PF abre mais de 1,2 mil investigações eleitorais em 2026; falsidade ideológica e fraudes lideram casos
02/10/2026
(Foto: Reprodução) A Polícia Federal (PF) instaurou 1.226 inquéritos relacionados a crimes eleitorais entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados do painel Casos Eleitorais em Andamento, divulgado pela corporação.
Os números foram apresentados às vésperas do primeiro turno das Eleições Gerais, marcado para domingo (4). Durante a votação, a PF reforçará a atuação em todo o país, em parceria com a Justiça Eleitoral e outros órgãos de segurança.
O principal foco das apurações é a falsidade ideológica eleitoral, crime que envolve a inserção de informações falsas em documentos destinados à Justiça Eleitoral. Foram 384 registros desse tipo até o momento.
Os inquéritos envolvem suspeitas de crimes previstos principalmente em três normas da legislação eleitoral brasileira:
Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965): reúne as regras sobre a organização e o funcionamento da Justiça Eleitoral, alistamento, votação e apuração, além de tipificar crimes eleitorais.
Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997): estabelece normas para as eleições, como registro de candidaturas, propaganda eleitoral, financiamento de campanhas e prestação de contas.
Lei nº 6.091/1974: regulamenta o transporte gratuito de eleitores residentes em zonas rurais nos dias de eleição e estabelece medidas para coibir o uso irregular de veículos e o transporte de eleitores com finalidade eleitoral ilícita.
Agora no g1
Um caso pode ter mais de um tipo penal. Os 1,2 mil inquéritos correspondem à 1.596 casos por tipo penal iniciados em 2026.
Além do crime de falsidade ideológica eleitoral, aparece na sequência a inscrição fraudulenta de eleitor, prevista no artigo 289 do Código Eleitoral, com 356 ocorrências. O crime envolve situações como transferências irregulares de título ou a apresentação de informações falsas para obtenção do cadastro eleitoral.
LEIA TAMBÉM: Candidatos a deputado estadual e federal são alvo de 69% das denúncias ao TSE sobre campanha eleitoral
Já a compra de votos, um dos delitos mais associados às campanhas eleitorais, aparece em terceiro lugar, com 187 registros.
Inquéritos instaurados em casos eleitorais
Arte/g1
Os números mostram ainda 77 investigações relacionadas à violência política contra a mulher e 70 casos envolvendo desvio ou uso indevido de dinheiro e bens destinados ao financiamento eleitoral.
Os dados mostram que a atividade investigativa acompanhou o avanço do calendário eleitoral. Depois de oscilar entre 89 e 143 inquéritos mensais no primeiro semestre, o número de procedimentos voltou a crescer a partir de julho e atingiu 234 registros em setembro, o maior volume do ano.
O salto ocorre no mês que antecede o primeiro turno, período marcado pela intensificação da campanha, aumento da circulação de propaganda eleitoral, realização de atos públicos e maior volume de denúncias encaminhadas à Justiça Eleitoral e às forças de segurança.
Rio, Ceará e Maranhão concentram mais investigações
Os dados também apontam diferenças regionais. O Rio de Janeiro lidera o número de inquéritos instaurados em 2026, com 138 investigações. Em seguida aparecem Maranhão (122) e Ceará (116).
Inquéritos instaurados em casos eleitorais
Arte/g1
Segundo a PF, as ações de combate a irregularidades eleitorais também resultaram na apreensão de mais de R$ 33 milhões em bens. Desse total, cerca de R$ 21 milhões correspondem a dinheiro em espécie.
A corporação também mantém monitoramento sobre possíveis crimes praticados no ambiente digital, incluindo conteúdos manipulados por inteligência artificial, quando houver indícios de ilícitos previstos na legislação eleitoral.