Rio 461 anos: da poeta que criou a ‘Cidade Maravilhosa’ a contos que vão da Zona Sul à periferia, veja livros que têm o Rio como cenário

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
O Rio faz 461 anos — e poucas cidades no mundo foram tão retratadas na literatura quanto a Cidade Maravilhosa. De onde surgiu esse apelido? Como Clarice, João do Rio e novos autores transformaram ruas, praias e subúrbios em personagens? O g1 reuniu 12 livros que ajudam a entender o Rio que encanta, contradiz e resiste. A seleção inclui desde um livro de contos do premiado Marcelo Moutinho à "Última Volta do Rio", de Nei Lopes, que narra a trajetória de um homem negro nascido em Irajá na tentativa de mudar de vida, enfrentando barreiras sociais como o racismo religioso. Também fazem parte da lista obras de João do Rio e um relançamento de Clarice Lispector, com capa ilustrada pela neta da autora. Veja os títulos abaixo. Livros que têm o Rio como cenário Arte g1 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça 'Crônicas para jovens: do Rio de Janeiro e seus personagens', de Clarice Lispector O livro "Crônicas para jovens: do Rio de Janeiro e seus personagens", da Clarice Lispector, que estava há um tempo longe das bancas, foi reeditado e será lançado ainda este ano. A nova edição chegará às lojas com nova capa, com ilustração assinada por Mariana Valente, neta da autora. Quando voltou definitivamente para o Brasil, Clarice Lispector não teve dúvidas e escolheu o Rio de Janeiro para fixar residência e criar seus filhos. Como cronista, sempre procurou seus temas nas ruas da cidade ou em conversas com seus mais bem informados habitantes. Em "Crônicas para jovens", a autora leva o leitor a um instigante passeio pela cidade por meio de suas histórias. O leitor entra em contato tanto com o Rio íntimo da autora quanto com o coletivo, em textos que misturam o espírito carioca ao seu olhar singular sobre o mundo. Com experiência no jornalismo, Clarice Lispector une elementos da ficção à escrita jornalística, abordando temas que depois seriam aprofundados em sua obra literária. Leia também: Um passeio pelo Rio de Janeiro de Clarice Lispector: veja lugares frequentados pela escritora, que faria 100 anos (veja no vídeo abaixo) Conheça lugares no Rio que marcaram vida e obra no centenário de Clarice Lispector O mar e a floresta são presenças constantes em seus textos. O murmúrio do Oceano Atlântico, que ela ouvia do terraço do seu apartamento, costumava acalentar suas insônias. E crônicas como "Um reino cheio de mistério" e "O ato gratuito" foram inspiradas em suas frequentes visitas ao Jardim Botânico. Além de contemplar a natureza privilegiada do Rio de Janeiro, as crônicas cariocas de Clarice têm na vida cotidiana da cidade o ponto de partida para relatos, como os de empregadas domésticas ou de motoristas de táxi, que quase sempre se desdobram em considerações metafísicas. Um exemplo é a crônica de abertura, "Perdoando Deus", que começa com a frase: "Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada." No texto, Clarice reflete sobre a condição humana e sua relação com o divino. 'Gentinha', de Marcelo Moutinho Depois de 6 anos afastado do gênero de contos, o autor Marcelo Moutinho lança em março deste ano o livro "Gentinha", pela editora Record. O livro forma um conjunto de 16 narrativas que apostam no poder da fabulação e no olhar atento sobre o cotidiano urbano brasileiro. Vencedor dos prêmios Jabuti 2022 e Clarice Lispector 2017, o autor aposta em histórias ficcionais, com personagens diversos e situações cotidianas marcadas por desejo, nostalgia, conflito e humor. Dividido em duas partes — “Dentro de um mundo” e “A verdade não rima” —, o livro percorre cenários que vão dos bairros das periferias ao microcosmo das casas da classe média, transitando com naturalidade por diferentes estratos sociais do Brasil contemporâneo. São histórias de pessoas simples, “gente do povo” (com todas as aspas que essa expressão carrega), retratadas em sua complexidade, força cotidiana e originalidade. Praia de Copacabana: um dos cenários de 'Gentinha' Alexandre Macieira/Riotur Alguns contos se passam em bairros como Tijuca, Madureira, Catete, e falam de lugares como a Feira de São Cristóvão e a Praia de Copacabana. Gentinha será lançado no dia 14 de março a partir das 14h no Alfa Bar e Cultura (Rua do Mercado, 34 - Centro) com sessão de autógrafos e roda com o Samba do Peixe. 