Sócio da Ligga aponta irregularidades em processo de venda da empresa e aciona Justiça para tentar suspender negociações

  • 10/02/2026
(Foto: Reprodução)
Agnaldo Bastos Lopes, sócio minoritário da Ligga Telecom – empresa de internet criada a partir da privatização da Copel Telecom – acionou a Justiça para pedir a suspensão da venda da companhia. Lopes também notificou extrajudicialmente o principal acionista da empresa, Nelson Tanure, apontando irregularidades na gestão da empresa e exigindo transparência sobre as negociações. Na notificação, os advogados do sócio minoritário dizem discordar da forma como a negociação vem sendo conduzida, afirmam que o sócio está sendo excluído do processo de venda e que não tem recebido informações sobre a negociação. A notificação extrajudicial foi endereçada ao fundo de investimentos controlado por Tanure e à diretoria da Ligga. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Na notificação extrajudicial, à qual a RPC teve acesso, o sócio afirma que a empresa, que apresentava superávit (balanço financeiro positivo) quando foi privatizada, tem hoje uma dívida bruta de cerca de R$ 1,3 bilhão. Os advogados afirmam que o sócio minoritário não foi incluído nas conversas sobre o negócio e não tem recebido informações concretas relacionadas à operação. Relatam ainda que Lopes "é completamente ignorado em seus direitos de acionista". No Paraná, a Ligga Telecom tem cerca de 50 mil quilômetros de cabos na rede de fibra óptica e 340 mil clientes. Desses, 35% são órgãos públicos, como escolas, prefeituras e secretarias. A empresa surgiu da privatização do setor de internet da Copel, arrematado por R$ 2,39 bilhões em um leilão realizado na bolsa de valores em novembro de 2020. O comprador foi o Bordeaux Fundo de Investimento, controlado pelo empresário Nelson Tanure e atualmente dono de 95% das ações da Ligga Telecom. Em janeiro, Tanure foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que faz parte da investigação que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. O empresário estava no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, de onde embarcaria em um voo para Curitiba. Ele teve o celular apreendido e foi liberado. Procurado pelo g1 e pela RPC, Tanure preferiu não comentar o caso ou as negociações envolvendo a Ligga. O empresário Nelson Tanure Alerj/Divulgação Crise financeira, investimento no Banco Master e inadimplência A ação judicial movida pelo sócio minoritário da Ligga corre sob sigilo. A RPC apurou que os pontos levados pelo sócio à Justiça são semelhantes aos que compõem a notificação extrajudicial enviada a Tanure e à diretoria da Ligga. Na notificação, o sócio afirma que a Ligga captou R$ 1,1 bilhão em debêntures incentivadas — títulos de dívida que permitem às empresas captar recursos no mercado para financiar projetos de infraestrutura. Com elas, os investidores contam com isenção ou redução de Imposto de Renda sobre os lucros obtidos. Porém, segundo a notificação, parte significativa dos valores não foi investida nem na Ligga, nem em projetos de infraestrutura ligados à atividade da companhia, como exige a lei. No documento, os advogados do sócio minoritário apontam que, mesmo com o bilionário endividamento gerado com a emissão das debêntures, a Ligga Telecom apresenta "inadimplência fiscal, inadimplência com fornecedores e uma relevante crise financeira." Ligga Telecom Divulgação/Ligga Telecom Conforme a notificação, parte dos valores que tiveram origem nas debêntures "foi simplesmente investida no Banco Master", do qual Nelson Tanure seria sócio oculto, segundo o Ministério Público Federal (MPF). O Banco Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, após investigações apontarem para um esquema de fraudes financeiras bilionárias. No fim de janeiro, o jornal Gazeta do Povo revelou que documentos internos da Ligga Telecom indicam que a empresa transferiu cerca de R$ 350 milhões do próprio caixa para aplicações financeiras sem liquidez diária — ou seja, sem disponibilidade imediata. Conforme a reportagem da Gazeta do Povo, pelo menos parte do dinheiro teria sido aplicada em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) do Banco Master. Não há informações públicas sobre o montante alocado nos títulos. A "opacidade de informação" nos demonstrativos financeiros da Ligga foi o motivo que levou a agência de classificação de risco Moody's a rebaixar, em dezembro de 2025, o rating da empresa paranaense, que passou de BBB.br para BB-.br, com perspectiva negativa. ➡️ O rating é uma opinião sobre a capacidade de uma empresa de liquidar tempestiva e integralmente os compromissos financeiros que tem. Emissões classificadas como BB-.br apresentam qualidade de crédito abaixo da média em relação a outras entidades e operações nacionais. A classificação aponta ainda para a perspectiva de piora na situação da empresa. "A agência avalia que o perfil de liquidez da Companhia está altamente pressionado, diante de uma posição de caixa muito