Pedidos de refúgio de cubanos no Brasil quase dobram de 2024 para 2025; muitos entram no país de forma ilegal e arriscada

  • 23/02/2026
(Foto: Reprodução)
Número de pedidos de refúgios de cubanos no Brasil quase dobra O número de pedidos de refúgio de cubanos no Brasil quase dobrou de um ano para outro. Muitos entram no país sem o visto obrigatório, de forma ilegal e arriscada. Uma cubana de 47 anos vive hoje em situação legal no Brasil como refugiada. Mas, para conseguir entrar no Brasil em 2025, ela precisou contratar coiotes. Por medo de represálias das quadrilhas e com receio que a família que ficou em Cuba sofra algo, ela não quis mostrar o rosto. “Eu vendi minha casa em Cuba, mas não dava para ir para nenhum país. Só para a Guiana”, conta. Ela trabalhou um tempo na Guiana e depois veio para o Brasil. Mas o mais comum é os coiotes oferecerem o trajeto direto: pegar um voo de Havana para Georgetown, na Guiana (país que não exige visto para cubanos), e de lá percorrer quase 600 km até Bonfim, em Roraima. Os pedidos de refúgio de cubanos no Brasil passaram de pouco mais de 22 mil em 2024 para quase 42 mil em 2025. Pedidos de refúgio de cubanos no Brasil quase dobram de 2024 para 2025 Jornal Nacional/ Reprodução Em fevereiro de 2026, o Grupo de Investigação contra o Crime Organizado de Roraima prendeu um coiote, um cidadão venezuelano. A polícia descobriu hospedarias clandestinas onde os imigrantes eram mantidos. “Casas têm sido montadas como hotéis ou hostels para abrigar 30, 40 pessoas ao mesmo tempo, sem qualquer tipo de estrutura”, afirma Wesley Costa de Oliveira, delegado titular da Draco - RR. Os imigrantes dizem que a crise pela qual Cuba passa tem estimulado a saída do país, e as políticas anti-imigração dos Estados Unidos, adotadas no governo Trump, fizeram muitos escolher o Brasil. “A situação em Cuba está muito ruim. Falta gás, falta luz, não tínhamos comida. Decidimos apostar em uma vida melhor”, diz uma cubana. A maioria dos pedidos de refúgio é feita pelos cubanos na região Norte do país. E há grupos que fazem a solicitação em outros estados, principalmente do Sul e Sudeste. Um espaço que fica na região central de São Paulo oferece abrigo, alimentação e aulas de português para os refugiados. A cubana Martha Gavialn Matos mora no Brasil há sete anos e já conseguiu a cidadania Jornal Nacional/ Reprodução A eletricista Martha Gavialn Matos mora no Brasil há sete anos e já conseguiu a cidadania. Conta que passou a receber quase diariamente mensagens de cubanos que querem saber como é a vida aqui. Ela diz que a maioria não consegue entrar de forma legal porque não consegue visto. “Minha sobrinha, meu tio. Familiar pertinho de mim. Meu sobrinho. Foram todos negados”, conta Martha. A Martha trabalha como eletricista e diz que se adaptou bem à vida no Brasil: “O Brasil abriu para mim a porta. Eu voltei de novo a fazer coisas que só eram um sonho, que só ficava na minha mente que eu queria conseguir. Mas aqui foi certo, aqui eu consegui". O Itamaraty afirmou que não adota restrições à concessão de vistos a cubanos. O Ministério da Justiça declarou que o Brasil tem uma longa trajetória de defesa dos direitos humanos e de acolhimento aos migrantes. LEIA TAMBÉM Cubanos lideram pedidos de refúgio no Brasil pela primeira vez em 10 anos 'Cozinhamos com carvão e lenha para 3 famílias na vizinhança': como cubanos estão vivenciando pior racionamento de combustível em décadas Lixo se acumula e ameaça saúde pública em Havana em meio a bloqueio dos EUA

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/02/23/pedidos-de-refugio-de-cubanos-no-brasil-quase-dobra-de-2024-para-2025-muitos-entram-no-pais-de-forma-ilegal-e-arriscada.ghtml


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