Professora denuncia assédio após ser mordida e agarrada por instrutor de academia; VÍDEO
21/08/2026
(Foto: Reprodução) Professora denuncia assédio após ser mordida e agarrada por instrutor de academia
Uma professora de 25 anos denunciou um instrutor de academia por assédio após, segundo ela, ser agarrada à força e mordida no ombro durante um treino. O caso aconteceu no bairro de Passarinho, na Zona Norte do Recife, e foi filmado por uma câmera de segurança do estabelecimento (veja vídeo acima).
O caso aconteceu no dia 19 de maio e foi denunciado à polícia no dia 22 do mesmo mês. Entretanto, teve novo desdobramento na quarta-feira (19), quando, segundo a denunciante, o homem acusado voltou a trabalhar na Academia ElevaFit, onde ocorreu o caso. A Polícia Civil investiga a ocorrência como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal.
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A professora, que não quis se identificar, conversou com o g1 e contou que malhava no local há cerca de um ano. O instrutor já atuava no local e, segundo ela, ele costumava ter atitudes desagradáveis com ela.
"Ele passava a mão nas minhas costas e falava coisas para o meu lado e eu nunca dei cabimento, porque eu não conhecia ele. Aí ele dizia 'é resenha'", contou.
No dia em que foi mordida, a professora contou que estava praticando um exercício quando foi corrigida pelo instrutor. Posteriormente, ele veio em direção a ela.
"Ele disse 'deixa eu te dar um abraço' e eu respondi 'não, me dê um murrinho [na mão], não me abrace, não'. Ele veio, me agarrou sem meu consentimento e mordeu minhas costas. Eu fiquei muito estressada, ele notou e disse que era uma brincadeira. Na hora, eu fiquei sem forças, sem reação", disse a professora.
Nas imagens, a mulher aparece encostada numa rampa enquanto o instrutor se aproxima. Ela baixa a cabeça e o homem a segura pela cintura.
Ela faz sinal negativo com a cabeça e tenta se desvencilhar, mas o instrutor a agarra e morde nas costas. Depois, a derruba nos próprios braços. Quando ele a solta, a mulher sai andando, pega um papel e limpa o local da mordida.
Momento em que professora é agarrada e mordida por instrutor de academia no Recife
Reprodução/WhatsApp
A professora contou que, inicialmente, não sabia o que fazer. Três dias depois, decidiu denunciar o caso à polícia e foi à Delegacia da Mulher de Olinda, onde foi orientada a fazer a denúncia no Recife. Lá, registrou boletim de ocorrência.
No dia seguinte, apresentou a denúncia na academia. A dona do estabelecimento informou que iria afastar o funcionário. Por três meses, a professora contou que não viu o homem acusado de tê-la assediado, mas, na quarta-feira (19), foi malhar num horário não usual e encontrou o instrutor.
"Eu tinha deixado para lá, e nem tinha divulgado o vídeo nem nada, porque não queria manchar o nome da academia, nem prejudizar ele mesmo. A dona da academia disse que eu estava segura, que não iria mais vê-lo na academia, nem pelas redondezas, porque ele morava longe. Ontem, quando vi, ele estava lá, com a mesma roupa dos outros instrutores", contou.
A professora ligou para a delegacia onde registrou boletim de ocorrência duas vezes e foi orientada a ir presencialmente registrar queixa, o que fez na quinta-feira (20), na Delegacia da Mulher de Santo Amaro, no Centro do Recife. Ela contou que os policiais refizeram a denúncia e, desta vez, anexaram o vídeo da ocorrência ao boletim.
O caso foi registrado como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. A vítima também foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito.
Procurada, a academia ElevaFit informou que o instrutor não foi recontratado ou readmitido, mas que, profissionais da equipe precisaram se afastar por questões médicas e que a gestão tentou encontrar substitutos, mas não conseguiu, e por isso chamou o ex-funcionário "excepcionalmente para a cobertura de duas diárias".
"Na ocasião, antes dessa cobertura pontual, o antigo profissional informou à administração que não havia recebido qualquer notificação, intimação ou chamado de autoridade relacionado ao episódio. Até aquele momento, a academia também não tinha conhecimento de novos desdobramentos formais do caso", informou a academia.
A ElevaFit disse, ainda, que a atuação do profissional ocorreu "de maneira excepcional e temporária, sem qualquer reintegração ao quadro da academia", e que em maio, assim que tomou conhecimento do caso, "adotou as providências cabíveis, inclusive com o desligamento do profissional, além de prestar assistência à aluna e disponibilizar as imagens do ocorrido".
"A instituição não compactua com a conduta relatada e permanece à disposição para colaborar com a aluna e com as autoridades competentes. [...] A instituição reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e o bem-estar de seus alunos e permanece à disposição para todos os esclarecimentos necessários", diz a nota da academia.
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