Pacientes com Ebola e médicos fogem de hospital após ataque de multidão enfurecida na Rep. do Congo
16/07/2026
(Foto: Reprodução) Profissional de saúde com equipamento de proteção individual está próximo a pessoas deslocadas esperando pelo enterro de vítimas suspeitas de Ebola no campo de deslocados de Kigonze, após a declaração de surto, em Bunia, leste da República Democrática do Congo.
REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/Foto de arquivo
Pacientes com Ebola e profissionais de saúde fugiram de um hospital no leste da República Democrática do Congo depois que o local foi atacado por uma multidão enfurecida, segundo informou à Reuters um profissional de saúde da instituição.
Parentes de uma paciente faziam parte da multidão que invadiu o Hospital Nyakunde, na província de Ituri, na quarta-feira (15), atirando pedras e danificando a cerca ao redor do local, disse François Berocan Uderos, biólogo médico do hospital.
A multidão reagia à morte de uma mulher que havia ido ao hospital para dar à luz, mas desenvolveu anemia grave, disse ele.
“Membros da família dela se ofereceram para doar sangue, mas o hospital recusou porque as transfusões de sangue são proibidas durante surtos de ebola”, disse Uderos.
A mulher morreu por volta das 15h, e o ataque ao hospital começou logo em seguida, disse ele, acrescentando que vários dos cerca de 10 pacientes com Ebola que recebiam tratamento no local haviam fugido.
“A equipe médica já deixou o hospital. O gerador que fornecia energia à unidade não está mais funcionando, e os pacientes fugiram”, disse ele.
O ataque ressalta as dificuldades que as autoridades de saúde enfrentam no combate ao Ebola no leste do Congo, onde a desconfiança em relação às equipes médicas, a resistência da comunidade e a insegurança têm repetidamente atrapalhado esforços de tratamento e contenção.
O mais recente surto de Ebola, o 17º no Congo, já resultou em 2.073 casos confirmados e 796 mortes, segundo dados oficiais.
Houve vários ataques de multidões enfurecidas a unidades de saúde desde que o surto foi anunciado em maio, relembrando a violência que ocorreu durante um surto de 2018 a 2020 no leste do Congo, que matou mais de 25 profissionais de saúde.
Os riscos à segurança têm alimentado protestos e ameaças de greve por parte dos profissionais de saúde, que afirmam que a remuneração que recebem não reflete a carga de trabalho e o estresse a que estão sujeitos.
O exército do Congo informou em comunicado que abriu uma investigação sobre os distúrbios em Nyakunde.
(Reportagem de Clement Bonnerot em Bunia e Fiston Mahamba em Goma; reportagem adicional de Emma Farge em Genebra)