Óculos de realidade virtual ajudam paciente transplantada em hospital a se 'teletransportar' a outros ambientes: 'Muitas memórias boas'
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Realidade virtual ajuda paciente em reabilitação a se sentir em casa após transplante
Os óculos de realidade virtual auxiliaram na reabilitação de uma paciente internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de São José do Rio Preto (SP) após um transplante de fígado.
Raphaela Alves é natural de Cuiabá (MT), mas no interior paulista iniciou o tratamento contra uma doença hepática desenvolvida após a retirada da vesícula, que descompensou o fígado. Em 16 de janeiro de 2026, a paciente foi submetida ao transplante no Hospital de Base (HB).
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Segundo os médicos, o procedimento foi bem-sucedido e, desde então, a mulher está em recuperação na UTI do centro médico.
Com o auxílio da tecnologia virtual, aliada a outros dispositivos como a eletroestimulação, Raphaela foi reabilitada para o retorno às atividades diárias. O uso dos óculos de realidade virtual no tratamento de fisioterapia trouxe uma sensação nostálgica à paciente.
“A primeira vez que usei os óculos e vi que estava em uma praia, não consegui segurar a emoção e me vieram muitas memórias boas. Isso gera um alívio, diminui a preocupação ao ver paisagens quando fazemos os exercícios, é muito bom”, conta Raphaela.
Realidade virtual ajuda paciente em reabilitação em hospital de São José do Rio Preto (SP) a se sentir em casa após transplante
Hospital de Base/Divulgação
A tecnologia, relativamente recente no cenário da saúde brasileira, tem sido essencial no tratamento em unidades de terapia intensiva. O objetivo é proporcionar um teletransporte sensorial do paciente diretamente do hospital para outro ambiente, já que o leito de UTI é visto como um local impessoal e intimidador.
Raphaela, que está há mais de mil quilômetros de casa, revelou que teve a sensação de retornar ao lar.
"Um dos vídeos que o doutor exibiu me lembrou a estrada de uma serra perto da minha cidade. É um lugar por onde sempre passo quando quero descansar — 'ah, vamos para a chapada' — e ficamos de sexta a segunda. Isso me fez sentir próxima da minha casa", relata.
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Tratamento pode diminuir o tempo de internação
O fisioterapeuta Marcus Vinicius Camargo De Brito destacou ao g1 os benefícios do tratamento, principalmente para pacientes diagnosticados com síndrome da imobilidade, que pode levar à fraqueza durante a internação na UTI.
“Quando o paciente não tem ativação do sistema neuromuscular [devido à internação], pode perder por volta de 3% de força muscular por dia. Com o uso da realidade virtual, conseguimos otimizar o tratamento, aumentar a adesão, prolongar o tempo de sessão e extrair o máximo da performance, consequentemente diminuindo o tempo de internação tanto na UTI quanto no hospital de forma significativa”, explica o fisioterapeuta.
O fisioterapeuta Marcus Vinicius Camargo De Brito destaca os benefícios do tratamento com realidade virtual realizado em hospital de São José do Rio Preto (SP)
Hospital de Base/Divulgação
Marcus Vinicius também diz que a intervenção precoce da fisioterapia em pacientes em estado grave traz benefícios cumulativos, que resultam na redução da morbidade e no aumento da sobrevida.
“Com o tempo de internação hospitalar menor graças ao uso das tecnologias e equipamentos, também há menor risco de infecções, de eventos adversos, menor custo hospitalar e menor uso de antibióticos pelo paciente”, finaliza.
Tecnologia virtual, aliada a outros dispositivos como a eletroestimulação, auxiliam na reabilitação de pacientes de hospital de São José do Rio Preto (SP)
Hospital de Base/Divulgação
* Colaborou sob supervisão de Henrique Souza
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