Polícia investiga se streamer GH cometeu homofobia contra ator João Victor Gonçalves no entorno do Rock in Rio

  • 05/09/2026
(Foto: Reprodução)
Ator de 'Quem Ama Cuida' diz ter sido vítima de homofobia; veja vídeo A Polícia Civil do Rio abriu uma investigação para apurar se o streamer GH Rell RJ foi homofóbico contra o ator João Victor Gonçalves, intérprete de Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida”, no entorno do Rock in Rio. O episódio aconteceu na noite de sexta-feira (4) e foi transmitido ao vivo pela plataforma Kick. Após a repercussão das imagens, João Victor afirmou ter sido vítima de homofobia. O streamer, por sua vez, negou a acusação, disse que fazia "entretenimento" e afirmou ter sido vítima de racismo (entenda abaixo). O caso será apurado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) mesmo sem que o ator tenha registrado queixa. Não houve registro de ocorrência com essas características na delegacia da área. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), contudo, ao tomar conhecimento dos fato abriu investigação. A Polícia Civil orienta que todos os casos sejam registrados para que possam ser investigados de forma individual e para que os autores sejam identificados e responsabilizados criminalmente", diz a nota da polícia. O Ministério Público do Rio (MPRJ) recebeu uma ouvidoria anônima que será apurada por um procurador de Justiça. Na transmissão, GH aparece acompanhado de amigos e se aproxima de João Victor, que caminhava pelo entorno da Cidade do Rock. O grupo faz comentários sobre a aparência e a roupa usada pelo ator. Momento da abordagem de GH e amigos ao ator João Victor Gonçalves Reprodução/Kick “Que é isso. Cara horroroso. Cara meteu um tomate”, dizem durante a live, gritando muito perto do ator. O grupo aparece seguindo João Victor por alguns segundos, em um local deserto. Intimidado, ele parece apertar o passo para ir embora logo e não reage. "Me senti acuado, senti ali uma violência. Não sabia o que poderia acontecer, qual era o próximo passo, né, que aqueles garotos poderiam dar ali comigo. Então, eu acelerei meu passo e estava com a cabeça focada em chegar no Rock in Rio", explicou em uma rede social. Ator de 'Quem Ama Cuida' agradece apoio após caso de homofobia no Rock in Rio O trecho foi recortado da transmissão e começou a circular nas redes sociais, onde a abordagem passou a ser criticada. João Victor se manifestou após a repercussão e afirmou que foi vítima de homofobia. “Somos mais fortes que qualquer coisa... Impunes não vão ficar, homofobia é crime. Isso é um retrato. Meu medo de ser roubado era maior. Homofobia não é entretenimento”, afirmou. Streamer GH Hell Reprodução/Kick O ator também relacionou o episódio à história de Mau Mau, seu personagem em “Quem Ama Cuida”. Na novela, o jovem está em processo de descoberta da própria sexualidade e enfrenta a homofobia dentro de casa, principalmente na relação com o avô, Otoniel, interpretado por Tony Ramos. “O Mau Mau é um personagem forte, valente, que encara essa homofobia estrutural que vive dentro de casa de uma forma muito corajosa. Ele engole e segue”, escreveu João Victor. Streamer acusa ator de racismo Após acusação de homofobia, streamer pede desculpas e acusa ator de racismo Após a repercussão do caso, GH também publicou vídeos para apresentar sua versão. Além de dizer que o trecho que viralizou havia sido retirado do contexto da transmissão, o streamer acusou João Victor de racismo por ter afirmado que ficou com medo de ser roubado durante a abordagem. “Por que você tava com medo de ser roubado? Por causa da minha cor? Porque eu sou preto?”, questionou GH ao comentar a declaração do ator. O streamer afirmou ainda que costuma fazer transmissões ao vivo nas ruas, abordando pessoas e criando situações que classifica como entretenimento. “Tava numa live aqui, mano, e eu fico fazendo um monte de entretenimento no meio da rua, tipo doideira com maluquice. Tava fazendo entretenimento com um cara que tava passando na rua e me dei mal. Sabe por quê? Cliparam, postaram lá no Twitter e eu tô recebendo um monte de hate. Se eu errei, eu peço desculpas porque nós é ser humano e nós erra”, afirmou. Na transmissão original, não fica claro se GH e os amigos sabiam, no momento da abordagem, que João Victor era ator. Repercussão O caso também provocou manifestações de colegas de elenco de João Victor. Pedro Alves, que interpreta Fernando em “Quem Ama Cuida”, saiu em defesa do ator nas redes sociais. “Aquilo foi baixo, covarde e cruel. Aquilo não é brincadeira. Só quem sofre pode entender. Vergonha de ver que falhamos como sociedade”, escreveu. O g1 procurou o streamer GH e a plataforma Kick para esclarecer o episódio e saber quais são as políticas em relação a abordagens e comportamentos como os registrados na transmissão. Até a última