Papa Leão XIV divulga críticas a Trump desde 2015 por repressão a imigrantes: 'Você não vê o sofrimento?'
13/04/2026
(Foto: Reprodução) Após declarações sobre guerra, Papa vira alvo de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste domingo (12), que o papa Leão XIV é fraco, após o pontífice dizer que se sente próximo do "amado povo libanês" e pedir um cessar-fogo no conflito do Oriente Médio.
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Em sua resposta ao republicano, o papa afirmou não ter medo de Trump e que não estava fazendo um ataque direto contra ele ou qualquer outra pessoa com seu apelo geral pela paz.
A falta de afinidade do pontífice com o discurso de Trump não é nova e começou antes mesmo do conclave que o elegeu papa. Nas redes sociais, antes de se tornar Leão XIV, o líder religioso costumava se posicionar de forma indireta, por meio de republicações de postagens críticas ao governo Trump.
Inclusive, sua última publicação antes do papado criticava políticas do republicano. Em abril de 2025, ainda como cardeal Robert Prevost, ele republicou um conteúdo sobre o encontro entre Trump e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que discutia o caso de um migrante deportado de forma considerada indevida.
O material incluía questionamentos do bispo Evelio Menjivar, que criticava a postura diante do sofrimento de migrantes:
“Você não vê o sofrimento? Sua consciência não se comove? Como pode permanecer em silêncio?”
Crítico desde 2015
As manifestações do agora papa remontam ao início da ascensão política de Trump. Em 2015, durante a campanha presidencial, ele compartilhou um artigo do cardeal Timothy Dolan que classificava como problemática a retórica anti-imigração do então candidato.
Após a eleição de Trump, em 2016, Leão XIV também repercutiu uma homilia do arcebispo José Gomez, que destacava o medo de famílias migrantes e afirmava que os Estados Unidos eram “melhores do que isso”.
Em 2017, já durante o primeiro mandato, ele voltou a abordar o tema ao compartilhar posicionamentos em defesa dos chamados “Dreamers” — jovens imigrantes levados ainda crianças aos Estados Unidos — e críticas a declarações de Trump, como a expressão “bad hombres”, associada por líderes religiosos ao incentivo ao racismo e ao nativismo.
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Críticas se estendem a outras figuras do governo
Em fevereiro de 2025, o papa compartilhou um artigo crítico ao vice-presidente JD Vance, que havia defendido uma interpretação hierárquica do amor cristão — conhecida como “ordo amoris”.
O texto repostado pelo então cardeal afirmava:
“JD Vance está errado: Jesus não nos pede para classificar nosso amor pelos outros”, contrapondo a ideia apresentada pelo vice-presidente em entrevista à Fox News.
*Com informações da Associated Press.
Montagem mostra o papa Leão XIV e o presidente dos EUA, Donald Trump
Reuters/Claudia Greco; Reuters/Kent Nishimura