'Flamengo contra todos', de Alberto Mussa Torcida do Flamengo no Maracanã Divulgação/Flamengo/Mariana Sá O autor reúne talento e rigor para escrever – de forma apaixonada – sobre o Rubro-Negro. Em seu primeiro livro dedicado ao futebol, Mussa tenta demonstrar que não é um paradoxo aproximar razão de emoção. Mussa, que recebeu grandes prêmios – como Casa de Las Américas, Academia Brasileira de Letras, Oceanos, Machado de Assis e APCA – analisa não apenas os resultados de campeonatos jogados pelo Flamengo, mas também examina a estrutura deles, definindo quais são, de fato, aqueles que um grande time deveria ganhar. Escrito não por um especialista, mas por um torcedor rubro-negro que foi ao antigo Maracanã pela primeira vez em agosto de 1970, "Flamengo contra todos", da editora Civilização Brasileira, é um livro bem-humorado e provocador que convida o leitor a revisitar essa paixão nacional. O lançamento está previsto para abril. 'A última volta do Rio', de Nei Lopes O livro traz a história de Cicinho, apelido de Maurício de Oliveira, um homem negro que viveu os anos de ouro da cidade e hoje sofre com as mazelas que a estão destruindo: o crime, a corrupção, o racismo religioso e a intolerância. Cicinho foi o primeiro da família a concluir o ensino ginasial. Natural de Irajá, na Zona Norte do Rio, formou-se em Direito e se tornou procurador federal. Ao longo dos anos, acompanhou transformações na cidade, da transferência da capital do país para o interior às disputas políticas e ao surgimento de novos atores, inclusive religiosos, na dinâmica local. Nei Lopes constrói uma narrativa ficcional em que personagens negros ocupam o centro das histórias, ambientadas nos subúrbios do Rio de Janeiro. Na trama, ele retrata as dificuldades de sair da periferia e acessar os espaços de poder. 'Cazuá, onde o encanto faz morada', de Luiz Rufino Luiz Rufino apresenta um Brasil que vai além do retratado nos livros de história. O autor nos lembra que, na memória ancestral lavrada nos chãos de um Brasil profundo, o cazuá é onde a vida se aconchega como espanto, festa, peleja, mistério e devoção. O livro abriga crianças que vadeiam com santos, malandros que se misturam com trabalhadores, flores que se encruzam com facas, plantas que conversam com gente, roças que se irmanam com matas, quintais, esquinas e terreiros. Porque nesses espaços de convívio e intimidade, que são também ambientes preciosos para invenção de mundos, coabitam as histórias de cada um e de nossa gente, deste e de outros planos. 'Gostaria que você estivesse aqui', de Fernando Scheller O cenário é o Rio de Janeiro de 1980, palco de uma revolução musical e comportamental. Em contrapartida, o tráfico está se expandindo pelas favelas cariocas, o país passa por uma instabilidade política e a epidemia da Aids é motivo de medo. É nesse ambiente que vivem os personagens de "Gostaria que você estivesse aqui", romance escrito pelo jornalista Fernando Scheller, que chega às livrarias em agosto pela editora HarperCollins. Baby, César, Inácio, Selma e Rosalvo vivem na mesma cidade e, ainda assim, em mundos completamente diferentes. Têm idades diferentes, vivem momentos de vida diferentes e, financeiramente, estão separados por um abismo. Mas estão conectados por um traço comum: buscam enfrentar o mundo sem redes de proteção. Inácio acabou de passar no vestibular para engenharia, mas quando conhece César, um produtor musical gay, decide mudar de carreira. É apaixonado por Baby, que quer ser uma mulher livre, mas sua mãe tem certeza de que seu futuro é ao lado de um homem rico, o que vai garantir estabilidade financeira para a família. Já César vê sua carreira deslanchar enquanto tenta lidar com dois amores não correspondidos: do pai e do melhor amigo. Selma, mãe de César, enfrenta um divórcio dolorido e a busca da própria identidade, para além dos papéis de esposa e mãe. Ela é síndica do prédio onde trabalha o paraibano Rosalvo, recém-chegado ao Rio de Janeiro para vingar a morte de Eloá, sua filha trans. Repleta de elementos nostálgicos, a obra de Fernando Scheller fala do amor, da dor e das transformações a partir dos olhos desses cinco personagens que estão em busca de recomeços. 