Pouso de emergência e incêndio para apagar provas: Veja o que se sabe sobre piloto que estava com avião carregado de cocaína
18/07/2026
(Foto: Reprodução) O caso do piloto que foi preso após fazer um pouso de emergência de uma avião que estava carregado de cocaína, em Itarumã, no oeste de Goiás, chamou a atenção pela estrutura envolvida e pela dinâmica dos fatos relacionados ao acidente. Henrique Donizeti Ferri, de 32 anos, foi preso após quase um dia de fuga por uma região de mata, depois de ter colocado fogo no monomotor.
O advogado do piloto, Luís Henrique Viana dos Reis, disse ao g1 que vai buscar a liberdade do cliente, uma vez que ele é réu primário, ou seja, não possui antecedentes criminais, e é trabalhador. De acordo com o advogado, Henrique é autônomo.
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Veja o que se sabe, até agora, sobre os fatos relacionados ao tráfico de drogas e o piloto investigado:
Pouso de emergência
Ao sobrevoar Goiás, no trajeto do Mato Grosso, em uma área próximo à Bolívia, até a região de Frutal, em Minas Gerais, o avião do piloto apresentou uma pane mecânica, obrigando-o a pousar de forma emergencial na zona rural de Itarumã.
De acordo com o relato da polícia, que consta do termo de audiência de custódia, do Tribunal de Justiça de Goiás, após a queda Henrique determinou que caseiros de uma fazenda descarregassem e escondessem a carga de 342 kg de cocaína. Quando a polícia chegou ao local, a droga foi encontrada em sacolas, escondidas na mata.
Henrique Donizete, de 32 anos, foi preso em Itarumã, em Goiás, após fazer o pouso forçado de um avião que carregava cerca de 300 kg de cocaína
Reprodução/ TV Anhanguera
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Incêndio
Segundo a polícia, Henrique colocou fogo no monomotor com o objetivo de destruir provas do crime de tráfico de drogas. Um vídeo feito pela Polícia Militar mostra um galão de combustível jogado no chão, ao lado do avião destruído.
Ao decidir manter o piloto preso, o juiz Gabriel Carneiro Santos Rodrigues destacou o que o investigado conseguiu destruir com o incêndio.
"Suprimindo de uma só vez marcas de identificação, registros de bordo, aviônicos e todo o acervo de vestígios que a perícia dela poderia extrair", afirmou o magistrado.
Sem antecedentes
De acordo com a Justiça, Henrique não possui registro de antecedentes criminais. Não foi a primeira vez, porém, que ele transportou drogas. Em entrevista ao g1, o coronel Heber Souza Bastos, do 5° Batalhão Rodoviário da Polícia Militar, que participou da operação de buscas, disse que o próprio piloto contou que ele foi contratado para fazer três viagens.
"Ele foi contratado pelo dono da aeronave. Ele já tinha efetuado outras duas viagens. Essa era a terceira. E ele receberia R$ 70 mil por viagem", disse o coronel.
O juiz Gabriel destacou isso em sua decisão, dizendo que as anotações de diversas pistas de pouso, que foram encontradas pela polícia, são indícios de "utilização de rotas já estruturadas para uso reiterado de transporte de entorpecentes".
"Os autos não retratam traficante ocasional, surpreendido em conduta isolada e episódica, mas sim a existência de elo técnico especializado de uma estrutura permanente", afirmou o magistrado.
'Sofisticação logística'
A estrutura usada pelo piloto foi citada várias vezes pelo juiz, que afirmou que ficou demonstrada "sofisticação logística" no caso. Para o magistrado, entre os fatos que comprovam isso estão:
a própria aeronave;
rotas previamente cartografadas;
pistas de pouso alternativas anotadas com coordenadas geográficas
referências de relevo e obstáculos a evitar em navegação;
telefone satelital destinado à comunicação em áreas desprovidas de cobertura;
rede terrestre de apoio mobilizável em poucas horas.
Organização criminosa
Perante o juiz, Henrique informou ser empresário e ter uma renda média mensal de R$ 12 mil. Ele nasceu em Ribeirão Preto, em São Paulo, onde também mora. Ao g1, o advogado Luís Henrique Viana dos Reis disse que o piloto é trabalhador, mas que não tinha a informação de qual era a sua área de atuação.
"Ele não possui qualquer antecedente criminal, é trabalhador, possui remuneração lícita. Nós vamos tentar reverter, conseguir liberdade provisória", disse.
Para o juiz, porém, os elementos do caso indicam que o piloto faz parte de uma organização criminosa.
"As particularidades do caso (...) permitem a conclusão de que o autuado integra organização criminosa destinada ao tráfico interestadual de drogas", afirmou.
Em função desses indícios, Gabriel determinou a quebra do sigilo telemáticos de Henrique e a extração completa de dados dos aparelhos celulares e do telefone satelital apreendidos pela polícia.
Ajuda em fuga
Henrique foi encontrado pela polícia na madrugada do dia seguinte ao da queda da aeronave, depois de passar horas fugindo pela mata. Os policiais conseguiram localizá-lo após montarem um cerco na região.
Durante esse cerco, encontraram um carro parado às margens de uma estrada de terra, próximo à GO-206. Nele, estavam o pai, a esposa e um amigo de Henrique, que, após apresentarem versões contraditórias, confessaram o plano de fuga.
O trio havia combinado de aparecer com o carro, um Ford Ka, e piscar o farol três vezes, como um sinal para Henrique sair e entrar no veículo. Ele conseguiu se comunicar os parentes porque tinha um telefone que funcionava por satélite.
"O pessoal nosso acompanhou, chegou ao local pré-estabelecido e fez conforme (os familiares e o piloto) haviam combinado. Ele saiu do mato e aí as equipes procederam à abordagem", contou o coronel Heber.
Além de Henrique, o pai, a esposa e o amigo foram levados para a delegacia da Polícia Federal de Jataí. Como os nomes deles não foram divulgados, o g1 não conseguiu informações se eles foram mantidos presos ou se foram liberados.
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