MP denuncia ex-reitor da UERR e empresários por desvio de R$ 15 milhões em contratos
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Regys Odlare Lima de Freitas, ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima.
Reprodução/CGE/Arquivo
O Ministério Público (MP) de Roraima, denunciou à Justiça o ex-reitor da Universidade Estadual de Roraima (UERR), Regys Odlare Lima de Freitas, por suspeita de liderar uma organização criminosa que desviou milhões dos cofres da instituição.
Segundo a denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o esquema teria desviado pelo menos R$ 15,1 milhões da universidade entre os anos de 2016 e 2022.
O g1 tentou contato com Regys Freitas e com Bruno Rheno Pinheiro e Silva e Shirley Ibiapino Cirqueira, da empresa Ibiapino & Pinheiro Ltda, mas não houve retorno até a última atualização da reportagem.
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O MP pede à Justiça que os envolvidos devolvam R$ 27,6 milhões (valor corrigido) aos cofres públicos, além do pagamento de uma indenização por danos morais coletivos de R$ 100 milhões destinado à UERR.
Além do ex-reitor, foram denunciados os empresários Bruno Rheno Pinheiro e Silva e Shirley Ibiapino Cirqueira, sócios da empresa Ibiapino & Pinheiro Ltda. O trio é acusado dos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), fraude em licitação e associação criminosa.
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O esquema, segundo o MP
A investigação aponta que a fraude começou em fevereiro de 2016, poucos dias após Regys Freitas assumir a reitoria da UERR. Ele autorizou a contratação emergencial da empresa Ibiapino & Pinheiro para serviços de limpeza, portaria e motorista, alegando que a antiga prestadora não cumpria obrigações.
Para o Gaeco, essa emergência foi "fabricada". A denúncia afirma que o processo foi direcionado para favorecer a empresa, que na época não tinha capacidade técnica para assumir o serviço. O contrato emergencial serviu justamente para dar à empresa o "atestado de capacidade técnica" necessário para vencer licitações maiores no futuro.
Após o contrato emergencial, a empresa venceu um pregão presencial e firmou um contrato de longo prazo com a Uerr. Entre 2017 e 2022, a Ibiapino & Pinheiro recebeu cerca de R$ 27 milhões da universidade.
Empresas "rivais" com propostas idênticas
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a montagem do processo de licitação. Para simular uma concorrência, foram apresentados orçamentos de empresas apresentadas como "rivais". Entretanto, a perícia do MP encontrou indícios claros de fraude nas supostas propostas contrárias:
Empresas diferentes apresentaram documentos com os mesmos erros de português (como "primeí" e "ualidade") e a mesma formatação.
As planilhas contidas nas propostas tinham erros matemáticos propositais para "arredondar" os valores e assim garantir que a Ibiapino ganhasse, segundo o MP.
A diferença de preço entre as concorrentes era de centavos em alguns itens, o que indica um "jogo de planilha" combinado previamente.
Relação pessoal entre reitor e empresários
A denúncia traz provas de uma relação próxima entre o ex-reitor e os donos da empresa. A quebra de sigilo bancário revelou que Regys Freitas pagou, do próprio bolso, boletos pessoais em nome da empresária Shirley Ibiapino.
Os pagamentos, realizados em agosto de 2019, somam cerca de R$ 17,4 mil e foram quitados diretamente pelo ex-reitor, o que, segundo o MP, comprova o vínculo direto entre o gestor público e a beneficiária do esquema.
O crescimento financeiro da empresa também foi destacado na acusação. Em 2016, a movimentação da Ibiapino & Pinheiro era de cerca de R$ 2,1 milhões. Em 2022, esse valor saltou para mais de R$ 200 milhões, coincidindo com o período dos contratos firmados com a UERR.
Quem é Regys Freitas
Reitor da UERR por oito anos, advogado, ex-policial civil e doutor em Direito, Regys Odlare Freitas assumiu a reitoria em 2015, ainda na gestão da ex-governadora Suely Campos (PP), e foi reeleito em 2019.
Durante sua administração, acumulou polêmicas e embates internos com professores e servidores.
Ele também é suspeito de agredir e ameaçar a ex-esposa, uma estudante de medicina. A Justiça concedeu medida protetiva que o proibiu de se aproximar da vítima.
Segundo a decisão, Regys teria feito ameaças, xingamentos e vazado conversas íntimas da ex-mulher. O ex-reitor negou as acusações e afirmou à época que a decisão se baseou “exclusivamente na palavra da mulher”.
Em janeiro de 2024, Regys foi nomeado controlador-geral do Estado de Roraima pelo governador Antonio Denarium (PP), cargo com status de secretário de Estado. Ele foi exonerado no mesmo dia em que se tornou alvo da Operação Cisne Negro, em abril do mesmo ano.
Veja reportagem sobre o ex-reitor:
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