atualização desta reportagem, não houve retorno de nenhuma das partes. Initial plugin text Na noite deste sábado, a defesa do ator João Victor publicou uma nota repudiando o caso e afirmando que ele está apenas na posição de vítima. Veja a nota completa: Diante dos fatos amplamente noticiados ocorridos na madrugada de 05/09, nas imediações do Rock in Rio, os advogados que representam João Victor Gonçalves vêm a público esclarecer: João Victor Gonçalves foi vítima de hostilização motivada por suas vestimentas, em clara relação à discriminação por sua orientação sexual, ao ser abordado e seguido por um grupo de quatro indivíduos que zombaram publicamente da vestimenta, interpretada como de cunho feminino pelo agressores, mas utilizada por um homem, tendo o episódio sido transmitido ao vivo, em tempo real, ao público do autor da hostilização, através de seu canal pessoal na internet. O deboche público motivado pela não conformidade da vestimenta com padrões normativos de gênero, exposto e amplificado por meio de transmissão ao vivo, constitui ato discriminatório grave, independentemente do uso de termos pejorativos diretos. Em manifestação posterior, o próprio autor da hostilização admitiu que sua conduta teve como finalidade "movimentar" seu canal pessoal, evidenciando que o ato discriminatório foi praticado deliberadamente como estratégia de engajamento e geração de conteúdo, em benefício próprio e às custas da exposição pública não consentida da vítima. Tal confissão afasta qualquer alegação de espontaneidade ou de ausência de intenção, reforçando o caráter deliberado da conduta. Quanto à declaração de João Victor Gonçalves, ofendido, na qual relatou temor de ser assaltado, esclarece-se que tal manifestação não possui qualquer conotação discriminatória. Trata-se de reação legítima de autoproteção, plenamente justificável diante do contexto fático: ausência de segurança no local, superioridade numérica dos agressores (quatro contra um) e a natureza intimidatória da abordagem. Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial. Registra-se que o autor da hostilização, em manifestação posterior, imputou ao próprio ofendido a prática de racismo, alegação que não encontra qualquer amparo nos fatos ou nas declarações efetivamente proferidas por João Victor Gonçalves. Eventuais manifestações de terceiros — inclusive de cunho racista feitas por seguidores do ofendido contra o autor da hostilização — não podem ser a ele atribuídas, tampouco desviam a análise da conduta originalmente praticada contra a vítima. Reafirma-se que João Victor Gonçalves figura, nestes fatos, exclusivamente na condição de vítima. Em nota, o Rock in Rio disse que "repudia qualquer forma de violência, assédio, discriminação ou preconceito e conta com equipe de segurança privada para atuar dentro do festival, enquanto as áreas públicas têm a segurança garantida pelos órgãos competentes". Veja abaixo o restante da nota oficial do festival. 'O caso do assédio ocorrido com o ator João Victor Gonçalves aconteceu além das áreas do perímetro de segurança coberto pelo festival. A organização orienta ao público que utilize os transportes oficiais do evento, como BRT, que deixa os passageiros mais próximos das entradas. O Rock in Rio reforça que condutas de assédio são incompatíveis com os valores do festival que tem como compromisso construir um ambiente diverso, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas dentro da Cidade do Rock. Esse compromisso se traduz em ações permanentes de conscientização, prevenção e enfrentamento a qualquer forma de discriminação ou violência, reforçando que o respeito é um valor inegociável. A Cidade do Rock conta com uma área de Pluralidade, que atua para tornar o festival cada vez mais diverso, inclusivo, equânime e acolhedor, promovendo representatividade tanto entre seus colaboradores quanto entre o público. Acreditamos que o Rock in Rio é um espaço de encontro, respeito e convivência. Por isso, adotamos uma série de medidas preventivas para promover um ambiente seguro, diverso e acolhedor para todas as pessoas, reforçando que qualquer forma de discriminação é incompatível com os valores do festival. As ações incluem campanhas de conscientização e comunicação ao longo da Cidade do Rock, conteúdos educativos, treinamentos das equipes operacionais para identificação e encaminhamento de situações de discriminação, além da disponibilização de canais de acolhimento para quem sofrer ou presenciar casos de racismo, LGBTfobia, xenofobia, intolerância religiosa, capacitismo, etarismo, gordofobia ou qualquer outra forma de violência ou preconceito."

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/rock-in-rio/noticia/2026/09/05/policia-investiga-live-de-streamer-gh-apos-ator-denunciar-homofobia.ghtml


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