Sequência de quedas da bolsa de São Paulo é impulsionada por saída de investidores estrangeiros
17/08/2026
(Foto: Reprodução) Bolsa de Valores de São Paulo registra a décima queda seguida
O principal índice da bolsa de valores de São Paulo caiu nesta segunda-feira (17) pela 10ª vez seguida. A sequência de quedas foi impulsionada pela saída de investidores estrangeiros.
O ano que começou com céu de brigadeiro na bolsa de São Paulo vive dias turbulentos. Nesta segunda-feira (17), mais uma vez, o Ibovespa fechou em queda, ainda que leve. O dólar também caiu: fechou em R$ 5,20. É que o mesmo investidor estrangeiro que invadiu o mercado brasileiro em janeiro de 2026 passou a procurar outras opções.
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O primeiro mês de 2026 foi recorde. Mesmo depois do começo da guerra do Irã, em fevereiro, a bolsa continuou atraindo investidores. Em maio, o primeiro saldo negativo. Mas a sangria mesmo está sendo nesses primeiros dias de agosto, com saída de mais de R$ 15 bilhões.
Em um mercado tão volátil, quanto mais dúvidas, pior. E os economistas afirmam que o que não falta nesse momento é incerteza. No caso do Brasil, eles dizem que pesam, por exemplo, o risco fiscal interno, o futuro da guerra no Irã e os juros nos Estados Unidos e no Japão, que atraem investidores em busca de rentabilidade e um pouco mais de segurança.
Sequência de quedas da bolsa de São Paulo é impulsionada por saída de investidores estrangeiros
Jornal Nacional
Aliás, a nossa taxa de juros também aumenta a disputa pelo dinheiro do investidor, como explica o economista André Perfeito. Ele diz que no início de 2026, diante da perspectiva de uma queda mais acelerada, a bolsa era uma alternativa mais atraente do que agora.
“Não é um fenômeno só brasileiro. Mas no Brasil está se tornando mais agudo por conta da persistência da taxa de juros em um patamar muito alto e sem horizonte algum de uma queda mais significativa da taxa básica no Brasil”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital.
Mesmo assim, o saldo de movimentações estrangeiras na bolsa ainda está positivo em 2026 em mais de R$ 25 bilhões e elas seguem correspondendo a mais da metade do total de investimentos. Para a economista Andrea Angelo, isso mostra que os estrangeiros não estão com medo do Brasil, apenas desconfiados com o que vem pela frente.
“Nós precisamos que a política fiscal traga para o investidor uma confiança de que ela vai fazer os ajustes necessários para que isso ajude e caminhe ao mesmo tempo junto com o Banco Central, para que ele consiga continuar o ciclo de queda da Selic. E com isso, o investidor estrangeiro, na perspectiva à frente, vê que o Brasil está caminhando e ajustando suas contas, tanto do lado monetário quanto do lado fiscal. Isso passa confiança para o investidor e ele volta para cá”, afirma Andrea Angelo, economista da Warren Investimentos.
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