Quem é 'Chacal', procurado pela morte de Ruy Ferraz e membro da 'Sintonia Restrita', grupo do PCC que monitora e ataca autoridades
19/01/2026
(Foto: Reprodução) Exclusivo: informações que levaram à prisão de três suspeitos de planejar o assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo
Apontado pela polícia como um dos responsáveis pelo monitoramento e planejamento do assassinato do delegado aposentado Ruy Ferraz Fontes, Pedro Luiz da Silva Moraes, conhecido como Chacal, é procurado por integrar a “Sintonia Restrita”, núcleo do PCC voltado à vigilância e execução de autoridades.
Segundo investigadores, ele está fora do país e a última informação indica que estaria na Bolívia. (Veja vídeo acima.)
Chacal tem 54 anos e estava preso no Carandiru durante o massacre de 1992, quando 111 detentos foram mortos. Ele deixou a cadeia em 2024 e tem passagens por tentativas de fuga e organização de rebeliões. Em 2019, foi transferido para presídios federais por determinação de Ruy Ferraz, o que, de acordo com a polícia, reforça a motivação de vingança.
A investigação aponta que Chacal fazia parte do grupo que planejou a execução do ex-delegado, morto a tiros em Praia Grande. Ele é citado como integrante da Sintonia Restrita, setor do PCC responsável por monitorar, planejar e ordenar ataques contra agentes públicos. Um documento interceptado pelo Ministério Público menciona ordens contra o promotor Lincoln Gakiya e contra o próprio Ruy Ferraz.
Pedro Luiz da Silva Moraes, conhecido como Chacal, é acusado de participar do planejamento da morte do delegado Ruy Ferraz.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Segundo os investigadores, a execução foi planejada por um trio com histórico de crimes desde os anos 1990: Fernando Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca; Manuel Ribeiro Teixeira, o Manuelzinho; e Márcio Serapião de Oliveira, o Velhote. Todos já haviam sido presos em operações comandadas por Ruy Ferraz e, de acordo com a polícia, guardavam ressentimento desde então.
As prisões dos três ocorreram quatro meses após o crime. A polícia chegou aos suspeitos a partir de um carro usado na fuga, que foi incendiado. No veículo, um Renegade furtado, foram encontradas impressões digitais de Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, preso em outubro. Ele confirmou encontros para planejar o assassinato e indicou outros envolvidos.
Outro apontado como executor foi Humberto Alberto Gomes, que teria usado o carro empregado nos disparos. Após o crime, ele fugiu para o Paraná e morreu em confronto com a polícia. Mensagens recuperadas em celulares indicam que Humberto cumpria ordens e que toda a logística passava por Márcio Serapião, o Velhote.
Para a polícia, o crime foi motivado por vingança. Investigadores afirmam que Ruy Ferraz estava jurado de morte desde 2005 e que, após se aposentar, passou a circular com mais frequência em Praia Grande, o que facilitou a ação dos criminosos.
A defesa de Manuel Teixeira informou que aguarda acesso à investigação. Os advogados dos outros envolvidos não responderam. A polícia segue em busca de Chacal e de um outro suspeito ainda não identificado e afirma que a análise dos celulares apreendidos pode revelar a participação de mais pessoas.
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