Mortes violentas de pessoas LGBT+ recuam 12% em 2025, aponta levantamento; ONG alerta para subnotificação
18/01/2026
(Foto: Reprodução) Mortes de pessoas LGBTQIA+ recuam 12% em 2025, indica ONG
As mortes violentas de pessoas LGBT+ diminuíram 12% no Brasil em 2025, mostra levantamento feito pelo Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB). O grupo alerta para falta de informação e subnotificação quando os crimes estão ligados à comunidade.
O levantamento aponta para 257 casos noticiados ao longo do último ano entre homicídios, latrocínios, suicídios e outras causas, enquanto ocorreram 291 mortes em 2024. Os números representam uma morte de pessoa LGBTQIA+ a cada 34 horas no país.
As vítimas eram:
Gays: 156
Mulheres trans: 46
Travestis: 18
Bissexuais: 9
Lésbicas: 4
Homens trans: 3
Heterossexuais*: 3
Não informado: 16
*heterossexuais assassinados por defenderem, por terem sido confundidos com integrantes da comunidade ou por estarem acompanhados de alguma pessoa LGBT+.
Os casos retomaram ao patamar de 2023, quando também ocorreram 257 mortes.
Registro feito durante a Parada Gay de São Paulo
Estadão Conteúdo
Tipos e regiões dos crimes
Os homicídios lideram o tipo de crime cometido contra a comunidade, sendo 80% dos casos registrados, seguidos de suicídios (8%) e latrocínios (7%).
Em quase 60% dos crimes, o meio utilizado para matar não é informado, enquanto armas de fogo foram usadas em 15% das mortes e armas brancas, como facas, representam 14%.
A maior parte das mortes aconteceu na região Nordeste (66), seguido de Sudeste (48) e Centro-Oeste (33). Outros 84 crimes não tiveram região informada.
Entre os estados, São Paulo (19), Bahia (17) e Minas Gerais (17) tiveram a maior quantidade de casos.
Nas capitais, os casos ocorreram mais em São Paulo (6), Salvador (5) e em Manaus, Goiânia e Belo Horizonte (4).
ONG alega falta de informações e subnotificação
O grupo é a mais antiga organização não governamental voltada para esta causa na América Latina. O levantamento é feito há 45 anos e leva em conta notícias veiculadas na imprensa e correspondências enviadas à ONG.
Fundador do grupo e doutor em antropologia, Luiz Mott afirma que o Brasil lidera o ranking de países em morte de pessoas LGBT+, enquanto México (40) e Estados Unidos (10) aparecem em seguida. Para ele, faltam políticas voltadas para a comunidade.
"Como explicar a queda de 12%? Não é por conta de políticas públicas, infelizmente. O governo atual fala muito e defende a população LGBT, há leis que assimilaram a homofobia ao racismo, mas não há políticas específicas para proteção da comunidade", diz.
Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia e doutor em antropologia
Arquivo pessoal
"Uma explicação é que as pessoas têm ouvido as nossas informações para tomar mais cuidado, não levar desconhecidos para dentro de casa, evitar lugares de maior risco. É uma maior cautela da própria comunidade e, outro motivo, é uma variação inexplicada de ano para ano, mesmo. Crimes que não tem lógica que permitam a previsibilidade".
Segundo o GGB, há subnotificação dos casos pro conta da metodologia e "falta de sistematização estatal e de financiamento público para a pesquisa" e definem o estudo como "a ponta visível de um iceberg de ódio e sangue". Mott cobra que o governo federal também faça estudos para mapear os crimes e crie políticas públicas voltadas à comunidade.
"Mesmo com esse esforço, muitas matérias jornalísticas e registros policiais omitem informações cruciais sobre orientação sexual, identidade de gênero, cor/raça e detalhes do modus operandi dos assassinos. Tal omissão dificulta uma análise mais precisa da violência enfrentada pelos diferentes segmentos da comunidade LGBT+", afirma a ONG.