reduzida, principalmente para uma operação intensiva em capital, e uma geração de fluxo de caixa livre insuficiente para cobrir as obrigações de médio prazo", afirma o relatório da Moody's. Parte dos valores captados pela Ligga foi investida no Banco Master, do qual Nelson Tanure seria sócio oculto, segundo MPF Jornal Nacional/ Reprodução Empresa gaúcha e fundo australiano são apontados como principais interessados em comprar Ligga Conhecido pela participação em disputas entre sócios e renegociações de dívidas de empresas em crise, Tanure construiu uma trajetória marcada pela compra e reestruturação de companhias nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia. Agora, o empresário está em tratativas para venda da Ligga Telecom. Conforme informações que circulam no setor, a principal interessada na compra é a Brasil TecPar, em parceria com um fundo de investimentos australiano. A Brasil TecPar é uma empresa gaúcha, fundada nos anos 1990, que opera em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, oferecendo serviços de internet via fibra óptica. No entanto, a negociação caminha para se transformar em uma disputa na Justiça. O sócio minoritário, Agnaldo Bastos Lopes, que tem aproximadamente 5% das ações da empresa paranaense, aponta Tanure como responsável por má gestão da companhia e falta de transparência na condução do processo de venda. Lopes era dono de uma empresa de provedores de internet que tinha mais de 90 mil clientes quando foi adquirida pela Ligga, em 2022. A notificação enviada pelos advogados do acionista minoritário cobra ainda transparência no processo, tanto para os potenciais interessados, quanto para o público em geral. "Há fatos graves que demandam esclarecimentos, seja porque, em tese, significam desastrosa condução dos negócios da Ligga, seja porque devem ser levados em consideração por eventuais interessados na aquisição da Ligga, para prevenção de direitos e responsabilidades", diz o documento. De empresa superavitária a endividamento Venda da Copel Telecom é concluída após pagamento de R$ 2,5 bilhões, diz governo Rodrigo Felix Leal/AEN Quando foi vendida, em 2020, a antiga Copel Telecom tinha cerca de R$ 280 milhões em caixa, conforme balanços financeiros da época. Embora enfrentasse desafios de expansão, era considerada uma empresa saudável. A atual Ligga Telecom vem operando com elevação de receita e de operação, mas registrou lucro líquido negativo em 2025 e tem uma dívida bruta de cerca de R$ 1,3 bilhão. A dívida é fruto de empréstimos bancários e dos títulos de dívida emitidos no mercado e adquiridos por investidores, que são também credores da empresa. A notificação extrajudicial redigida pelos advogados do sócio minoritário afirma que "a sucessão de circunstâncias torna incompreensível, até o momento, a possibilidade de a Ligga Telecom ser alienada praticamente a custo zero, com gravíssimo endividamento e caixa estrangulado". Na avaliação dos advogados do acionista, os atuais números da Ligga Telecom resumem um cenário que coloca em risco a sobrevivência da empresa — que hoje disputa a liderança do mercado de internet no Paraná. A notificação extrajudicial pedia que o eventual processo de venda da companhia aplique a cláusula sexta do acordo de acionistas, que estaria sendo desrespeitada, segundo os advogados. A cláusula prevê que as partes devem se comprometer a resolver, de boa-fé, as discordâncias através de negociações diretas no prazo de 30 dias. Na ausência de um acordo, a cláusula prevê, entre outras possibilidades, o direito de o sócio minoritário retirar-se da empresa mediante o pagamento do valor de saída, pago por meio de 24 parcelas mensais, observado o critério proporcional das ações. Agora, com a medida judicial adotada pelo sócio minoritário, cabe à juíza da 24ª Vara Empresarial de Curitiba analisar o caso. O que dizem os citados? Em nota, a Ligga Telecom afirmou que "os temas relacionados aos acionistas devem ser tratados no âmbito societário". "A Ligga Telecom segue com suas operações funcionando normalmente, de acordo com o planejamento previsto, mantendo seu compromisso com a qualidade e o atendimento ao cliente, pelos quais a companhia é referência no Paraná. A Ligga segue atuando conforme seu planejamento estratégico, com operação regular, em linha com a legislação aplicável, com os contratos firmados, seguindo as melhores práticas de governança corporativa. As informações da companhia são públicas, acompanhadas por auditorias independentes e supervisionadas pelos órgãos reguladores competentes", diz a nota. Procurado, o Banco Master preferiu não comentar sobre os investimentos da Ligga Telecom. O empresário Nelson Tanure disse que não vai se pronunciar. Agnaldo Bastos Lopes optou por não comentar o andamento do processo. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/02/10/socio-da-ligga-aponta-irregularidades-em-processo-de-venda-da-empresa-e-aciona-justica-para-tentar-suspender-negociacoes.ghtml


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