Mulher de Lito nega privilégio para obter remédio experimental e diz que quer orientar outras famílias

  • 06/09/2026
(Foto: Reprodução)
Esposa de Lito explica procedimento para conseguir remédio experimental Reprodução Mila Seidl, esposa do influenciador Lito Sousa, negou que a autorização para importar um medicamento experimental contra a doença de Creutzfeldt-Jakob tenha sido resultado de um privilégio concedido ao marido. Ela afirmou que pretende explicar o procedimento seguido pela família para ajudar outros pacientes com doenças raras e sem alternativas de tratamento. Em vídeos publicados nas redes sociais, Mila disse que o pedido seguiu as regras previstas para o uso compassivo de medicamentos e que os contatos com a farmacêutica foram feitos pela própria família, com a participação dos médicos de Lito. “Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante. A dificuldade é que essas informações não são claras”, afirmou. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na sexta-feira (4) a importação do ALN-6457, substância experimental produzida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals. O produto não possui registro comercial nem representante legal no Brasil e ainda está em estágio pré-clínico para o tratamento de doenças priônicas, sem estudos formalmente iniciados em seres humanos. Por isso, a importação foi autorizada em caráter excepcional. O rito excepcional, porém, não significa que tenha sido criada uma regra específica para Lito. A autorização foi concedida dentro do mecanismo de uso compassivo, que permite a pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas o acesso a medicamentos ainda experimentais. Segundo Mila, ela e os médicos que acompanham o influenciador reuniram exames, documentos científicos e informações fornecidas pela farmacêutica para fundamentar o pedido. “A gente apresentou bastante documentação, estava bem robusto. Eu me preparei bastante. A gente estava bem munido com os documentos que a farmacêutica passou, com os exames, com tudo científico mesmo”, disse. O pedido de importação foi formalizado pelo Einstein Hospital Israelita, responsável pelo acompanhamento de Lito, após o influenciador ser aceito pela farmacêutica em um programa de uso compassivo. Lito Sousa posta novo vídeo após receber alta do hospital em SP Mila contou que a família inicialmente tentou incluir Lito em um estudo experimental, mas recebeu uma negativa porque não havia mais vagas disponíveis. Depois disso, passou a buscar outra forma de acesso a um possível tratamento. “A gente participou dos estudos e foi negado. Não porque ele não preenchia os requisitos, mas porque estava tudo fechado. Então, a gente seguiu para outro caminho, que é o uso compassivo do medicamento”, afirmou. Nos vídeos, Mila também rebateu publicações segundo as quais autoridades ou empresários teriam interferido para conseguir o medicamento. Ela afirmou que os contatos com a farmacêutica foram feitos pela própria família, com a participação dos médicos de Lito. “Tem gente falando que teve dedo de ministro para conseguir a medicação, que empresário rico financiou, que a Anvisa conseguiu. É a última vez que eu vou explicar: quem conseguiu a medicação fomos eu e o Lito”, disse. Segundo Mila, depois de entrar em contato com outra farmacêutica, a família participou de uma reunião e apresentou o caso de Lito. A empresa, então, permitiu o acesso à substância por meio do uso compassivo. A partir daí, ainda de acordo com ela, foram solicitadas as autorizações necessárias nos Estados Unidos e no Brasil, em um processo que envolveu a farmacêutica, o hospital, a Anvisa, o Ministério da Saúde e a agência reguladora norte-americana, a FDA. “Conseguimos por meios próprios o contato de outra farmacêutica, fizemos uma reunião com eles e, porque o caso do Lito é muito interessante, eles liberaram o uso compassivo. Aí eu fui atrás de todo o processo”, afirmou. Mila também disse que não houve uso de recursos públicos nem financiamento por terceiros até o momento. “Não tem um centavo de dinheiro público, não tem um centavo de outra pessoa nisso. Vocês não me viram abrindo vaquinha nem nada”, declarou. Lito Sousa em vídeo publicado nesta sexta (4) Reprodução Família quer explicar caminho a outros pacientes A esposa de Lito afirmou que pretende divulgar detalhes do procedimento para ajudar outras famílias que enfrentam doenças raras e buscam acesso a tratamentos experimentais. Segundo ela, embora o uso compassivo esteja previsto nas normas, as informações sobre os documentos necessários, os órgãos envolvidos e a tramitação do pedido não são facilmente encontradas. “Isso não é uma regalia nossa. É um direito de qualquer pessoa que está numa situação semelhante. A dificuldade é que essas informações não são claras. Eu tive que correr muito atrás para conseguir isso”, afirmou. Mila disse ainda que os órgãos envolvidos reconheceram a urgência do caso e aceleraram a análise. Mesmo assim, afirmou que a tramitação foi angustiante devido à rápida evolução da doença. “Mesmo esse fluxo mais rápido levou cerca de uma semana. E, em uma semana, a gente perdeu algumas coisas. Mas eu entendo que eles também têm que estar respaldados de que estão fazendo a coisa certa. Não podem simplesmente canetar, precisam analisar”, disse. Para ela, o caso pode ajudar a estimular a criação de procedimentos mais rápidos para pacientes em condições semelhantes. “Talvez isso traga luz para, a partir de agora, rever esses processos e criar fluxos um pouco mais rápidos para outras famílias”, afirmou. Medicamento ainda não foi testado em humanos O ALN-6457 permanece em estágio pré-clínico para a doença priônica. Isso significa que ainda não existem resultados de estudos em seres humanos que comprovem sua segurança ou eficácia para interromper ou retardar a evolução da enfermidade. Segundo a Anvisa, a análise do pedido levou em consideração o caráter rápido e irreversível da doença, a ausência de alternativas terapêuticas e o fato de a farmacêutica não possuir patrocinador ou representante responsável pelo produto no Brasil. Ainda não foram divulgados detalhes sobre como o medicamento será administrado nem quando o tratamento começará. Ao anunciar a autorização, Mila afirmou que a expectativa era de que o produto chegasse ao Brasil dentro de sete a nove dias. Doença rara, rápida e sem cura A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurológica rara, progressiva e, até o momento, sem tratamento aprovado capaz de reverter ou interromper sua evolução. Ela é causada pela alteração anormal de uma proteína chamada príon, que se acumula no cérebro e destrói neurônios. Conforme a doença avança, pode provocar falhas de memória, mudanças de comportamento, tremores e dificuldades de movimentação. Lito tem 59 anos e deixou o Einstein na terça-feira (1º), após mais de 20 dias de internação. Ele passou a receber cuidados paliativos em casa, acompanhado por enfermeiros e uma equipe multidisciplinar. A família ressalta que os cuidados paliativos não significam que o influenciador esteja em fase terminal. Esse tipo de assistência busca controlar sintomas, reduzir o sofrimento e preservar a qualidade de vida enquanto a procura por alternativas de tratamento continua. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil confirmou 547 casos da doença entre 2005 e 2021. A literatura reunida pela pasta indica que aproximadamente 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas, com sobrevida média de cinco meses.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/06/mulher-de-lito-nega-privilegio-para-obter-remedio-experimental-e-diz-que-quer-orientar-outras-familias.ghtml


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