'A poeta da Cidade Maravilhosa', de Rafael Sento Sé Jornalista lança livro sobre história da poeta francesa que se encantou pelo Rio e criou apelido Divulgação/Autêntica Antes de se tornar marchinha, cartão-postal ou slogan turístico, porém, a cidade foi poesia. A expressão “Cidade Maravilhosa”, que atravessou o século 20 e se consolidou como marca internacional do Rio, nasceu da literatura e foi criada pela poeta francesa Jane Catulle Mendès ao se encantar com o pôr do sol visto ainda do navio, ao chegar à então capital federal em 1911. A história dessa invenção simbólica é recuperada no livro A poeta da Cidade Maravilhosa, escrito pelo jornalista e pesquisador Rafael Sento Sé. Resultado de mais de uma década de pesquisa, o livro devolve à autora a criação do epíteto e reconstrói a efervescência cultural da Belle Époque carioca, iluminando também redes femininas e intelectuais esquecidas pela historiografia tradicional. Ao restituir a autoria da expressão, a obra, publicada pela Autêntica, revela como o Rio foi, desde cedo, também uma construção literária. 'O Rio de Clarice', Teresa Montero Em "O Rio de Clarice", Teresa Montero recria os trajetos percorridos por Clarice Lispector na cidade onde viveu por tantos anos. Do Leme ao Centro, passando por Botafogo, Jardim Botânico, Leblon e Ipanema, o livro propõe um passeio afetivo pelos espaços que atravessam a vida e a obra da autora. Em sua segunda edição revista e ampliada, a obra incorpora novos bairros, mapas e fotografias de Daniel Ramalho, transformando o Rio em território literário vivo. 'O Rio de Fernando Sabino', de Teresa Montero "O Rio de Fernando Sabino" é da mesma autora, atualmente em pré-venda. O livro acompanha os 55 anos em que o escritor mineiro viveu na cidade, entre Copacabana, Ipanema, redações, bares e encontros que moldaram uma geração. Mais do que cenário, o Rio surge como força formadora de uma literatura que captou o cotidiano, o humor e as contradições da vida urbana carioca. 'Os sabiás da crônica', organizado por Augusto Massi Vinicius de Moraes em foto de 1973 Arquivo Nacional O livro é organizado por Augusto Massi, onde seis mestres do gênero, Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Stanislaw Ponte Preta e José Carlos Oliveira, compõem um painel cultural que atravessa da década de 1930 à virada do século 21. Entre bairros, bares, conversas sobre música e cinema, receitas de feijoada e a poesia do futebol, o Rio aparece como palco da amizade intelectual e da experiência cotidiana que alimenta a melhor tradição da crônica brasileira. O volume conta ainda com um prefácio visual de Paulo Garcez, cujas fotografias reforçam a atmosfera desses encontros. 'Lima Barreto, cronista do Rio', de Beatriz Resende Theatro Municipal do Rio, um dos cenários das crônicas de Lima Barreto Marcos Serra Lima/g1 Já em Lima Barreto, cronista do Rio, organizado por Beatriz Resende, o leitor percorre as ruas da capital carioca entre o final do século 19 e as primeiras décadas do 20 guiado pelo olhar atento e crítico de um de seus maiores intérpretes. As crônicas revelam o Theatro Municipal, a Lapa, o Centro, Botafogo e o Passeio Público, compondo um retrato urbano que combina ironia, denúncia social e sensibilidade literária. A edição traz ainda fotografias históricas do acervo da Biblioteca Nacional, ampliando o diálogo entre texto e memória visual. A alma encantadora das ruas, de João do Rio João do Rio (1881-1921, pseudônimo de Paulo Barreto) fez da crônica jornalística uma janela através da qual contemplava as glórias e as misérias do Brasil republicano. Em “A alma encantadora das ruas”, reunião de textos publicados na imprensa carioca entre 1904 e 1907, ele percorre as ruas do Rio de Janeiro para reter a "cosmópolis num caleidoscópio". A cidade vivia um processo de transformação acelerada, passando de corte modorrenta a ambiciosa capital federal. Ela será o palco das perambulações de João do Rio, o dândi para quem o hábito de flanar definia um modo de ser e um estilo de vida.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/03/01/rio-461-anos-da-poeta-que-criou-a-cidade-maravilhosa-a-contos-que-vao-da-zona-sul-a-periferia-veja-livros-que-tem-o-rio-como-cenario.ghtml


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