e respondeu apenas sete minutos depois, às 20h40. Na ocasião, informou detalhadamente a existência de extrema superlotação, a ausência de leitos de emergência, macas, poltronas e vagas em unidade de terapia intensiva, alertando, inclusive, para o risco de desassistência caso novos pacientes fossem admitidos além da capacidade operacional da instituição. Ao mesmo tempo, orientou que o quadro clínico permanecesse constantemente atualizado e que a Central de Regulação fosse imediatamente comunicada em caso de agravamento. Às 20h45, o Hospital Estadual de Mirandópolis voltou a recusar a solicitação, desta vez sob o fundamento de inadequação da complexidade do caso. Na manhã de 26 de julho, após nova solicitação de atualização às 8h07 e reavaliação médica às 8h48, a solicitação foi novamente encaminhada, às 9h08, tanto à Santa Casa quanto ao Hospital Estadual de Mirandópolis. Este recusou o caso pela terceira vez às 9h12. A Santa Casa, por sua vez, tão logo houve a efetiva liberação de um leito, aceitou a internação às 9h46 e determinou o encaminhamento da paciente para as 11 horas. Os próprios registros do Sistema CROSS demonstram que, às 9h47, a vaga já estava confirmada e a ficha em fase de finalização, evidenciando que a transferência foi autorizada pelo fluxo ordinário da regulação estadual, antes mesmo de qualquer comunicação formal acerca de eventual decisão judicial. Os registros oficiais revelam, portanto, um dado objetivo: das seis recusas lançadas durante o processo regulatório, três foram realizadas pela Santa Casa e três pelo Hospital Estadual de Mirandópolis, todas fundamentadas em razões técnicas devidamente registradas no Sistema CROSS. A aceitação da paciente ocorreu assim que surgiu disponibilidade real de leito, observando rigorosamente o procedimento regular de regulação. Não corresponde aos fatos, portanto, a afirmação de que a instituição somente teria admitido a paciente em razão de pressão externa ou de suposta decisão judicial. Após a chegada à Santa Casa, às 11h16 do dia 26 de julho, a paciente foi imediatamente recebida na sala de emergência pela equipe médica e de enfermagem. Conforme registrados internos, tratava-se de paciente acamada e com diversas comorbidades. Diante do quadro, foram imediatamente iniciadas as medidas de suporte, monitorização contínua, hidratação venosa, coleta de exames laboratoriais, eletrocardiograma, solicitação de tomografias de crânio e tórax, além de avaliação médica permanente. Apesar de toda a assistência prestada desde sua admissão, a paciente apresentou rápida evolução desfavorável. Às 15h34 foi constatado o óbito pela médica responsável. Todo o procedimento assistencial e pós óbito foi regularmente executado pela equipe, com comunicação aos familiares, preparo do corpo e entrega dos pertences pessoais ao esposo. A Santa Casa não ignora a situação vivida pela família. Essa realidade também evidencia um problema estrutural amplamente conhecido: a insuficiência de leitos hospitalares na região, cuja solução depende de políticas públicas, investimentos e planejamento integrado entre Estado e municípios, não podendo ser atribuída, isoladamente, a um único estabelecimento de saúde. Por essa razão, embora compreenda a repercussão do caso e a legítima preocupação da família, a Santa Casa de Araçatuba reafirma, com serenidade e absoluta convicção, que atuou em estrita observância dos protocolos assistenciais e das normas que regem o Sistema CROSS. Todas as manifestações foram tempestivas, tecnicamente fundamentadas e registradas de forma transparente perante a Central de Regulação. Não houve omissão, demora injustificada ou conduta negligente por parte da instituição. Os próprios registros oficiais demonstram que todas as decisões adotadas decorreram exclusivamente da disponibilidade real de leitos e da necessidade de preservar a segurança assistencial de todos os pacientes sob seus cuidados. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2026/07/28/denuncia-suspeita-de-negligencia-medica-em-aracatuba.ghtml


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