Presidente de Israel oficializa escolha de rival de Netanyahu para tentar formar novo governo
08/11/2026
(Foto: Reprodução) Presidente de Israel escolhe rival de Netanyahu para tentar formar novo governo
O presidente de Israel, Isaac Herzog, oficializou, neste domingo (8), a escolha para que Gadi Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, tente formar um novo governo.
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A escolha foi feita porque a coalizão de Eisenkot é a que tem mais chances de garantir uma maioria no Parlamento, para o presidente — seu partido e aliados conseguiriam maioria caso se unissem às siglas árabes de Israel, uma linha vermelha que Eisenkot terá agora de cruzar pela primeira vez na história do país caso queira se tornar o novo primeiro-ministro do país.
➡️ Israel adota o sistema de governo parlamentarista, no qual o partido ou coalizão que obtiverem votos suficientes para formar maioria no Parlamento indica quem será o primeiro-ministro. No caso de nenhum grupo alcançar a maioria, como foi no pleito israelense, o presidente do país, que atua como chefe de Estado, pode escolher que ele acha ter mais chances de formar governo.
No sábado (7), Herzog já havia indicado que escolheria Eisenkot, mas a escolha foi oficializada neste domingo.
A partir de agora, o candidato terá 28 dias para tentar formar um governo. Se necessário, Herzog poderá conceder a ele uma prorrogação de até 14 dias.
Após a oficialização, Eisenkot, líder da oposição que já foi militar e perdeu o filho na guerra em Gaza, disse estar "convencido de que é possível formar rapidamente um novo governo".
"Há uma necessidade urgente para uma nova e ótima liderança", declarou. "Com o mandato que eu recebi hoje, liderarei a formação de um governo de emergência nacional".
EX-MILITAR, FILHO MORTO EM GAZA, DE MINORIA ÉTNICA: Quem é Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu e que pode se tornar o próximo premiê de Israel
Partidos árabes
O líder da oposição israelense e ex-chefe militar, Gadi Eisenkot
REUTERS/Amir Cohen
O ex-militar e líder da oposição a Netanyahu recebeu o endosso dos principais partidos árabes-israelenses na sexta-feira (6). Com seus números somados, a sigla de oposição obteve suporte de 67 deputados no Knesset, o parlamento isaraelense.
São necessárias 61 das 120 cadeiras para formar governo.
A eleição realizada em 27 de outubro terminou sem que nenhum dos dois principais blocos conquistasse a maioria necessária para governar. O partido Likud, de Netanyahu, foi o mais votado e conquistou 27 cadeiras. Mas a aliança de partidos de direita e religiosos ligada ao premiê ficou com 53 vagas do parlamento.
O bloco de oposição ligado a Eisenkot, líder do partido Yashar, obteve 48.
O resultado também marcou o avanço dos partidos que representam a população árabe de Israel. As duas principais forças do grupo conquistaram juntas 19 cadeiras, um recorde.
A Lista Conjunta ficou com 11 vagas
O partido Ra'am elegeu oito deputados.
O crescimento ocorreu em meio a uma participação recorde de eleitores árabes, que representam cerca de 21% da população do país.
As duas legendas anunciaram apoio a Eisenkot durante as consultas com o presidente Isaac Herzog. Com isso, o ex-chefe do Estado-Maior passou a contar com o endosso de 67 parlamentares, acima do mínimo necessário para governar.
O apoio, porém, não significa que os partidos árabes farão parte de uma eventual coalizão. Eisenkot já afirmou que não pretende incluí-los no governo.
Histórico de oposição
O ex-chefe do Estado-Maior de Israel, Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, agita uma bandeira do país.
Shir Torem / Reuters
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Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot, de 66 anos, poderá ser o primeiro premiê de Israel integrante da comunidade mizrahi, formada por judeus cujas famílias têm origem no Oriente Médio e no norte da África.
Discreto e avesso à exposição na imprensa, Eisenkot entrou na política apenas em 2022. Ele integrou brevemente o gabinete de guerra de Netanyahu após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, mas depois voltou à oposição.
Como opositor, criticou publicamente a liderança de Netanyahu, incluindo a condução da ofensiva militar na Faixa de Gaza. Eisenkot também prometeu que não participaria de um governo liderado pelo atual primeiro-ministro.
A trajetória política de Eisenkot também é marcada pelas perdas pessoais de sua família desde 2023. Um filho e dois sobrinhos dele morreram em combate na Faixa de Gaza.
Durante a campanha eleitoral, Eisenkot destacou sua experiência na área de segurança. Ele citou a chamada "Doutrina Dahiya", estratégia que prevê respostas militares desproporcionais a ataques. O ex-general empregou essa abordagem quando comandou operações durante a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã que atua no Líbano.
Eisenkot também criticou a violência de colonos israelenses contra palestinos, que aumentou desde 2023 e elevou as tensões nas relações de Israel com países ocidentais.
Ele se opõe ainda aos aliados de extrema direita de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich. Os dois já foram alvo de sanções de alguns países ocidentais por declarações consideradas incitação à violência contra palestinos.
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