Mulher procurou Conselho Tutelar para relatar comportamento do ex-marido 15 dias antes de desaparecer no RS

  • 12/02/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher procurou Conselho Tutelar para falar sobre do ex-marido antes de desaparecer A Polícia Civil afirma que Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, desaparecida há mais de duas semanas, procurou o Conselho Tutelar quinze dias antes do sumiço para relatar que o filho dela, de 9 anos, teria restrições alimentares e que o pai estaria desrespeitando suas orientações sobre a dieta da criança. Ela e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde o final de janeiro. O principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana e pai do filho dela, preso temporariamente desde a terça-feira (12) para investigação. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A criança morava com a mãe, mas passava os fins de semana na casa do pai. Pessoas próximas da mulher relatam que ela e o ex-marido não tinham uma boa relação. A polícia procura entender se essa seria uma motivação para um possível crime. "Havia essa dificuldade com relação ao filho de questões, especialmente no tocante a restrições alimentares da criança, que, segundo a Silvana, não eram observadas por ele quando ele ficava com o menino no final de semana. O Conselho Tutelar tinha um processo de análise dessa situação", afirma o delegado Anderson Spier, responsável pela investigação. Em um grupo em um aplicativo de mensagens, a mulher pediu, no dia 2 de janeiro, o contato do Conselho Tutelar. Em nota, o órgão confirma que ela esteve na unidade de Cachoeirinha no dia 9 de janeiro e relatou que o menino tem intolerância à lactose. "O pai foi até o CT em 28 de janeiro, mas por demanda livre, não por ter sido chamado pelo órgão. O motivo era saber se o filho poderia ficar com ele (isso ocorreu após os desaparecimentos)." Silvana pediu, no dia 2 de janeiro, o contato do Conselho Tutelar em um grupo Reprodução/RBS TV Após a prisão do homem, o menino foi encaminhado para a casa dos avós paternos. Na última terça-feira (10), duas conselheiras estiveram na residência dos avós para confirmar o vínculo. Na ocasião, a avó paterna apresentou um laudo alegando que o menino não sofre de intolerância à lactose. O que diz o Conselho Tutelar "A Silvana esteve no Conselho Tutelar (CT) no dia 9 de janeiro deste ano relatando que o pai não seguia algumas restrições alimentares que o filho teria – intolerância à lactose. O pai foi até o CT em 28 de janeiro, mas por demanda livre, não por ter sido chamado pelo órgão. O motivo era saber se o filho poderia ficar com ele (isso ocorreu após os desaparecimentos). Ontem (terça-feira), duas conselheiras estiveram na residência dos avós paternos para conferir o vínculo com o neto, o que, de fato, existe. A avó apresentou um laudo de que o menino não sofre de intolerância à lactose. Segundo ela, a família tem psicólogo da família do plano de saúde do pai do menino e que assinaram um termo de compromisso para procurar atendimento. Se houver algum impedimento legal pela prisão do suspeito para utilizar o plano, o CT tem autonomia para solicitar o serviço junto aos profissionais da rede de proteção municipal." O que diz a defesa Em nota, a defesa do suspeito afirma que ainda não teve acesso aos autos e à decisão judicial. "Não há como ter qualquer posição. Sei apenas o que está sendo vinculado na imprensa", disse o advogado Jeverson Barcellos. Nova perícia O Instituto-Geral de Perícias (IGP) solicitou complemento à perícia do carro de Silvana. Os peritos estiveram na residência para fazer novos exames e análise no veículo dela. Não foi encontrado sangue, mas foi coletado material genético e impressões digitais que serão analisadas. Nova perícia foi feita no carro de Silvana de Aguiar nesta quarta-feira (10) Matheus Goulart/RBS TV Quebra de sigilo telefônico levou à prisão do PM Novos elementos sobre o caso da família Aguiar, desaparecida há mais de duas semanas, foram descobertos nesta quarta-feira (11) pelo g1. Foi a partir da quebra de sigilo telefônico de Cristiano Domingues Francisco que os investigadores chegaram a elementos que indicam a possível participação do homem no crime. Assim, ele se tornou suspeito e foi decretada a prisão temporária, cumprida na terça (10). Através do aparelho, foi possível identificar uma movimentação suspeita em relação ao telefone do Cristiano e também do celular da Silvana, que teria sido encontrado nas imediações da casa dos pais e foi encaminhado para perícia, para confirmar que trata-se do celular dela. A polícia tem indícios de que o suspeito esteve próximo da família Aguiar, principalmente dos pais de Silvana, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, no dia do desaparecimento do casal — eles sumiram um dia depois da filha. Como Cristiano registrou a ocorrência, ele foi chamado para ser ouvido como testemunha. Após a prisão, ele permaneceu em silêncio durante o depoimento. "Na ocasião, a gente aproveitou e perguntou para ele onde ele estava na hora dos eventos. Ele nos relatou que estava jantando com um casal de amigos em um local em Cachoeirinha. Ele ofereceu a versão de que ele estava fazendo um trabalho em uma obra da família, mas esse local não tem como comprovar que ele