Renan Santos chama decisão de Toffoli de 'inflexão autoritária' e diz que vai recorrer a Nunes Marques

  • 31/08/2026
(Foto: Reprodução)
Renan Santos diz que decisão de Toffoli representa 'inflexão autoritária' O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nesta segunda-feira (31) que as restrições impostas à sua campanha por decisão do ministro Dias Toffoli, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), representam uma “inflexão autoritária” nos tribunais. Em entrevista coletiva em São Paulo, ele classificou a medida como uma “decisão monocrática absurda” e disse que o país vive um “momento muito bizarro da democracia brasileira”. “Aparentemente, é um ex-candidato agora falando. É um momento muito bizarro da democracia brasileira”, disse Renan no início da coletiva. Durante a entrevista, o advogado Arthur Rollo, especialista em direito eleitoral e representante da campanha, também afirmou que a defesa vai apresentar ainda nesta segunda-feira um mandado de segurança ao TSE contra as decisões de Toffoli. Segundo ele, será pedida uma liminar ao presidente da Corte, ministro Nunes Marques, para suspender as restrições. A decisão de Toffoli, tomada neste domingo (30), também suspendeu a participação do candidato em debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação, além dos repasses de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) à chapa. Renan Santos em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (31). Reprodução Recurso no TSE A defesa de Renan Santos afirmou que vai entrar nesta segunda-feira com um mandado se segurança, com pedido de liminar contra a decisão de Toffoli, para ser analisado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Nunes Marques. O advogado que representa Renan no caso, disse que o ponto que mais surpreendeu a defesa foi a proibição de Renan participar de debates e sabatinas. “Se é um problema de rede social, se é exercício de poder de polícia, por que impedir participação em debate e sabatina? Isso inviabiliza completamente a campanha do candidato”, afirmou Rollo. A defesa afirmou que os perfis que não constavam inicialmente no registro foram informados à Justiça Eleitoral no dia 19 de agosto. O prazo de conclusão para os registros de candidatura encerrou no dia 15 de agosto, e a campanha começou oficialmente no dia 16. Segundo Rollo, o problema no primeiro cadastro ocorreu por uma falha no sistema do próprio TSE. O advogado disse que, para elaborar a defesa, vai sentar com a equipe de rede social e verificar todos os perfis do candidato, mas reforça que, independentemente da reversão da decisão, a candidatura já foi prejudicada. "Como é que a gente faz para devolver o tempo de campanha do Renan?", questionou Rollo. Renan também contestou outro argumento citado na decisão, relacionado à recomendação de seus perfis nas redes sociais. Segundo o candidato, suas contas não estariam registrando crescimento que demonstrasse benefício eleitoral irregular. O candidato comparou seu caso a perfis ligados a outros políticos. Segundo ele, as plataformas também recomendariam contas de políticos como Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Lula e Fernando Haddad. “Curiosamente, quando eu abro o perfil do senhor Jair Messias Bolsonaro, as mesmas recomendações, e vocês podem checar, são para o candidato Nikolas Ferreira, para o candidato Flávio Bolsonaro e para a candidata Michelle Bolsonaro", disse ao mostrar imagens das recomendações em perfis de redes sociais. "Eu não estou aqui, de maneira alguma, falando que eles deveriam ter suas candidaturas cassadas, nem os demais que eu citei, porque esse caso é apenas absurdo. Quando eu abro o perfil do senhor Guilherme Boulos, hoje ministro do governo Lula, está sendo recomendado o perfil do próprio Lula, Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e da própria Natália Boulos. Usando esses mesmos critérios absurdos, Natália e os demais deveriam perder a sua? É claro que não. É óbvio que não”, afirmou. Críticas a Toffoli Na coletiva, o candidato destacou que a decisão ocorreu exatamente dez anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 31 de agosto de 2016. Renan relembrou sua participação nas manifestações pelo afastamento da então presidente e afirmou que não imaginava que, uma década depois, estaria diante da possibilidade de ser retirado de uma disputa presidencial. “[A decisão é] do Dias Toffoli, ministro do STF, que está hoje no TSE e que foi nomeado pelo mesmo grupo político que, há dez anos, eu afastei do poder no Brasil. A história, alguns dizem que é cíclica, mas a história é a história”, disse. O candidato afirmou ainda que o episódio demonstra, em sua avaliação, uma escalada autoritária no Judiciário. “Hoje é um momento histórico também para demonstração dessa inflexão autoritária que existe nos tribunais”, afirmou. Segundo Renan, não há justificativa jurídica ou política para a medida. “Não dá para justificar de maneira racional e razoável, nem do ponto de vista jurídico, nem do ponto de vista político, a decisão do ministro Dias Toffoli. Não há meios de fazer isso.” Durante a coletiva, Renan exibiu ainda vídeos que publicou anteriormente com críticas a Toffoli e sobre supostas relações envolvendo o ministro, o resort Tayayá e personagens ligados ao caso Banco Master. O candidato também mostrou imagens de manifestações que convocou contra envolvidos no caso Master, incluindo um ato realizado na Avenida Paulista no qual foram feitas críticas a Toffoli. Ao apresentar o material, Renan sugeriu que suas críticas anteriores ao ministro deveriam ser consideradas no contexto da decisão que atingiu sua candidatura, embora tenha afirmado que não estava estabelecendo diretamente uma relação entre os episódios. “Estou apenas trazendo fatos, não estou juntando pontos aqui”, afirmou. Renan agradeceu ainda as manifestações contrárias à decisão, inclusive de adversários na corrida presidencial. “Agradeço todas as manifestações democráticas dos veículos de imprensa, de juristas e dos meus concorrentes à Presidência da República, que demonstraram seu repúdio a essa decisão monocrática absurda.” Renan contestou os argumentos que, segundo ele, embasaram a decisão de Toffoli: problemas no cadastro de suas redes sociais e uma suposta vantagem obtida pela recomendação de seus perfis nas plataformas. Renan argumentou ainda que mecanismos de recomendação semelhantes aparecem em perfis ligados a outros candidatos e grupos políticos e afirmou que isso não deveria servir de fundamento para retirar candidaturas da disputa.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/08/31/coletiva-renan-santos.ghtml


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