Rei Charles III da Inglaterra discursa no Congresso dos EUA
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Rei Charles III chega aos Estados Unidos mesmo após tiroteio em jantar no sábado (25)
O rei Charles III da Inglaterra discursa nesta terça-feira (28), no Congresso dos EUA, em Washington. Ele e sua mulher, a rainha Camilla, realizam uma visita de Estado de quatro dias ao país num momento em que as duas partes vivem um momento conturbado.
O monarca busca reforçar os laços entre os EUA e o Reino Unido durante sua fala, segundo a agência de notícias Reuters.
O discurso de Charles pregará a união entre os dois países e reforçará a importância de defender os valores democráticos, segundo a Reuters. A fala está prevista para durar cerca de 20 minutos.
Uma autoridade do palácio de Buckingham afirmou à Reuters que, apesar das diferenças sazonais na relação entre os dois países, o rei dirá que "repetidas vezes, nossos dois países sempre encontraram maneiras de se unir."
Apesar disso, o Charles adotará cautela sobre os EUA agirem sozinhos em suas ações pelo mundo, e fará menções à Otan e à Ucrânia.
Rei Charles III, do Reino Unido (à esquerda), e presidente dos EUA, Donald Trump, em cerimônia na Casa Branca em 28 de abril de 2026.
REUTERS/Suzanne Plunkett
Momento de tensão
A viagem ocorre em meio a um momento de tensão entre Londres e Washington — aliados históricos — e pouco após um homem armado invadir, no sábado (25) à noite, um jantar com a imprensa com a intenção de atirar em Trump.
Planejada antes da guerra com o Irã, a visita também marca os 250 anos da independência americana.
A agenda foi definida antes da ofensiva liderada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Veja o cronograma abaixo.
Apesar do incidente de segurança no fim de semana, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca.
Após o discurso, Charles e Camilla participam de um banquete oficial.
Na quarta-feira, o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas.
Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana.
Crise diplomática
O momento da visita do monarca inglês aos EUA é considerado delicado. Historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século, segundo a AFP.
Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos” e afirmou que o premiê “não é Winston Churchill”.
Um dos pontos de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido no tema.
O governo britânico reagiu, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa com a Argentina.
Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente o vazamento, o documento é visto como pressão sobre aliados da OTAN que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã.
Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.