Plantio consorciado ajuda pequenos agricultores a manter produção no interior de Roraima
08/02/2026
(Foto: Reprodução) Agricultor em plantio de maracujá e abóbora no interior de Roraima
Amazônia Agro/Reprodução
Pequenos agricultores do interior de Roraima têm buscado alternativas simples para continuar produzindo e garantir renda no campo. Na região do Paredão, em Alto Alegre, o uso da mesma área para o plantio de mais de um produto é a estratégia para fortalecer a agricultura familiar e enfrentar os desafios do dia a dia. O assunto foi destaque no Amazônia Agro deste domingo (8).
Na Vicinal 02, a agricultura é a principal fonte de renda de muitas famílias. É o caso de Eduardo Oliveira e Rosângela Souza, que encontraram no campo uma forma de sustento e de permanência no interior.
🍈 Na propriedade da família, a aposta foi o plantio consorciado, modelo de produção que permite o cultivo de mais de uma cultura agrícola na mesma área. No local, o maracujá é plantado de forma suspensa e divide espaço com a abóbora, cultivada no solo.
Segundo Eduardo, a ideia surgiu como forma de aproveitar melhor a terra e aumentar a renda da família.
"Nessa área que foi plantada de maracujá, a gente tinha terra embaixo. O maracujá em cima, suspenso. Então, a gente resolveu aproveitar essa terra, com a irrigação da água do maracujá, e aproveitou dessa mesma terra para plantar a abóbora embaixo para ter uma renda extra", explicou.
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O agricultor também afirma que o clima da região tem favorecido o plantio do maracujá, com menor incidência de pragas em comparação a outras localidades. Após tentativas anteriores sem sucesso, a família buscou conhecimento técnico e voltou a investir na produção, agora com resultados positivos.
"Agora tá dando certo, tá tudo carregado. Daqui a uns 20 dias a gente já tem a primeira colheita", disse.
Plantio de maracujá em propriedade no interior de Roraima
Amazônia Agro/Reprodução
A produção de maracujá é comercializada principalmente em Boa Vista, na Feira do Produtor, onde a família possui compradores fixos. Além do maracujá e da abóbora, a propriedade também tem criação de gado e plantios de pimenta.
Rosângela explica que a produção agrícola sempre fez parte da vida da família desde a chegada ao Paredão. Sem renda fixa, o cultivo se tornou uma necessidade.
“Desde que a gente chegou aqui, começou a mexer com verdura. Meu esposo e os filhos sempre gostaram de produção. A gente trabalha com maracujá, pimenta-de-cheiro, pimenta-ardelosa e agora voltou novamente com o maracujá”, contou.
Segundo ela, a escolha por culturas como a pimenta está ligada ao baixo custo de produção e à facilidade no manejo: "A pimenta tem pouco gasto, tem mais durabilidade e menos serviço no tempo de colheita. Junta a família, meu marido, meus filhos, todo mundo vem colher. Quando precisa, a gente arruma diarista.
Apesar dos bons resultados, os pequenos produtores ainda enfrentam dificuldades. Entre os principais desafios estão o alto custo dos insumos e a falta de apoio ao agricultor na região.
"A maior dificuldade do pequeno produtor hoje é a manutenção da horta. O adubo é caro, o veneno é caro. Antigamente forneciam adubo para o pequeno produtor, hoje não. E se você não tem dinheiro para comprar o adubo, como é que você mantém o produto?", pontuou.
Outro problema apontado é a comercialização. Muitos agricultores acabam vendendo a produção por preços mais baixos por falta de transporte próprio.
Mesmo diante das dificuldades, a família segue persistente e pretende ampliar os plantios nos próximos meses, com culturas como pimenta doce, pimentão e macaxeira.
Agricultura familiar é fonte de renda para muitas famílias
Amazônia Agro/Reprodução
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