estava lá", destaca o delegado Anderson Spier. A prisão temporária do suspeito tem prazo máximo de 30 dias. Em nota, a Brigada Militar informou que Cristiano será afastado do serviço policial. A investigação é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação. O que a polícia apura: Sinal de telefonia de Silvana e de Cristiano foram cruciais para que ele fosse considerado suspeito. ⁠Indício de que o suspeito esteve com a família no domingo do desaparecimento dos idosos. Chave da casa dos idosos estava com o suspeito no dia em que ele foi ouvido como testemunha. O que se sabe sobre o caso da família desaparecida no RS Entenda o caso Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde o final de janeiro. Passados mais de 15 dias, o suspeito do crime foi preso. Suspeito de envolvimento no desaparecimento de família é preso Reprodução/RBS TV A perícia encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana. O material foi coletado na quinta-feira (5). Também foram periciados dois veículos da família e a casa de Isail e Dalmira. "Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (...) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP", explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação. Conforme o delegado, sangue foi encontrado dentro do banheiro e em uma área nos fundos da residência de Silvana. Não havia sinais de luta corporal nem de montagem de cena no local. "Os peritos entenderam que o local estava íntegro. Não tinha nenhuma alteração que sugerisse alguma espécie de luta dentro da residência", complementa. A polícia ainda aguarda os resultados finais das perícias que foram feitas nas casas, no minimercado da família e em imagens de câmeras de segurança que mostram a movimentação nos dias dos desaparecimentos. Cartucho de festim A Polícia Civil confirmou que o cartucho encontrado na casa do casal de idosos é de festim. O caso foi discutido em reunião com autoridades nesta segunda-feira (9), em Cachoeirinha. 🔍 Um cartucho de festim é um tipo de munição que simula um disparo real, com barulho e fumaça, sem arremessar um projétil. Contém pólvora e pode ser usado em treinamentos, cerimônias militares e efeitos especiais para cinema/TV, não sendo letal como a munição comum, mas ainda exigindo cautela devido à pólvora e gases. Áudios do suspeito Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação Após a prisão do suspeito, a reportagem teve acesso a materiais atribuídos ao ex-marido de Silvana. Em um áudio enviado a uma conhecida na semana do desaparecimento, o suspeito pergunta sobre a investigação e reclama que demora no trabalho da polícia. "Aproveitar e ver com o teu parente aí, ver o que eles conseguiram de imagem pra nós aí. Se a gente deixar só por eles (polícia), parece que não está progredindo", disse. No dia 1º de fevereiro, Cristiano enviou uma foto de dentro da casa de Isail e Dalmira, mostrando um veículo que pertence ao casal. Em outro áudio, ele conta que entrou mais de uma vez nas casas ligadas à família Aguiar. "Eu só estou indo muito na casa da Silvana, todos os dias, porque tem um cachorro e um gato lá. Tanto que hoje eu não fui ainda, eu preciso levar ração", afirmou. Cristiano e Silvana têm um filho de 9 anos. A criança morava com a mãe, mas passava os fins de semana na casa do pai. Com o sumiço de Silvana, Cristiano procurou o Conselho Tutelar, que recomendou que o filho ficasse com ele durante as investigações. Com a prisão, o menino agora está sob os cuidados de uma parente por parte do pai. Foi o próprio suspeito que fez o primeiro boletim de desaparecimento de Silvana. Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil Como aconteceram os desaparecimentos Silvana de Aguiar foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem era despistar o desaparecimento. Desde então, seu celular está desligado e ela não fez mais contato. Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais saíram para procurar a filha no domingo (25). Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir à delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos. O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no interior da residência, o que reforça a tese de que ela não viajou. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica na noite de 24 de janeiro. Um carro vermelho entrou na residência da filha às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo de Silvana entrou na garagem. Mais tarde, às 23h30, outro carro chegou, permaneceu por 12 minutos e foi embora. A polícia investiga se era ela quem dirigia seu próprio carro e busca identificar os outros veículos. Silvana é filha única do casal e mora na mesma região deles. Ela se apresenta como vendedora de cosméticos e trabalha com os pais, que são donos de um pequeno mercado que funciona junto à residência da família. Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar são descritos como queridos e tranquilos pelos parentes e vizinhos. Eles tinham um bom relacionamento com a filha. Infográfico: pais e filha desaparecem em Cachoeirinha Arte/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS d

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/12/familia-desaparecida-conselho-tutelar-rs-cachoeirinha-ex-marido-preso.ghtml


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